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A ética sobre a linha: finitude, técnica e linguagem em Martin Heidegger

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Resumo:Neste trabalho, procuraremos analisar a dimensão de uma ética originária a partir da noção heideggeriana de finitude, técnica e linguagem, partindo de "Sein und Zeit" para, então, discutir as obras tardias de Heidegger, elaboradas nos anos 50. Nossa hipótese é de que o acolhimento do ser, que constitui o ponto de arranque fundamental subjacente à meditação heideggeriana sobre a questão da técnica, a linguagem e o habitar poético, traz consigo implicações de matiz ético, pois permite pensar a possibilidade de um genuíno acolhimento do outro como outro. E, para tanto, faz-se preciso a desconstrução do processo de objetivação total na metafísica, em vista de um ek-sistir outro, um outro morar junto (zusammen wohnen) do próximo. Esta ética exigirá do homem um ter-que-corresponder à interpelação do ser, que brota da própria atitude (Haltung) humana de experienciar a morte enquanto morte. Exigirá um (re)aprender a morar sobre a terra, resguardando-se do perigo ao qual está subjugado no reino da Gestell, isto é, na medida em que os entes se revelam ao homem como a reserva (Bestand) do que é meramente calculável, negociável, presentável, o próprio homem corre o risco de sujeitar-se à função objetiva das relações técnicas. Esta tese tem, portanto, cinco objetivos: a) aclarar a dimensão originária de uma ética de ser-no-mundo em "Sein und Zeit": ela sobrevém de uma interpretação ontológica, enraizada na compreensão da finitude humana; b) explicitar o sentido daquilo a que Jünger, na sua abordagem do niilismo, chamou "a linha". Esta estabelece o nivelamento das diferenças até o ponto zero; c) discutir, em sua gênese, a análise heideggeriana da essência da técnica moderna, a Gestell, como um correlato do último estágio da metafísica. A cunhagem unidimensional da Gestell insere o homem e o mundo na esfera de um processo infindável de objetivação; d) mostrar de que modo a linguagem, na medida em que constitui um âmbito em si mesmo oscilante entre o ser e o seu aí (Da), delineia o enlevo da diferença; e) finalmente, investigar a questão de uma ética originária que se deixa entrever a partir da desconstrução do processo de objetivação na era do átomo, o que reclama, pois, a penetração na zona da linha. Esta ética sobre a linha terá seu ponto nevrálgico no Ereignis – o âmbito da comum-pertença entre o ser e o homem; o propiciar-se ou o libertar-se da proximidade vicinal, da compreensão afetiva, da linguagem e da finitude, elementos imprescindíveis para o acolhimento do outro.
Autores principais:Araujo, Thalles Azevedo de
Assunto:Ética Finitude Técnica Linguagem Gestell A linha Ereignis Proximidade Ethics Finitude Technique The line Language Proximity
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Neste trabalho, procuraremos analisar a dimensão de uma ética originária a partir da noção heideggeriana de finitude, técnica e linguagem, partindo de "Sein und Zeit" para, então, discutir as obras tardias de Heidegger, elaboradas nos anos 50. Nossa hipótese é de que o acolhimento do ser, que constitui o ponto de arranque fundamental subjacente à meditação heideggeriana sobre a questão da técnica, a linguagem e o habitar poético, traz consigo implicações de matiz ético, pois permite pensar a possibilidade de um genuíno acolhimento do outro como outro. E, para tanto, faz-se preciso a desconstrução do processo de objetivação total na metafísica, em vista de um ek-sistir outro, um outro morar junto (zusammen wohnen) do próximo. Esta ética exigirá do homem um ter-que-corresponder à interpelação do ser, que brota da própria atitude (Haltung) humana de experienciar a morte enquanto morte. Exigirá um (re)aprender a morar sobre a terra, resguardando-se do perigo ao qual está subjugado no reino da Gestell, isto é, na medida em que os entes se revelam ao homem como a reserva (Bestand) do que é meramente calculável, negociável, presentável, o próprio homem corre o risco de sujeitar-se à função objetiva das relações técnicas. Esta tese tem, portanto, cinco objetivos: a) aclarar a dimensão originária de uma ética de ser-no-mundo em "Sein und Zeit": ela sobrevém de uma interpretação ontológica, enraizada na compreensão da finitude humana; b) explicitar o sentido daquilo a que Jünger, na sua abordagem do niilismo, chamou "a linha". Esta estabelece o nivelamento das diferenças até o ponto zero; c) discutir, em sua gênese, a análise heideggeriana da essência da técnica moderna, a Gestell, como um correlato do último estágio da metafísica. A cunhagem unidimensional da Gestell insere o homem e o mundo na esfera de um processo infindável de objetivação; d) mostrar de que modo a linguagem, na medida em que constitui um âmbito em si mesmo oscilante entre o ser e o seu aí (Da), delineia o enlevo da diferença; e) finalmente, investigar a questão de uma ética originária que se deixa entrever a partir da desconstrução do processo de objetivação na era do átomo, o que reclama, pois, a penetração na zona da linha. Esta ética sobre a linha terá seu ponto nevrálgico no Ereignis – o âmbito da comum-pertença entre o ser e o homem; o propiciar-se ou o libertar-se da proximidade vicinal, da compreensão afetiva, da linguagem e da finitude, elementos imprescindíveis para o acolhimento do outro.

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