Publicação
Biológicos no tratamento da psoríase - presente e futuro
| Resumo: | A psoríase é uma doença inflamatória crónica, recorrente que afeta cerca de 2-3% da população mundial. Tipicamente, caracteriza-se pela presença de placas eritemato-descamativas, bem delimitadas, podendo ser pruriginosas. A sua patogénese não é totalmente conhecida, embora se reconheça que se trata de uma doença imunologicamente mediada e geneticamente determinada em que a pele é afetada pela libertação excessiva de citoquinas e quimiocinas por linfócitos e outras células imunitárias.Factores ambientais como traumas, infeções, álcool, tabaco e stress podem promover a deflagração da patologia, mas a maneira como a sua forma aguda é despoletada encontra-se ainda desconhecida. Os doentes psoriáticos apresentam uma importante variabilidade clínica definida de acordo com a idade em que surgiu a doença. A psoríase tipo I, ou de início precoce, com um pico de incidência entre os 16 e os 22 anos de idade, engloba cerca de 70%1 de todos os doentes com psoríase e está associada a uma maior gravidade das manifestações clínicas e envolvimento ungueal. Em contrapartida, a psoríase tipo II, ou de início tardio, aparece geralmente acima dos 40 anos de idade, correspondendo a um quadro clínico mais leve. A forma clínica mais frequente da doença, representado cerca de 90% dos casos, é a psoríase em placas, ou vulgar, que, por sua vez, pode ser classificada em três categorias: leve, moderada ou severa. Nesta vertente clínica, a doença afeta com maior prevalência as zonas de extensão das articulações e o couro cabeludo. Aproximadamente 80% dos doentes expressam uma forma leve a moderada da doença, enquanto cerca de 20% apresentam forma mais graves.Variantes menos comuns da doença incluem a psoríase inversa, gutata, eritrodérmica e pustulosa. Para o efeito, este trabalho centrar-se-á no tratamento da psoríase vulgar. Várias comorbilidades tem vindo a ser associadas à psoríase, entre outras, uma maior prevalência de doenças cardiovasculares, obesidade, síndrome metabólico, hipertensão e doença psiquiátrica. Além disso, a psoríase possui um impacto negativo na qualidade de vida e exerce grande carga socio-económica. O seu impacto é tal, que doentes os afetados revelam um maior risco de exibir ansiedade, depressão e tendência suicida.2 A psoríase é atualmente uma doença incurável, sendo o objetivo terapêutico induzir e manter as remissões e fornecer a melhor qualidade de vida possível ao doente. Existem várias modalidades terapêuticas para a psoríase, entre tópicas e sistémicas. A escolha do tratamento dependerá da gravidade e extensão da doença, da acessibilidade dos tratamentos, do impacto económico que estes acarretam, da qualidade de vida do doente e da sua preferência terapêutica. Os agentes tópicos são utilizados geralmente, como primeira linha, seguidos da fototerapia e, por fim, os agentes sistémicos convencionais e os biológicos. O tratamento das formas mais comuns da psoríase em placas (leve e moderada) passa, geralmente, pela aplicação de agentes tópicos e fototerapia. Nos casos em que a resposta ao tratamento não foi satisfatória e nas formas mais graves da doença, o tratamento passará, de imediato, pelo uso de terapia sistémica e fototerapia. O uso a longo prazo dos tratamentos convencionais sistémicos, está associado a um risco de perda de eficácia, efeitos secundários, toxicidade de orgão-alvo, além de possuírem uma posologia pouco conveniente para alguns pacientes, razões pelas quais há uma grande abandono da terapêutica por parte dos doentes. O maior conhecimento da fisiopatologia da doença permitiu, nos últimos anos, a criação de novas terapias, mais específicas e selectivas, como os agentes biológicos. Além da eficácia observada, o bom perfil de segurança com mínima incidência de lesão de orgão-alvo, levaram a que estas terapias captassem a atenção da comunidade médica para o seu potencial no tratamento da doença. Apesar de os agentes biológicos serem eficazes na maioria dos casos, existe uma percentagem de doentes que evidenciam perda ou ausência de resposta. Estes fármacos representam ainda uma opção de grande impacto financeiro e há relativamente pouco conhecimento sobre o seu perfil de segurança a longo prazo. Assim, há necessidade de desenvolver terapêuticas ainda mais eficazes, com um esquema posológico mais conveniente, de monitorização simples e mais baratas de modo a tornar estas terapias ainda mais aprazíveis tanto pela sua eficácia como pelo seu custo. |
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| Autores principais: | Teixeira, Francisco João Moutinho |
| Assunto: | Terapêutica biológica Psoríase IL 17 IL 12/23 TNF - alfa Biologic therapy Psoriasis IL 17 !L 12/23 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A psoríase é uma doença inflamatória crónica, recorrente que afeta cerca de 2-3% da população mundial. Tipicamente, caracteriza-se pela presença de placas eritemato-descamativas, bem delimitadas, podendo ser pruriginosas. A sua patogénese não é totalmente conhecida, embora se reconheça que se trata de uma doença imunologicamente mediada e geneticamente determinada em que a pele é afetada pela libertação excessiva de citoquinas e quimiocinas por linfócitos e outras células imunitárias.Factores ambientais como traumas, infeções, álcool, tabaco e stress podem promover a deflagração da patologia, mas a maneira como a sua forma aguda é despoletada encontra-se ainda desconhecida. Os doentes psoriáticos apresentam uma importante variabilidade clínica definida de acordo com a idade em que surgiu a doença. A psoríase tipo I, ou de início precoce, com um pico de incidência entre os 16 e os 22 anos de idade, engloba cerca de 70%1 de todos os doentes com psoríase e está associada a uma maior gravidade das manifestações clínicas e envolvimento ungueal. Em contrapartida, a psoríase tipo II, ou de início tardio, aparece geralmente acima dos 40 anos de idade, correspondendo a um quadro clínico mais leve. A forma clínica mais frequente da doença, representado cerca de 90% dos casos, é a psoríase em placas, ou vulgar, que, por sua vez, pode ser classificada em três categorias: leve, moderada ou severa. Nesta vertente clínica, a doença afeta com maior prevalência as zonas de extensão das articulações e o couro cabeludo. Aproximadamente 80% dos doentes expressam uma forma leve a moderada da doença, enquanto cerca de 20% apresentam forma mais graves.Variantes menos comuns da doença incluem a psoríase inversa, gutata, eritrodérmica e pustulosa. Para o efeito, este trabalho centrar-se-á no tratamento da psoríase vulgar. Várias comorbilidades tem vindo a ser associadas à psoríase, entre outras, uma maior prevalência de doenças cardiovasculares, obesidade, síndrome metabólico, hipertensão e doença psiquiátrica. Além disso, a psoríase possui um impacto negativo na qualidade de vida e exerce grande carga socio-económica. O seu impacto é tal, que doentes os afetados revelam um maior risco de exibir ansiedade, depressão e tendência suicida.2 A psoríase é atualmente uma doença incurável, sendo o objetivo terapêutico induzir e manter as remissões e fornecer a melhor qualidade de vida possível ao doente. Existem várias modalidades terapêuticas para a psoríase, entre tópicas e sistémicas. A escolha do tratamento dependerá da gravidade e extensão da doença, da acessibilidade dos tratamentos, do impacto económico que estes acarretam, da qualidade de vida do doente e da sua preferência terapêutica. Os agentes tópicos são utilizados geralmente, como primeira linha, seguidos da fototerapia e, por fim, os agentes sistémicos convencionais e os biológicos. O tratamento das formas mais comuns da psoríase em placas (leve e moderada) passa, geralmente, pela aplicação de agentes tópicos e fototerapia. Nos casos em que a resposta ao tratamento não foi satisfatória e nas formas mais graves da doença, o tratamento passará, de imediato, pelo uso de terapia sistémica e fototerapia. O uso a longo prazo dos tratamentos convencionais sistémicos, está associado a um risco de perda de eficácia, efeitos secundários, toxicidade de orgão-alvo, além de possuírem uma posologia pouco conveniente para alguns pacientes, razões pelas quais há uma grande abandono da terapêutica por parte dos doentes. O maior conhecimento da fisiopatologia da doença permitiu, nos últimos anos, a criação de novas terapias, mais específicas e selectivas, como os agentes biológicos. Além da eficácia observada, o bom perfil de segurança com mínima incidência de lesão de orgão-alvo, levaram a que estas terapias captassem a atenção da comunidade médica para o seu potencial no tratamento da doença. Apesar de os agentes biológicos serem eficazes na maioria dos casos, existe uma percentagem de doentes que evidenciam perda ou ausência de resposta. Estes fármacos representam ainda uma opção de grande impacto financeiro e há relativamente pouco conhecimento sobre o seu perfil de segurança a longo prazo. Assim, há necessidade de desenvolver terapêuticas ainda mais eficazes, com um esquema posológico mais conveniente, de monitorização simples e mais baratas de modo a tornar estas terapias ainda mais aprazíveis tanto pela sua eficácia como pelo seu custo. |
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