Publicação
Thromboembolic events in bariatric surgery
| Resumo: | Contextualização: A crescente prevalência da obesidade exige uma abordagem eficaz, mas simultaneamente segura dos doentes. O médico tem a incumbência desafiante de eleger a abordagem mais adequada para cada doente. A cirurgia bariátrica é o tratamento com a maior taxa de sucesso em casos graves de obesidade. No entanto, como qualquer intervenção cirúrgica, não é isenta de riscos e, frequentemente, ocorrem complicações, tais como o tromboembolismo venoso. Os eventos tromboembólicos, tais como a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, contribuem para o aumento da taxa de morbimortalidade. Com o intuito de prevenir esta complicação mortal, é imperativo traçar um plano profilático otimizado. No entanto, esta abordagem de prevenção continua a ser controversa. O objetivo desta revisão consiste em analisar a literatura existente de forma a identificar os fatores de risco para eventos tromboembólicos venosos, determinar a abordagem clínica de acordo com o risco e estabelecer o protocolo de profilaxia ideal após cirurgia bariátrica. Métodos: Procedeu-se a uma pesquisa bibliográfica na PubMed, com "cirurgia bariátrica", "tromboembolismo" e "trombose" como termos de pesquisa. Subsequentemente, os estudos foram selecionados de acordo com critérios de exclusão e inclusão para serem revistos. Resultados: Os fatores de risco tromboembólicos mais relevantes são o elevado índice de massa corporal, a história prévia de tromboembolismo venoso, a presença de insuficiência cardíaca congestiva, a cirurgia laparoscópica de bypass gástrico em Y de Roux, o tempo cirúrgico prolongado e a necessidade de transfusão. Utilizando uma calculadora de risco é possível fazer a soma de todos os riscos de cada indivíduo e atribuir um score. Com o score de risco tromboembólico e com o risco hemorrágico é possível determinar o plano profilático mais adequado para cada doente. As calculadoras de risco especificas para cirurgia bariátrica ainda não estão validadas. Relativamente a abordagens profiláticas, a avaliação pré-operatória com ecografia doppler apenas deve ser realizada em doentes de alto risco. A deambulação precoce e a utilização de profilaxia mecânica (uso de meias elásticas e/ou compressão pneumática intermitente) estão recomendadas em todos os doentes. A profilaxia farmacológica está recomendada para todos os doentes em que o risco hemorrágico não ultrapasse o risco de tromboembolismo. A dose dos fármacos, o início e a duração da profilaxia são temas controversos. O uso de filtros da veia cava inferior deve ser avaliado caso a caso, em doentes de alto risco tromboembólico. A longo prazo, verifica-se uma diminuição do risco de tromboembolismo que compensa a intervenção cirúrgica e o risco a curto prazo. Conclusão: A abordagem do doente deve ter por base o conjunto de fatores de risco individuais. A profilaxia recomendada para todos os doentes passa por deambulação precoce e profilaxia mecânica. Conforme o risco do doente pondera-se a profilaxia farmacológica, o uso de filtros da veia cava inferior e a avaliação pré-operatória com ecografia doppler. |
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| Autores principais: | Araújo, Soraia Cristina Gonçalves |
| Assunto: | cirurgia bariátrica tromboembolismo trombose bariatric surgery thromboembolism thrombosis |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Contextualização: A crescente prevalência da obesidade exige uma abordagem eficaz, mas simultaneamente segura dos doentes. O médico tem a incumbência desafiante de eleger a abordagem mais adequada para cada doente. A cirurgia bariátrica é o tratamento com a maior taxa de sucesso em casos graves de obesidade. No entanto, como qualquer intervenção cirúrgica, não é isenta de riscos e, frequentemente, ocorrem complicações, tais como o tromboembolismo venoso. Os eventos tromboembólicos, tais como a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, contribuem para o aumento da taxa de morbimortalidade. Com o intuito de prevenir esta complicação mortal, é imperativo traçar um plano profilático otimizado. No entanto, esta abordagem de prevenção continua a ser controversa. O objetivo desta revisão consiste em analisar a literatura existente de forma a identificar os fatores de risco para eventos tromboembólicos venosos, determinar a abordagem clínica de acordo com o risco e estabelecer o protocolo de profilaxia ideal após cirurgia bariátrica. Métodos: Procedeu-se a uma pesquisa bibliográfica na PubMed, com "cirurgia bariátrica", "tromboembolismo" e "trombose" como termos de pesquisa. Subsequentemente, os estudos foram selecionados de acordo com critérios de exclusão e inclusão para serem revistos. Resultados: Os fatores de risco tromboembólicos mais relevantes são o elevado índice de massa corporal, a história prévia de tromboembolismo venoso, a presença de insuficiência cardíaca congestiva, a cirurgia laparoscópica de bypass gástrico em Y de Roux, o tempo cirúrgico prolongado e a necessidade de transfusão. Utilizando uma calculadora de risco é possível fazer a soma de todos os riscos de cada indivíduo e atribuir um score. Com o score de risco tromboembólico e com o risco hemorrágico é possível determinar o plano profilático mais adequado para cada doente. As calculadoras de risco especificas para cirurgia bariátrica ainda não estão validadas. Relativamente a abordagens profiláticas, a avaliação pré-operatória com ecografia doppler apenas deve ser realizada em doentes de alto risco. A deambulação precoce e a utilização de profilaxia mecânica (uso de meias elásticas e/ou compressão pneumática intermitente) estão recomendadas em todos os doentes. A profilaxia farmacológica está recomendada para todos os doentes em que o risco hemorrágico não ultrapasse o risco de tromboembolismo. A dose dos fármacos, o início e a duração da profilaxia são temas controversos. O uso de filtros da veia cava inferior deve ser avaliado caso a caso, em doentes de alto risco tromboembólico. A longo prazo, verifica-se uma diminuição do risco de tromboembolismo que compensa a intervenção cirúrgica e o risco a curto prazo. Conclusão: A abordagem do doente deve ter por base o conjunto de fatores de risco individuais. A profilaxia recomendada para todos os doentes passa por deambulação precoce e profilaxia mecânica. Conforme o risco do doente pondera-se a profilaxia farmacológica, o uso de filtros da veia cava inferior e a avaliação pré-operatória com ecografia doppler. |
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