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Tratamento do edema macular diabético

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Resumo:Introdução: O edema macular (EM) é a causa mais frequente de diminuição da acuidade visual (AV) no doente diabético, sendo que a fisiopatologia é complexa e multifactorial. O aspecto central é a acumulação de fluido intra ou sub-retiniano na área macular, provocada pela disrupção da barreira hemato-retiniana (BHR). Este mecanismo promove a diminuição da AV, ao alterar o funcionamento das células da retina e ao promover uma resposta inflamatória. Vários factores de risco foram estabelecidos como o mau controlo da doença de base, a duração da diabetes, a idade de diagnóstico, a necessidade ou não de insulinoterapia, hipertensão arterial e o valor da hemoglobina glicosilada. Nos últimos anos, assistimos a um aumento da incidência de diabetes mellitus (DM) e, consequentemente, a um aumento da incidência de retinopatia diabética (RD). Vários estudos consideram a DM uma epidemia do século XXI, com possíveis consequências desastrosas na qualidade de vida dos doentes. Existem, actualmente, vários meios complementares de diagnóstico que são úteis tanto no diagnóstico do edema macular diabético (EMD), como no seguimento do doente após terapêutica. De salientar a angiografia fluoresceínica (AF) que tem tido um papel preponderante no diagnóstico, mantendo-se o exame “gold standard”. Outros exames como a tomografia de coerência óptica (OCT) e o retinal leakage analyser (RLA), têm ganho cada vez mais notoriedade. Com a OCT é possível obter dados quantitativos e reprodutíveis, da espessura da retina. Quanto ao RLA, é um método quantitativo e reprodutível, não comercializado, que permite avaliar a permeabilidade da BHR. Assistiu-se nos últimos anos a importantes inovações no tratamento do EMD. Objectivo: Este trabalho tem como objectivo avaliar e comparar as diferentes opções terapêuticas, actualmente disponíveis, para o EMD. Métodos: Revisão bibliográfica de artigos, resultados de estudos multicêntricos e randomizados e pesquisa de literatura disponível “online”, abrangendo os últimos 30 anos, dando particular relevância às publicações dos últimos 10 anos. Resultados e conclusões: O tratamento “gold standard” é a fotocoagulação por laser, que produz efeitos a longo prazo e de forma duradoura. No entanto, há doentes que não respondem a esse tratamento. Nestes casos, estão a ser investigadas várias alternativas e foram propostas outras opções como tratamento farmacológico. A farmacoterapia tem a vantagem de incidir sobre os mecanismos causais do EMD, inibindo-os. Existem duas grandes classes de fármacos em estudo: os corticosteróides (triancinolona, fluocinolona e dexametasona) e os inibidores do factor de crescimento do endotélio vascular (pegaptanib, ranibizumab e bevacizumab). Ao contrário da fotocoagulação por laser, a farmacoterapia tem efeito a curto prazo. No entanto, não há estudos a longo prazo que confirmem a segurança e eficácia desses fármacos. A combinação de terapêutica farmacológica com fotocoagulação por laser tem tido resultados promissores e poderá, num futuro próximo, estabelecer-se como o tratamento “gold standard”. Porém, os estudos actualmente disponíveis são escassos o que não permite afirmar, sem margens para dúvidas, que esta seja a melhor opção. Tem havido, de facto, um esforço no sentido de proporcionar aos doentes tratamentos mais eficazes, assim como a ambição de melhorar os tratamentos já existentes.
Autores principais:Morais, Filipe José Ferreira Monteiro Félix
Assunto:Oftalmologia Edema macular Retinopatia diabética
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Introdução: O edema macular (EM) é a causa mais frequente de diminuição da acuidade visual (AV) no doente diabético, sendo que a fisiopatologia é complexa e multifactorial. O aspecto central é a acumulação de fluido intra ou sub-retiniano na área macular, provocada pela disrupção da barreira hemato-retiniana (BHR). Este mecanismo promove a diminuição da AV, ao alterar o funcionamento das células da retina e ao promover uma resposta inflamatória. Vários factores de risco foram estabelecidos como o mau controlo da doença de base, a duração da diabetes, a idade de diagnóstico, a necessidade ou não de insulinoterapia, hipertensão arterial e o valor da hemoglobina glicosilada. Nos últimos anos, assistimos a um aumento da incidência de diabetes mellitus (DM) e, consequentemente, a um aumento da incidência de retinopatia diabética (RD). Vários estudos consideram a DM uma epidemia do século XXI, com possíveis consequências desastrosas na qualidade de vida dos doentes. Existem, actualmente, vários meios complementares de diagnóstico que são úteis tanto no diagnóstico do edema macular diabético (EMD), como no seguimento do doente após terapêutica. De salientar a angiografia fluoresceínica (AF) que tem tido um papel preponderante no diagnóstico, mantendo-se o exame “gold standard”. Outros exames como a tomografia de coerência óptica (OCT) e o retinal leakage analyser (RLA), têm ganho cada vez mais notoriedade. Com a OCT é possível obter dados quantitativos e reprodutíveis, da espessura da retina. Quanto ao RLA, é um método quantitativo e reprodutível, não comercializado, que permite avaliar a permeabilidade da BHR. Assistiu-se nos últimos anos a importantes inovações no tratamento do EMD. Objectivo: Este trabalho tem como objectivo avaliar e comparar as diferentes opções terapêuticas, actualmente disponíveis, para o EMD. Métodos: Revisão bibliográfica de artigos, resultados de estudos multicêntricos e randomizados e pesquisa de literatura disponível “online”, abrangendo os últimos 30 anos, dando particular relevância às publicações dos últimos 10 anos. Resultados e conclusões: O tratamento “gold standard” é a fotocoagulação por laser, que produz efeitos a longo prazo e de forma duradoura. No entanto, há doentes que não respondem a esse tratamento. Nestes casos, estão a ser investigadas várias alternativas e foram propostas outras opções como tratamento farmacológico. A farmacoterapia tem a vantagem de incidir sobre os mecanismos causais do EMD, inibindo-os. Existem duas grandes classes de fármacos em estudo: os corticosteróides (triancinolona, fluocinolona e dexametasona) e os inibidores do factor de crescimento do endotélio vascular (pegaptanib, ranibizumab e bevacizumab). Ao contrário da fotocoagulação por laser, a farmacoterapia tem efeito a curto prazo. No entanto, não há estudos a longo prazo que confirmem a segurança e eficácia desses fármacos. A combinação de terapêutica farmacológica com fotocoagulação por laser tem tido resultados promissores e poderá, num futuro próximo, estabelecer-se como o tratamento “gold standard”. Porém, os estudos actualmente disponíveis são escassos o que não permite afirmar, sem margens para dúvidas, que esta seja a melhor opção. Tem havido, de facto, um esforço no sentido de proporcionar aos doentes tratamentos mais eficazes, assim como a ambição de melhorar os tratamentos já existentes.

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