Publicação
Crime, Castigo e Género nas Sociedades Mediatizadas : Políticas de (In)justiça no Discurso dos Media
| Resumo: | A importância do crime e do castigo nas sociedades mediatizadas pressupõe a consideração do campo dos media como campo legítimo para a descoberta e problematização das ideias e dos argumentos pelos quais são simbolicamente construídos e veiculados no espaço público comunicacional. Contudo, pressupõe também, em paralelo com esse esforço analítico, o investimento na compreensão dos modos como são construídos a montante e a jusante do desempenho mediático. Isto significa reflectir sobre os imaginários que emergem da rede interdependente de instituições, de que fazem parte os media, e sobre os tipos de sistemas de conhecimento e de constelações de valores e de normas triunfantes em determinados contextos jurídico-políticos e socioculturais nos quais a produção mediática tem lugar. Saber em que medida esses imaginários, reconfigurados pelos media, cristalizam ou desafiam certos entendimentos da ordem social e da posição que diferentes grupos identitários ocupam nela; perceber de que forma as construções da vitimização, do crime, dos seus agentes e do seu controlo legitimam ou contestam hierarquias sociais, normalizando ou contrariando os desequilíbrios de poder baseados no género e noutras categorias sociológicas que dele são indissociáveis constituem questões nucleares que orientam esta investigação. Assim se explica a opção por uma abordagem interdisciplinar no quadro das Ciências da Comunicação e dos Media, envolvendo a Criminologia, a Sociologia, as Ciências Jurídicas, a História, entre outros domínios especializados do saber, sem negligenciar o diálogo com a teoria social contemporânea, em sentido lato, abarcando a Teoria Política, a Teoria Feminista e a Análise Cultural. Em todo o caso, são os media que oferecem a base empírica desta dissertação, em particular, a imprensa portuguesa diária de informação geral, da qual se extraiu um copioso corpus de análise. Desta dissertação constam dois estudos empíricos distintos elaborados a partir desse corpus: reflecte-se sobre os termos em que os crimes indissociáveis do género, como o são as ofensas sexuais e a violência contra as mulheres ocorrida no espaço privado, são objecto de discursivização; simultaneamente, examina-se as ideias e os argumentos sobre a prisão que, através da imprensa, afloram o espaço público mediatizado, confrontando-os com a crítica de alguns actores chave nesse processo, bem como com as percepções de tipos diferentes de públicos. |
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| Autores principais: | Simões, Rita Joana Basílio de |
| Assunto: | Crime Castigo Género Média Sociologia da comunicação Comunicação social |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A importância do crime e do castigo nas sociedades mediatizadas pressupõe a consideração do campo dos media como campo legítimo para a descoberta e problematização das ideias e dos argumentos pelos quais são simbolicamente construídos e veiculados no espaço público comunicacional. Contudo, pressupõe também, em paralelo com esse esforço analítico, o investimento na compreensão dos modos como são construídos a montante e a jusante do desempenho mediático. Isto significa reflectir sobre os imaginários que emergem da rede interdependente de instituições, de que fazem parte os media, e sobre os tipos de sistemas de conhecimento e de constelações de valores e de normas triunfantes em determinados contextos jurídico-políticos e socioculturais nos quais a produção mediática tem lugar. Saber em que medida esses imaginários, reconfigurados pelos media, cristalizam ou desafiam certos entendimentos da ordem social e da posição que diferentes grupos identitários ocupam nela; perceber de que forma as construções da vitimização, do crime, dos seus agentes e do seu controlo legitimam ou contestam hierarquias sociais, normalizando ou contrariando os desequilíbrios de poder baseados no género e noutras categorias sociológicas que dele são indissociáveis constituem questões nucleares que orientam esta investigação. Assim se explica a opção por uma abordagem interdisciplinar no quadro das Ciências da Comunicação e dos Media, envolvendo a Criminologia, a Sociologia, as Ciências Jurídicas, a História, entre outros domínios especializados do saber, sem negligenciar o diálogo com a teoria social contemporânea, em sentido lato, abarcando a Teoria Política, a Teoria Feminista e a Análise Cultural. Em todo o caso, são os media que oferecem a base empírica desta dissertação, em particular, a imprensa portuguesa diária de informação geral, da qual se extraiu um copioso corpus de análise. Desta dissertação constam dois estudos empíricos distintos elaborados a partir desse corpus: reflecte-se sobre os termos em que os crimes indissociáveis do género, como o são as ofensas sexuais e a violência contra as mulheres ocorrida no espaço privado, são objecto de discursivização; simultaneamente, examina-se as ideias e os argumentos sobre a prisão que, através da imprensa, afloram o espaço público mediatizado, confrontando-os com a crítica de alguns actores chave nesse processo, bem como com as percepções de tipos diferentes de públicos. |
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