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Conhecimentos sobre cuidados preventivos em alunos dos 3º e 6º anos de medicina da Universidade de Coimbra
| Summary: | Introdução:A Medicina Preventiva tem como objetivo a melhoria e manutenção do estado de saúde de indivíduos assintomáticos. Porém, estudos recentes revelam existir uma falta de conhecimentos significativa nesta área, em particular na prevenção quaternária, o que leva ao aumento do sobrediagnóstico e do sobretratamento. O objetivo deste estudo é analisar o conhecimento dos estudantes de Medicina, da Faculdade de Medicina, da Universidade de Coimbra sobre as recomendações de caráter preventivo baseadas na evidência e avaliar a evolução na sua aquisição ao longo do curso. Métodos: Um estudo observacional e transversal foi feito com uma amostra de conveniência constituída por alunos dos 3.º e 6.º anos do Mestrado Integrado em Medicina, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Foi-lhes distribuído um inquérito, adaptado de outro já anteriormente utilizado com profissionais de medicina geral e familiar, com o intuito de averiguar a concordância das ideias dos alunos nesta área com as recomendações da United States Preventive Services Task Force (USPSTF) e da American Diabetes Association (ADA).Foi realizada estatística descritiva e inferencial com testes do qui-quadrado e estudada a diferença entre as respostas corretas a cada pergunta entre o 3.º e 6.º anos. Resultados:A amostra era de 252 alunos, destes 137 eram do 3.º ano e 115 do 6.º ano.Às 32 perguntas sobre a utilidade da realização dos processos preventivos, a maioria dos alunos respondeu corretamente a 20. Houve 13 áreas em que se obtiveram significativamente melhores valores no 6.º do que no 3.º ano. Verificou-se o contrário em apenas 2: no aconselhamento de exercício físico a doentes sedentários mulheres (p=0.039) e na realização de toque retal (p=0.001).Às perguntas sobre a periodicidade das intervenções, a maioria dos alunos do 6.º ano respondeu acertadamente apenas a uma, considerando um intervalo de tempo mais frequente do que o recomendado em 6 áreas e menos frequente em 2. A menor concordância com as recomendações verificou-se para a medição dos níveis séricos de colesterol no homem, onde apenas 0.9% dos alunos responderam corretamente. Os alunos do 3.º ano responderam corretamente em 2, e consideraram um intervalo de tempo mais frequente do que o recomendado em 7. Nas perguntas sobre a medição dos níveis séricos de colesterol no homem e a medição da glicose em jejum na mulher nenhum dos alunos acertou na periodicidade correta. Houve uma diferença estatisticamente significativa com melhores resultados no 6.º ano em quatro situações e piores em uma situação.Discussão:Os conhecimentos dos alunos têm muitas discrepâncias em relação às recomendações da USPSTF e da ADA, ainda mais quando é tida em conta a periodicidade em que as intervenções deveriam ser realizadas. Na maioria das vezes, os alunos consideraram o tempo de intervalo entre intervenções mais curto do que o recomendado, tornando necessário o debate sobre a prevenção quaternária. Parece haver, no entanto, uma melhoria nos conhecimentos sobre intervenções de caráter preventivo após os anos clínicos do curso.Conclusão:Os estudantes de Medicina, da Universidade de Coimbra, têm baixo nível de conhecimentos gerais sobre recomendações de caráter preventivo. Contudo, parece haver melhoria destes durante o curso. É essencial a formação dos estudantes em cuidados preventivos e especialmente na prevenção quaternária. |
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| Main Authors: | Rodrigues, Filipa Alexandra Nunes |
| Subject: | Conhecimento Estudantes Medicina Preventiva Knowledge Preventive Medicine Students |
| Year: | 2017 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | embargoed access |
| Associated institution: | Universidade de Coimbra |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Summary: | Introdução:A Medicina Preventiva tem como objetivo a melhoria e manutenção do estado de saúde de indivíduos assintomáticos. Porém, estudos recentes revelam existir uma falta de conhecimentos significativa nesta área, em particular na prevenção quaternária, o que leva ao aumento do sobrediagnóstico e do sobretratamento. O objetivo deste estudo é analisar o conhecimento dos estudantes de Medicina, da Faculdade de Medicina, da Universidade de Coimbra sobre as recomendações de caráter preventivo baseadas na evidência e avaliar a evolução na sua aquisição ao longo do curso. Métodos: Um estudo observacional e transversal foi feito com uma amostra de conveniência constituída por alunos dos 3.º e 6.º anos do Mestrado Integrado em Medicina, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Foi-lhes distribuído um inquérito, adaptado de outro já anteriormente utilizado com profissionais de medicina geral e familiar, com o intuito de averiguar a concordância das ideias dos alunos nesta área com as recomendações da United States Preventive Services Task Force (USPSTF) e da American Diabetes Association (ADA).Foi realizada estatística descritiva e inferencial com testes do qui-quadrado e estudada a diferença entre as respostas corretas a cada pergunta entre o 3.º e 6.º anos. Resultados:A amostra era de 252 alunos, destes 137 eram do 3.º ano e 115 do 6.º ano.Às 32 perguntas sobre a utilidade da realização dos processos preventivos, a maioria dos alunos respondeu corretamente a 20. Houve 13 áreas em que se obtiveram significativamente melhores valores no 6.º do que no 3.º ano. Verificou-se o contrário em apenas 2: no aconselhamento de exercício físico a doentes sedentários mulheres (p=0.039) e na realização de toque retal (p=0.001).Às perguntas sobre a periodicidade das intervenções, a maioria dos alunos do 6.º ano respondeu acertadamente apenas a uma, considerando um intervalo de tempo mais frequente do que o recomendado em 6 áreas e menos frequente em 2. A menor concordância com as recomendações verificou-se para a medição dos níveis séricos de colesterol no homem, onde apenas 0.9% dos alunos responderam corretamente. Os alunos do 3.º ano responderam corretamente em 2, e consideraram um intervalo de tempo mais frequente do que o recomendado em 7. Nas perguntas sobre a medição dos níveis séricos de colesterol no homem e a medição da glicose em jejum na mulher nenhum dos alunos acertou na periodicidade correta. Houve uma diferença estatisticamente significativa com melhores resultados no 6.º ano em quatro situações e piores em uma situação.Discussão:Os conhecimentos dos alunos têm muitas discrepâncias em relação às recomendações da USPSTF e da ADA, ainda mais quando é tida em conta a periodicidade em que as intervenções deveriam ser realizadas. Na maioria das vezes, os alunos consideraram o tempo de intervalo entre intervenções mais curto do que o recomendado, tornando necessário o debate sobre a prevenção quaternária. Parece haver, no entanto, uma melhoria nos conhecimentos sobre intervenções de caráter preventivo após os anos clínicos do curso.Conclusão:Os estudantes de Medicina, da Universidade de Coimbra, têm baixo nível de conhecimentos gerais sobre recomendações de caráter preventivo. Contudo, parece haver melhoria destes durante o curso. É essencial a formação dos estudantes em cuidados preventivos e especialmente na prevenção quaternária. |
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