Publicação

Isabel Sofia Fernandes Moio

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As políticas emanadas no sentido da consolidação de uma sociedade do conhecimento colocam prementes preocupações na agenda da União Europeia e dos Estados-Membros, sendo necessária força de trabalho com capacidades e competências adequadas, assentes numa formação inicial bem estruturada e num processo contínuo de aprendizagem, disponível a todos, incluindo aqueles a quem os mais diversos constrangimentos não permitiram o progresso no ensino formal pela via tradicional. Na atual agenda política internacional, o paradigma da Aprendizagem ao Longo (e em todos os espaços) da Vida e a economia do conhecimento têm especial relevo, sublinhando o papel das instituições de ensino superior como motores de mudança socioeconómica. O alargamento do acesso ao ensino superior a “novos públicos” constitui uma das recentes tendências de mudança educativa, verificando-se o aparecimento de estudantes com trajetórias académicas e experienciais distintas das dos regulares: encontram-se fora dos limites etários convencionais (num patamar superior), tendem a viver de forma autónoma em relação à sua família de origem e/ou têm responsabilidades parentais, não seguiram (regra geral) os ciclos sequenciais de ensino formal e interromperam o percurso académico durante períodos mais ou menos longos, durante os quais usufruíram de experiências profissionais ou de vida antes de regressarem (ou de ingressarem) no ensino superior. Com este trabalho pretendeu-se estudar a perceção dos estudantes que ingressaram entre 2011/2012 e 2014/2015 na Universidade de Coimbra (UC), através do concurso específico para Maiores de 23 anos (M23 anos), e que, à data de realização do presente trabalho, se encontravam a frequentar, pelo menos, o 2.º ano do curso, quanto à implementação, em ciclos de estudos superiores, de um sistema de reconhecimento e validação de saberes experienciais. Da mesma forma, pretendeu-se auscultar um grupo de docentes da UC relativamente ao mesmo tema. Para cumprir estes desígnios optou-se por realizar um estudo exploratório, percorrendo um caminho que levou a considerar que o desenho de investigação mais adequado deveria assentar numa metodologia mista, combinando técnicas de recolha e análise de dados quantitativas com técnicas qualitativas. A presente investigação subdivide-se, portanto, em dois momentos: o primeiro assume uma tónica quantitativa; o segundo é, essencialmente, qualitativo. Neste sentido, na primeira etapa foi aplicado um questionário a todos os estudantes M23 anos que reuniam os requisitos anteriormente mencionados. No segundo momento da investigação foram realizadas duas entrevistas focalizadas de grupo – uma com 4 estudantes M23 anos do sexo feminino e uma com 7 docentes da UC – sendo apresentadas, em cada uma, as principais conclusões obtidas nas etapas anteriores com o intuito de as submeter a discussão. No que concerne às principais conclusões do presente estudo, parece-nos importante realçar que os dados obtidos apontam no sentido de tanto os estudantes M23 anos como os docentes da UC não se posicionarem a favor da implementação, no ensino superior universitário, de um sistema de reconhecimento e validação de saberes experienciais. Os estudantes manifestaram gosto pela aprendizagem e pela realização de provas de avaliação e os docentes consideraram que ao implementar um mecanismo dessa natureza a Universidade estaria a “fugir” da sua principal missão: a formação de cidadãos críticos e com capacidade reflexiva. Como tal, tanto para os estudantes M23 anos como para os docentes da UC, a implementação, no ensino superior universitário, de um sistema de reconhecimento e validação de saberes experienciais desprestigiaria os ciclos de estudos superiores. Além disso, concordaram com o facto de o concurso específico para estudantes M23 anos ser socialmente perspetivado como uma via facilitista de acesso ao ensino superior e com aquela possibilidade em vigor ainda se estaria a contribuir mais para acentuar essa ideia. Contudo, é também de sublinhar que os estudantes M23 anos consideraram que a sua experiência formativa deveria ser valorizada para efeitos de progressão académica, aspeto que não foi apoiado pelos docentes. As constatações às quais o presente estudo conduziu levam a defender que existe ainda um árduo trabalho de desmistificação dos pressupostos inerentes ao processo de reconhecimento e validação de saberes experienciais, que deve ser percorrido no sentido de clarificar imagens sociais que tendencialmente lhe são associadas, mas que não correspondem à sua essência. Além disso, é de referir que, apesar de o presente trabalho se ter limitado à UC, encontram-se em aberto outros estudos na mesma área de investigação.
Autores principais:Moio, Isabel Sofia Fernandes
Assunto:Reconhecimento e validação de competências, recognition and validation of competences Estudantes Maiores de 23 anos, students above 23 years of age Ensino superior, higher education Educação e Formação de Adultos, adult Education and Training Políticas educativas, Educational policies
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:As políticas emanadas no sentido da consolidação de uma sociedade do conhecimento colocam prementes preocupações na agenda da União Europeia e dos Estados-Membros, sendo necessária força de trabalho com capacidades e competências adequadas, assentes numa formação inicial bem estruturada e num processo contínuo de aprendizagem, disponível a todos, incluindo aqueles a quem os mais diversos constrangimentos não permitiram o progresso no ensino formal pela via tradicional. Na atual agenda política internacional, o paradigma da Aprendizagem ao Longo (e em todos os espaços) da Vida e a economia do conhecimento têm especial relevo, sublinhando o papel das instituições de ensino superior como motores de mudança socioeconómica. O alargamento do acesso ao ensino superior a “novos públicos” constitui uma das recentes tendências de mudança educativa, verificando-se o aparecimento de estudantes com trajetórias académicas e experienciais distintas das dos regulares: encontram-se fora dos limites etários convencionais (num patamar superior), tendem a viver de forma autónoma em relação à sua família de origem e/ou têm responsabilidades parentais, não seguiram (regra geral) os ciclos sequenciais de ensino formal e interromperam o percurso académico durante períodos mais ou menos longos, durante os quais usufruíram de experiências profissionais ou de vida antes de regressarem (ou de ingressarem) no ensino superior. Com este trabalho pretendeu-se estudar a perceção dos estudantes que ingressaram entre 2011/2012 e 2014/2015 na Universidade de Coimbra (UC), através do concurso específico para Maiores de 23 anos (M23 anos), e que, à data de realização do presente trabalho, se encontravam a frequentar, pelo menos, o 2.º ano do curso, quanto à implementação, em ciclos de estudos superiores, de um sistema de reconhecimento e validação de saberes experienciais. Da mesma forma, pretendeu-se auscultar um grupo de docentes da UC relativamente ao mesmo tema. Para cumprir estes desígnios optou-se por realizar um estudo exploratório, percorrendo um caminho que levou a considerar que o desenho de investigação mais adequado deveria assentar numa metodologia mista, combinando técnicas de recolha e análise de dados quantitativas com técnicas qualitativas. A presente investigação subdivide-se, portanto, em dois momentos: o primeiro assume uma tónica quantitativa; o segundo é, essencialmente, qualitativo. Neste sentido, na primeira etapa foi aplicado um questionário a todos os estudantes M23 anos que reuniam os requisitos anteriormente mencionados. No segundo momento da investigação foram realizadas duas entrevistas focalizadas de grupo – uma com 4 estudantes M23 anos do sexo feminino e uma com 7 docentes da UC – sendo apresentadas, em cada uma, as principais conclusões obtidas nas etapas anteriores com o intuito de as submeter a discussão. No que concerne às principais conclusões do presente estudo, parece-nos importante realçar que os dados obtidos apontam no sentido de tanto os estudantes M23 anos como os docentes da UC não se posicionarem a favor da implementação, no ensino superior universitário, de um sistema de reconhecimento e validação de saberes experienciais. Os estudantes manifestaram gosto pela aprendizagem e pela realização de provas de avaliação e os docentes consideraram que ao implementar um mecanismo dessa natureza a Universidade estaria a “fugir” da sua principal missão: a formação de cidadãos críticos e com capacidade reflexiva. Como tal, tanto para os estudantes M23 anos como para os docentes da UC, a implementação, no ensino superior universitário, de um sistema de reconhecimento e validação de saberes experienciais desprestigiaria os ciclos de estudos superiores. Além disso, concordaram com o facto de o concurso específico para estudantes M23 anos ser socialmente perspetivado como uma via facilitista de acesso ao ensino superior e com aquela possibilidade em vigor ainda se estaria a contribuir mais para acentuar essa ideia. Contudo, é também de sublinhar que os estudantes M23 anos consideraram que a sua experiência formativa deveria ser valorizada para efeitos de progressão académica, aspeto que não foi apoiado pelos docentes. As constatações às quais o presente estudo conduziu levam a defender que existe ainda um árduo trabalho de desmistificação dos pressupostos inerentes ao processo de reconhecimento e validação de saberes experienciais, que deve ser percorrido no sentido de clarificar imagens sociais que tendencialmente lhe são associadas, mas que não correspondem à sua essência. Além disso, é de referir que, apesar de o presente trabalho se ter limitado à UC, encontram-se em aberto outros estudos na mesma área de investigação.

Atividades financiadas

Não foram encontrados projetos financiados.