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Análise da geomorfologia glaciar do vale do Horcones Inferior (Aconcágua, Argentina)
| Summary: | A presente dissertação corresponde a um estudo de geomorfologia glaciar e desenvolve-se no vale do Horcones Inferior, nos Andes argentinos. Este vale apresenta grande interesse geomorfológico, quer na morfologia em si, quer nos processos erosivos que interagem no fundo do vale e nas suas vertentes. A dinâmica surge do glaciar principal do vale e o elevado número de crioformas concedem características singulares a esta área, onde processos glaciares, fluvioglaciares, paraglaciares e periglaciares produzem formas e depósitos abundantes e variados. O objectivo primordial da investigação foi a realização de estudo geomorfológico com base na interpretação das formas de erosão, transporte e acumulação glaciar, tentando perceber a sua dinâmica nos últimos 20 mil anos, assim como a resposta dos glaciares às mudanças climáticas registadas na região. A metodologia assentou num trabalho de campo, situação que requereu um planeamento e preparação cuidada, assim como a elaboração de cartografia das formas e depósitos glaciares, cartografia geomorfológica geral e pormenorizada, recolha de amostras de sedimentos para posteriores análises sedimentológicas, análise e datação relativa de sedimentos e determinação de balanço de massa e dos movimentos dos glaciares através de imagens de satélite. Os 25 glaciares e crioformas inventariados apresentam um zonamento de altitude, registando-se uma diminuição dos glaciares cobertos e rochosos à medida que a altitude aumenta, dando lugar a glaciares brancos. O glaciar Horcones Inferior, herdado do último período frio do Quaternário, sobrevive num ambiente periglaciar com uma área de acumulação com cerca de 2,5 km de comprimento e 9,5 km da área de ablação bastante crevassada e revelando abundantes depressões termocársicas. Possui uma língua secundária que corresponde a uma forma cataglaciar. Os vales da Tolosa e do Horcones Inferior são típicos vales glaciares dos Andes, com glaciares brancos, rochosos, cobertos e outras crioformas, nomeadamente um glaciar rochoso fóssil na Tolosa. A dinâmica surge do glaciar Horcones Inferior tem deixado evidências geomorfológicas no terreno e parece estar relacionada com a actividade sísmica da área e, possivelmente, com a resposta do glaciar a flutuações climáticas recentes. O ambiente periglaciar não permitiu a preservação de muita da morfologia glaciar mas existem algumas formas e alguma diversidade a salientar. Os vales do Horcones e do Horcones Inferior apresentam cinco conjuntos morénicos, associados a três glaciações: 1. Glaciação de Santa Maria – MIS 6, marcada nas moreias de Punta de Vacas; 2. Glaciação de Llanquihue - MIS 2, marcada nas moreias de Penitentes, moreias laterais de Horcones e till vermelho da moreia de Confluência; 3. Glaciação de Llanquihue tardio - Final do MIS 2, marcada na moreia hummock de Horcones e no till cinza da moreia de Confluência. As dinâmicas geomorfológicas holocénicas criaram inicialmente um ambiente paraglaciar que evoluiu para um ambiente periglaciar. As moreias actuais a montante de Confluência marcam um avanço mais recente do glaciar e uma erosão glaciar actual, contemporânea de um ambiente para e periglaciar, responsável por desabamentos, deslizamentos e fluxos de rochas e detritos que criaram gigantescos cones e taludes de detritos, lóbulos de solifluxão, glaciares rochosos e depressões termocársicas. Através da análise do comprimento e do posicionamento da frente do glaciar Horcones Inferior, concluiu-se que um aumento da temperatura poderá criar novas dinâmicas glaciares, passando glaciares que não apresentavam dinâmicas surge a reunir condições para que estas se iniciem. A análise do balanço de massa do glaciar permite reforçar a ideia de que esta dinâmica poderá ser uma resposta às mudanças climáticas. A determinação da área de acumulação do glaciar Horcones Inferior permitiu concluir que o glaciar Horcones Inferior está longe do equilíbrio e que continuará a perder massa nos próximos anos, ainda que estas variações dependam do ajuste dinâmico do glaciar às mudanças climáticas entretanto verificadas. |
|---|---|
| Main Authors: | Mota, Carla Alexandra Fernandes |
| Subject: | Geomorfologia glaciar Dinâmica glaciar Glaciações nos Andes Horcones Inferior Aconcágua Glacial geomorphology Glacial dynamics |
| Year: | 2015 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | doctoral thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Coimbra |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Summary: | A presente dissertação corresponde a um estudo de geomorfologia glaciar e desenvolve-se no vale do Horcones Inferior, nos Andes argentinos. Este vale apresenta grande interesse geomorfológico, quer na morfologia em si, quer nos processos erosivos que interagem no fundo do vale e nas suas vertentes. A dinâmica surge do glaciar principal do vale e o elevado número de crioformas concedem características singulares a esta área, onde processos glaciares, fluvioglaciares, paraglaciares e periglaciares produzem formas e depósitos abundantes e variados. O objectivo primordial da investigação foi a realização de estudo geomorfológico com base na interpretação das formas de erosão, transporte e acumulação glaciar, tentando perceber a sua dinâmica nos últimos 20 mil anos, assim como a resposta dos glaciares às mudanças climáticas registadas na região. A metodologia assentou num trabalho de campo, situação que requereu um planeamento e preparação cuidada, assim como a elaboração de cartografia das formas e depósitos glaciares, cartografia geomorfológica geral e pormenorizada, recolha de amostras de sedimentos para posteriores análises sedimentológicas, análise e datação relativa de sedimentos e determinação de balanço de massa e dos movimentos dos glaciares através de imagens de satélite. Os 25 glaciares e crioformas inventariados apresentam um zonamento de altitude, registando-se uma diminuição dos glaciares cobertos e rochosos à medida que a altitude aumenta, dando lugar a glaciares brancos. O glaciar Horcones Inferior, herdado do último período frio do Quaternário, sobrevive num ambiente periglaciar com uma área de acumulação com cerca de 2,5 km de comprimento e 9,5 km da área de ablação bastante crevassada e revelando abundantes depressões termocársicas. Possui uma língua secundária que corresponde a uma forma cataglaciar. Os vales da Tolosa e do Horcones Inferior são típicos vales glaciares dos Andes, com glaciares brancos, rochosos, cobertos e outras crioformas, nomeadamente um glaciar rochoso fóssil na Tolosa. A dinâmica surge do glaciar Horcones Inferior tem deixado evidências geomorfológicas no terreno e parece estar relacionada com a actividade sísmica da área e, possivelmente, com a resposta do glaciar a flutuações climáticas recentes. O ambiente periglaciar não permitiu a preservação de muita da morfologia glaciar mas existem algumas formas e alguma diversidade a salientar. Os vales do Horcones e do Horcones Inferior apresentam cinco conjuntos morénicos, associados a três glaciações: 1. Glaciação de Santa Maria – MIS 6, marcada nas moreias de Punta de Vacas; 2. Glaciação de Llanquihue - MIS 2, marcada nas moreias de Penitentes, moreias laterais de Horcones e till vermelho da moreia de Confluência; 3. Glaciação de Llanquihue tardio - Final do MIS 2, marcada na moreia hummock de Horcones e no till cinza da moreia de Confluência. As dinâmicas geomorfológicas holocénicas criaram inicialmente um ambiente paraglaciar que evoluiu para um ambiente periglaciar. As moreias actuais a montante de Confluência marcam um avanço mais recente do glaciar e uma erosão glaciar actual, contemporânea de um ambiente para e periglaciar, responsável por desabamentos, deslizamentos e fluxos de rochas e detritos que criaram gigantescos cones e taludes de detritos, lóbulos de solifluxão, glaciares rochosos e depressões termocársicas. Através da análise do comprimento e do posicionamento da frente do glaciar Horcones Inferior, concluiu-se que um aumento da temperatura poderá criar novas dinâmicas glaciares, passando glaciares que não apresentavam dinâmicas surge a reunir condições para que estas se iniciem. A análise do balanço de massa do glaciar permite reforçar a ideia de que esta dinâmica poderá ser uma resposta às mudanças climáticas. A determinação da área de acumulação do glaciar Horcones Inferior permitiu concluir que o glaciar Horcones Inferior está longe do equilíbrio e que continuará a perder massa nos próximos anos, ainda que estas variações dependam do ajuste dinâmico do glaciar às mudanças climáticas entretanto verificadas. |
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