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Tufos calcários no Algarve Central. Geomorfologia, sedimentologia e paleoambientes

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Resumo:Os tufos calcários são um importante repositório de informação paleoambiental, registando as condições no momento da deposição, com grande relevância para a interpretação ecológica da paisagem onde se inserem. Estes depósitos são assim uma ferramenta útil para a análise dos terrenos cársicos do Algarve Central, que por sua vez carecem de um estudo aprofundado sobre a sua distribuição e evolução. Este trabalho teve como principais objetivos a compreensão da evolução geomorfológica e paleoambiental desta área, para a qual foi necessário proceder a uma caraterização do modelado atual (com maior ênfase sobre o modelado cársico) e a sedimentologia e geomorfologia dos tufos calcários. Procurou-se assim compreender a geomorfologia e funcionamento hidrogeológico da área, para desta forma definir os principais focos de investigação para a interpretação paleoambiental. Com o fim de compreender a distribuição dos processos morfogenéticos, optou-se pela síntese com recurso a cartografia geomorfológica (quando se justificasse de pormenor e temática) dos principais aspetos da morfologia cársica, fluvial e estrutural e da morfometria do terreno, testemunhos da evolução da paisagem. A informação representada foi recolhida com trabalho de campo e em gabinete/laboratório. O levantamento geomorfológico e sedimentológico dos afloramentos de tufos calcários foi complementado com a execução de lâminas delgadas, de análises RAMAN e de difração r-x, a elaboração de estratigrafia de pormenor e a quantificação da sedimentação em ambiente natural. Nesta área do Algarve Central, os tufos calcários apresentam-se preferencialmente distribuídos nas áreas de descarga das subbacias hidrogeológicas da área de São Lourenço-Goldra, Loulé-Amendoeira-Almargens e São Romão-Alface. Para além da importância das caraterísticas hidroquímicas dos aquíferos, foi possível observar que a turbulência elevada e as condições climáticas quentes e secas são favoráveis à formação de tufos calcários. A estação primaveril, mais favorável, contrasta com a acumulação de tufos lenta sob condições frias e húmidas e com a interrupção/dissolução no período de estiagem e início da estação húmida. Os depósitos de tufos calcários refletem o tipo de ambiente de formação, pela sua geomorfologia e associações de fácies. Optou-se pela divisão das fácies de tufo calcário em dois grandes grupos: as fácies de acumulação e as fácies granulares. No primeiro grupo, as texturas resultam da precipitação direta dos carbonatos sobre vários tipos de superfície (v. g. briófitas, caules e folhas), cujo cimento apresenta geralmente texturas bandadas que representam as variações nas condições de formação dos tufos. A velocidade de precipitação do carbonato de cálcio é relevante na granulometria e hábito da calcite precipitada, pelo que se considera pertinente considerar o conjunto de tufos calcários micríticos. São caraterísticos de ambientes de precipitação lenta e podem adquirir a morfologia das restantes fácies de acumulação. Os depósitos caratrerísitcos do grupo de fácies granulares caraterizam-se pela remobilização dos materiais do seu ponto de nucleação/precipitação original, acumulando-se em áreas onde as caraterísticas hidrodinâmicas o permitam. Podem resultar da quebra de ramos incrustados, do desmantelamento do tufo, da nucleção em materiais em suspensão ou da acumulação na carga de fundo. Frequentemente são consolidados por cimentos diagenéticos na sua nova posição. Consideraram-se assim associações de fácies caraterísticas dos vários tipos de ambiente do Algarve Central, na origem de vários morfótipos comuns em tufos calcários. Estes são assim caraterizados por ambientes de barreira fitoconstruída, de planície aluvial, palustres e lacustres, que podem formar morfologias compostas como os tufos fluviais de barreira (com e sem barragem) e os tufos calcários de curso de água suspenso. Na análise do conjunto de morfologias tipicamente associadas aos tufos calcários, é possível relacionar a sua distribuição num diagrama triangular em função do equilíbrio de três domínios: exsurgência, curso de água e declive. A utilização deste modelo contínuo permite assim a integração dos vários afloramentos no mesmo diagrama, em função da sua avaliação empírica são enquadrados, tornando a sua comparação e compreensão fluída. O carso do Algarve Central é descontínuo e pouco desenvolvido, onde as formações cuja evolução cársica é mais importante correspondem a materiais calcários oxfordianos-kimeridgianos, kimeridgianos e kimeridgianos-titonianos. É nestas que se localizam as mais importantes formas cársicas: campos de lapiás (incluindo relevo ruiniforme), dolinas, grutas, o polje de Fojo e e a superfície cársica de Campina de Galegos-Almargens. Esta informação permitiu assim estabelecer a relação entre algumas morfologias importantes no Algarve Central e a sua génese. O vale da rib.ª das Mercês terá assim representado uma importante área de recarga da subbacia hidrogeológica de Loulé-Amendoeira, através de perdas no leito da rib.ª ou da drenagem criptorreica de um polje de bordadura cársica, posteriormente capturado pela rib.ª de Algibre. Uma das áreas de descarga deste aquífero seria, à semelhança da atualidade, na área de Loulé, onde se acumulou de uma grande espessura de materiais carbonatados eluviais (na atual S200-220Loulé), assim como nas superfícies mais elevadas dos terraços do rio Seco. Ambas as superfícies são caraterizadas por tufos calcários de planície aluvial, juntamente com outros depósitos aluviais e períodos favoráveis à pedogénese. A incisão fluvial e posterior degradação destas superfícies deu origem à formação de outros níveis aplanados onde se desenvolveram formas cársicas. Atualmente podem-se encontrar vários afloramentos tufos calcários fluviais de barreira e de planície aluvial e de curso de água suspenso.
Autores principais:Guerreiro, Paulo Messias Oliveira
Assunto:Tufos Calcários Carso Geomorfologia Paleoambientes Sedimentologia Algarve Portugal
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Os tufos calcários são um importante repositório de informação paleoambiental, registando as condições no momento da deposição, com grande relevância para a interpretação ecológica da paisagem onde se inserem. Estes depósitos são assim uma ferramenta útil para a análise dos terrenos cársicos do Algarve Central, que por sua vez carecem de um estudo aprofundado sobre a sua distribuição e evolução. Este trabalho teve como principais objetivos a compreensão da evolução geomorfológica e paleoambiental desta área, para a qual foi necessário proceder a uma caraterização do modelado atual (com maior ênfase sobre o modelado cársico) e a sedimentologia e geomorfologia dos tufos calcários. Procurou-se assim compreender a geomorfologia e funcionamento hidrogeológico da área, para desta forma definir os principais focos de investigação para a interpretação paleoambiental. Com o fim de compreender a distribuição dos processos morfogenéticos, optou-se pela síntese com recurso a cartografia geomorfológica (quando se justificasse de pormenor e temática) dos principais aspetos da morfologia cársica, fluvial e estrutural e da morfometria do terreno, testemunhos da evolução da paisagem. A informação representada foi recolhida com trabalho de campo e em gabinete/laboratório. O levantamento geomorfológico e sedimentológico dos afloramentos de tufos calcários foi complementado com a execução de lâminas delgadas, de análises RAMAN e de difração r-x, a elaboração de estratigrafia de pormenor e a quantificação da sedimentação em ambiente natural. Nesta área do Algarve Central, os tufos calcários apresentam-se preferencialmente distribuídos nas áreas de descarga das subbacias hidrogeológicas da área de São Lourenço-Goldra, Loulé-Amendoeira-Almargens e São Romão-Alface. Para além da importância das caraterísticas hidroquímicas dos aquíferos, foi possível observar que a turbulência elevada e as condições climáticas quentes e secas são favoráveis à formação de tufos calcários. A estação primaveril, mais favorável, contrasta com a acumulação de tufos lenta sob condições frias e húmidas e com a interrupção/dissolução no período de estiagem e início da estação húmida. Os depósitos de tufos calcários refletem o tipo de ambiente de formação, pela sua geomorfologia e associações de fácies. Optou-se pela divisão das fácies de tufo calcário em dois grandes grupos: as fácies de acumulação e as fácies granulares. No primeiro grupo, as texturas resultam da precipitação direta dos carbonatos sobre vários tipos de superfície (v. g. briófitas, caules e folhas), cujo cimento apresenta geralmente texturas bandadas que representam as variações nas condições de formação dos tufos. A velocidade de precipitação do carbonato de cálcio é relevante na granulometria e hábito da calcite precipitada, pelo que se considera pertinente considerar o conjunto de tufos calcários micríticos. São caraterísticos de ambientes de precipitação lenta e podem adquirir a morfologia das restantes fácies de acumulação. Os depósitos caratrerísitcos do grupo de fácies granulares caraterizam-se pela remobilização dos materiais do seu ponto de nucleação/precipitação original, acumulando-se em áreas onde as caraterísticas hidrodinâmicas o permitam. Podem resultar da quebra de ramos incrustados, do desmantelamento do tufo, da nucleção em materiais em suspensão ou da acumulação na carga de fundo. Frequentemente são consolidados por cimentos diagenéticos na sua nova posição. Consideraram-se assim associações de fácies caraterísticas dos vários tipos de ambiente do Algarve Central, na origem de vários morfótipos comuns em tufos calcários. Estes são assim caraterizados por ambientes de barreira fitoconstruída, de planície aluvial, palustres e lacustres, que podem formar morfologias compostas como os tufos fluviais de barreira (com e sem barragem) e os tufos calcários de curso de água suspenso. Na análise do conjunto de morfologias tipicamente associadas aos tufos calcários, é possível relacionar a sua distribuição num diagrama triangular em função do equilíbrio de três domínios: exsurgência, curso de água e declive. A utilização deste modelo contínuo permite assim a integração dos vários afloramentos no mesmo diagrama, em função da sua avaliação empírica são enquadrados, tornando a sua comparação e compreensão fluída. O carso do Algarve Central é descontínuo e pouco desenvolvido, onde as formações cuja evolução cársica é mais importante correspondem a materiais calcários oxfordianos-kimeridgianos, kimeridgianos e kimeridgianos-titonianos. É nestas que se localizam as mais importantes formas cársicas: campos de lapiás (incluindo relevo ruiniforme), dolinas, grutas, o polje de Fojo e e a superfície cársica de Campina de Galegos-Almargens. Esta informação permitiu assim estabelecer a relação entre algumas morfologias importantes no Algarve Central e a sua génese. O vale da rib.ª das Mercês terá assim representado uma importante área de recarga da subbacia hidrogeológica de Loulé-Amendoeira, através de perdas no leito da rib.ª ou da drenagem criptorreica de um polje de bordadura cársica, posteriormente capturado pela rib.ª de Algibre. Uma das áreas de descarga deste aquífero seria, à semelhança da atualidade, na área de Loulé, onde se acumulou de uma grande espessura de materiais carbonatados eluviais (na atual S200-220Loulé), assim como nas superfícies mais elevadas dos terraços do rio Seco. Ambas as superfícies são caraterizadas por tufos calcários de planície aluvial, juntamente com outros depósitos aluviais e períodos favoráveis à pedogénese. A incisão fluvial e posterior degradação destas superfícies deu origem à formação de outros níveis aplanados onde se desenvolveram formas cársicas. Atualmente podem-se encontrar vários afloramentos tufos calcários fluviais de barreira e de planície aluvial e de curso de água suspenso.

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