Publicação
Níveis séricos de vitamina D e lesões colorretais – alguma ligação?
| Resumo: | Introdução: A deficiência de vitamina D tem-se tornado um problema crescente, especialmente nas populações com um estilo de vida mais ocidental. De acordo com as evidências mais recentes, é possível que a vitamina D tenha um papel no desenvolvimento do carcinoma colorretal, apesar dos resultados não terem sido consensuais.Por este motivo, procedemos à avaliar a correlação entre o défice de vitamina D e o desenvolvimento de lesões colorretais malignas ou pré-malignas em doentes submetidos ao doseamento de vitamina D numa entidade hospitalar. Métodos: Estudo retrospetivo de coorte de centro único baseado na inclusão consecutiva de doentes com doseamento sérico de vitamina D, desde 2 de Janeiro de 2020 até 31 de Dezembro de 2021, num hospital terciário. Foram incluídos os doentes que realizaram colonoscopia total de alta qualidade nesse centro. A deficiência de vitamina D foi considerada para níveis <30ng/mL, sendo severa se <10ng/mL. As variáveis demográficas, clínicas, serológicas, endoscópicas e histológicas foram igualmente avaliadas. Resultados: Revisão de 21475 doseamentos séricos de vitamina D. Um total de 250 doentes (45.6% do sexo masculino) foram incluídos, com uma mediana etária de 61 anos (IQR 49-71) e mediana de 19.5 para os doseamentos séricos de vitamina D (IQR 13-27) ng/ml. A deficiência de vitamina D foi verificada em 204 (81.6%) doentes, sendo ligeira em 35.3%, moderada em 45.1% e severa em 19.6%. A análise univariada revelou uma correlação entre lesões colorretais pré-malignas e malignas e a idade (p<0.002), sexo (p<0.045), comorbilidades como os Síndromes polipósicos hereditários (p<0.018) e a Doença Inflamatória Intestinal (p<0.018), assim como o Índice de Comorbilidade de Charlson (p<0.002) e a antiagregação com ácido acetilsalicílico (p<0.025). Nesta análise foi também revelada uma associação entre estes mesmos fatores e a presença de lesões que requerem vigilância (p<0.003; p<0.004; p<0.036; p<0.036; p<0.049; p<0.001, respetivamente). A análise multivariada revelou uma associação entre o excesso ponderal/obesidade e a ocorrência de lesões colorretais pré-malignas e malignas (OR=3.21; p<0.328). Não existe correlação entre a deficiência de vitamina D e o aparecimento de pólipos, lesões colorretais pré-malignas e malignas ou lesões que necessitam de vigilância. Conclusões: A deficiência de vitamina D tem vindo a ser associada à prevalência e prognóstico de muitas condições gastroenterológicas. No nosso coorte, a deficiência de vitamina D não parece ter um papel crucial na carcinogénese colorretal, sendo o único fator relevante o excesso ponderal/obesidade. |
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| Autores principais: | Joaquim, José Pedro Ferreira |
| Assunto: | vitamina D lesões colorretais pólipos colonoscopia histológico vitamin D colorectal lesions polyps colonoscopy histologic |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: A deficiência de vitamina D tem-se tornado um problema crescente, especialmente nas populações com um estilo de vida mais ocidental. De acordo com as evidências mais recentes, é possível que a vitamina D tenha um papel no desenvolvimento do carcinoma colorretal, apesar dos resultados não terem sido consensuais.Por este motivo, procedemos à avaliar a correlação entre o défice de vitamina D e o desenvolvimento de lesões colorretais malignas ou pré-malignas em doentes submetidos ao doseamento de vitamina D numa entidade hospitalar. Métodos: Estudo retrospetivo de coorte de centro único baseado na inclusão consecutiva de doentes com doseamento sérico de vitamina D, desde 2 de Janeiro de 2020 até 31 de Dezembro de 2021, num hospital terciário. Foram incluídos os doentes que realizaram colonoscopia total de alta qualidade nesse centro. A deficiência de vitamina D foi considerada para níveis <30ng/mL, sendo severa se <10ng/mL. As variáveis demográficas, clínicas, serológicas, endoscópicas e histológicas foram igualmente avaliadas. Resultados: Revisão de 21475 doseamentos séricos de vitamina D. Um total de 250 doentes (45.6% do sexo masculino) foram incluídos, com uma mediana etária de 61 anos (IQR 49-71) e mediana de 19.5 para os doseamentos séricos de vitamina D (IQR 13-27) ng/ml. A deficiência de vitamina D foi verificada em 204 (81.6%) doentes, sendo ligeira em 35.3%, moderada em 45.1% e severa em 19.6%. A análise univariada revelou uma correlação entre lesões colorretais pré-malignas e malignas e a idade (p<0.002), sexo (p<0.045), comorbilidades como os Síndromes polipósicos hereditários (p<0.018) e a Doença Inflamatória Intestinal (p<0.018), assim como o Índice de Comorbilidade de Charlson (p<0.002) e a antiagregação com ácido acetilsalicílico (p<0.025). Nesta análise foi também revelada uma associação entre estes mesmos fatores e a presença de lesões que requerem vigilância (p<0.003; p<0.004; p<0.036; p<0.036; p<0.049; p<0.001, respetivamente). A análise multivariada revelou uma associação entre o excesso ponderal/obesidade e a ocorrência de lesões colorretais pré-malignas e malignas (OR=3.21; p<0.328). Não existe correlação entre a deficiência de vitamina D e o aparecimento de pólipos, lesões colorretais pré-malignas e malignas ou lesões que necessitam de vigilância. Conclusões: A deficiência de vitamina D tem vindo a ser associada à prevalência e prognóstico de muitas condições gastroenterológicas. No nosso coorte, a deficiência de vitamina D não parece ter um papel crucial na carcinogénese colorretal, sendo o único fator relevante o excesso ponderal/obesidade. |
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