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O novo cinema português. Políticas públicas e modos de produção (1949-1980)

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Resumo:É objectivo da presente tese trabalhar organizadamente com uma série de dados relacionados com a prática e o estudo do cinema para tentar compreender, na sua complexidade, aquilo que entendo como o Novo cinema português, um momento de renovação na história do cinema português que entendi balizar entre 1949 e 1980: um período delimitado entre o abandono de António Ferro da direcção do Secretariado Nacional de Informação, Turismo e Cultura Popular (1949) e a remodelação da Cinemateca Portuguesa no contexto da reorganização institucional do pós-25 de Abril (1980), então dotada de autonomia administrativa e financeira e equiparada a Direcção-Geral, no seio da Secretaria de Estado da Cultura. Em concreto, pretende-se: caracterizar este período do cinema português atendendo à contraposição entre “velho cinema“ e “novo cinema“; estudar a evolução do cinema português tendo em atenção o processo de internacionalização da cultura portuguesa, avaliando o seu impacto na prática artística e cultural e o seu processo de circulação e apropriação; compreender a relação entre o poder político e a prática cultural e artística; e avaliar a importância da expressão artística como manifestação social. Ao longo do presente texto, investigarei as linhas gerais das políticas públicas para o cinema em Portugal e os modos de produção do cinema português entre 1949-1980, procurando identificar, caracterizar e analisar as tentativas de renovação promovidas no cinema português ao longo desse período, nomeadamente: o fim do projecto cultural e artístico de António Ferro e os vazio institucional dos anos que se seguiram; a afirmação dos movimentos neo-realista e cineclubista; as transformações estruturais promovidas por César Moreira Baptista; o surgimento do cinema moderno; a radicalização das propostas e a opção por um modelo cooperativo; as fracturas e as cisões de Abril; e a afirmação definitiva de uma estratégia de internacionalização da produção e da circulação do cinema português. Como uma hipótese de trabalho para compreender esse período na sua complexidade, optei por desenvolver o conceito de “modo de produção“, um conceito que pretende contribuir para uma revisão e uma viragem historiográfica que passa pela valorização de factores extra-fílmicos que influenciam de forma determinante a produção e circulação de cinema, contrariando uma visão estereotipada dominante que desconhece, desconfia ou ignora as importantes fontes históricas que não têm sido utilizadas na compreensão do objecto em estudo nesta tese, e alargar a análise para além dos habituais materiais fílmico e textual (crítico e teórico). Considero fundamental sublinhar, entre outros aspectos, a importância da distribuição, exibição e recepção dos filmes para compreender a evolução do sistema produtivo no cinema português no período aqui em estudo, assim como a transformação da ideia de cinema, crítica e cinefilia que tanto contribuiria para a renovação do cinema português. Desvalorizar ou ignorar estas questões no estudo do cinema português é particularmente grave porque elas estão significativamente relacionadas com a prática fílmica, e estiveram sempre presentes no processo de afirmação e reconhecimento do Novo cinema português. É, em linhas muito gerais, este o tipo de abordagem que proponho para estudar o cinema no período balizado entre 1949 e 1980. Acredito que seja necessária uma abordagem mais ampla do objecto para o compreender em toda a sua complexidade. À tradicional análise estilista mais habitual nos escritos sobre o cinema português, pretendo acrescentar a análise de outros aspectos: nível da organização empresarial, condições de penetração no mercado exibidor e distribuidor nacional e internacional, produção e regulamentação de legislação, investimento estatal e a evolução tecnológica.
Autores principais:Cunha, Paulo Manuel Ferreira da
Assunto:Novo cinema português Políticas públicas Modos de produção Cinema de arte New Portuguese cinema Public policies Production mode Art cinema
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:É objectivo da presente tese trabalhar organizadamente com uma série de dados relacionados com a prática e o estudo do cinema para tentar compreender, na sua complexidade, aquilo que entendo como o Novo cinema português, um momento de renovação na história do cinema português que entendi balizar entre 1949 e 1980: um período delimitado entre o abandono de António Ferro da direcção do Secretariado Nacional de Informação, Turismo e Cultura Popular (1949) e a remodelação da Cinemateca Portuguesa no contexto da reorganização institucional do pós-25 de Abril (1980), então dotada de autonomia administrativa e financeira e equiparada a Direcção-Geral, no seio da Secretaria de Estado da Cultura. Em concreto, pretende-se: caracterizar este período do cinema português atendendo à contraposição entre “velho cinema“ e “novo cinema“; estudar a evolução do cinema português tendo em atenção o processo de internacionalização da cultura portuguesa, avaliando o seu impacto na prática artística e cultural e o seu processo de circulação e apropriação; compreender a relação entre o poder político e a prática cultural e artística; e avaliar a importância da expressão artística como manifestação social. Ao longo do presente texto, investigarei as linhas gerais das políticas públicas para o cinema em Portugal e os modos de produção do cinema português entre 1949-1980, procurando identificar, caracterizar e analisar as tentativas de renovação promovidas no cinema português ao longo desse período, nomeadamente: o fim do projecto cultural e artístico de António Ferro e os vazio institucional dos anos que se seguiram; a afirmação dos movimentos neo-realista e cineclubista; as transformações estruturais promovidas por César Moreira Baptista; o surgimento do cinema moderno; a radicalização das propostas e a opção por um modelo cooperativo; as fracturas e as cisões de Abril; e a afirmação definitiva de uma estratégia de internacionalização da produção e da circulação do cinema português. Como uma hipótese de trabalho para compreender esse período na sua complexidade, optei por desenvolver o conceito de “modo de produção“, um conceito que pretende contribuir para uma revisão e uma viragem historiográfica que passa pela valorização de factores extra-fílmicos que influenciam de forma determinante a produção e circulação de cinema, contrariando uma visão estereotipada dominante que desconhece, desconfia ou ignora as importantes fontes históricas que não têm sido utilizadas na compreensão do objecto em estudo nesta tese, e alargar a análise para além dos habituais materiais fílmico e textual (crítico e teórico). Considero fundamental sublinhar, entre outros aspectos, a importância da distribuição, exibição e recepção dos filmes para compreender a evolução do sistema produtivo no cinema português no período aqui em estudo, assim como a transformação da ideia de cinema, crítica e cinefilia que tanto contribuiria para a renovação do cinema português. Desvalorizar ou ignorar estas questões no estudo do cinema português é particularmente grave porque elas estão significativamente relacionadas com a prática fílmica, e estiveram sempre presentes no processo de afirmação e reconhecimento do Novo cinema português. É, em linhas muito gerais, este o tipo de abordagem que proponho para estudar o cinema no período balizado entre 1949 e 1980. Acredito que seja necessária uma abordagem mais ampla do objecto para o compreender em toda a sua complexidade. À tradicional análise estilista mais habitual nos escritos sobre o cinema português, pretendo acrescentar a análise de outros aspectos: nível da organização empresarial, condições de penetração no mercado exibidor e distribuidor nacional e internacional, produção e regulamentação de legislação, investimento estatal e a evolução tecnológica.

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