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Fisiopatologia da Polipose Nasal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A polipose nasal é uma doença inflamatória crónica, caracterizada pelo desenvolvimento de múltiplos pólipos benignos na mucosa nasossinusal, sendo que estes localizam-se, preferencialmente, no meato médio ou ao longo de toda a cavidade nasal. Estes apresentam uma alta prevalência e são responsáveis pelo acréscimo de gravidade clínica em patologia nasal pré-existente e pela sua marcada incapacidade funcional. Os mecanismos fisiopatológicos não estão completamente esclarecidos, mas existem múltiplas vias inflamatórias que explicam o desenvolvimento da polipose nasal, a sua persistência e recidiva.Objetivo: Pretende-se elaborar uma revisão da literatura médica, atualizada, relativamente à fisiopatologia da polipose nasal. Assim, pretende-se elencar os diferentes mecanismos fisiopatológicos, células e mediadores envolvidos; disbiose nasossinusal; distintos fenótipos e endótipos presentes face à coexistência de processos patológicos com expressão clínica nas vias aéreas; enquadramento e procedimentos diagnósticos, incluindo biomarcadores; o enquadramento terapêutico e as novas perspetivas com tratamentos biológicos dirigidos a células e mediadores fulcrais nesta patologia.Métodos: Foi efetuada uma pesquisa bibliográfica, com recurso à base de dados PubMed (NCBI), tendo sido selecionados, de acordo com os aspetos consignados anteriormente, os artigos existentes entre os anos de 2010 e 2020.Resultados: A polipose nasal pode apresentar-se excecionalmente de forma isolada ou, mais frequentemente, associar-se a patologias como a rinossinusite crónica, alergia, asma, hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico, fibrose quística, bem como a outras doenças sistémicas. Os pólipos podem dividir-se em pólipos eosinofílicos e não- eosinofílicos, apresentando padrões de resposta inflamatória distintos. Relativamente aos mecanismos patogénicos da polipose nasal eosinofílica, a maioria dos estudos sustentam um mecanismo de inflamação do tipo 2 com preponderância de interleucinas 4, 5 e 13, provenientes das células linfóides inatas, linfócitos T helper-2 e mastócitos. Admite-se que a disbiose e a interrelação infeciosa recorrente possa permitir uma inflamação complexa dependente de intervenção de células e mediadores que sobrepõem distintos mecanismos de sinalização. Neste sentido, vários estudos sugerem alterações da imunidade inata, alterações da imunidade adaptativa, colonização de microrganismos e remodelação de tecidos considerados fundamentais para o desenvolvimento da polipose nasal. Um subgrupo de doentes pode ainda coexistir com doença respiratória exacerbada pela aspirina. A sua patogénese centra-se na desregulação do metabolismo do ácido araquidónico, que conduz a uma amplificação da inflamação do tipo 2 nas mucosas, determinando um aumento da produção de leucotrienos cisteínicos e uma diminuição da prostaglandina E2. Este subgrupo caracteriza-se por polipose nasal com uma maior gravidade e com taxas de recorrência. O diagnóstico pela história clínica, rinoscopia anterior e endoscopia nasal, pode não ser suficiente para uma perspetiva mais precisa da clínica e do comportamento da doença. Neste sentido, estudos anatomopatológicos de biópsias, lavados e escovados nasais ou culturas microbiológicas são procedimentos adicionais que permitem ganhos de eficiência no estudo do mecanismo presente em cada doente.Conclusão: Com o avanço científico dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos será possível desenvolver novas estratégicas terapêuticas dirigidas e uma administração mais racional da terapêutica.
Autores principais:Gonçalves, Ana Matos Torgo
Assunto:Polipose nasal Rinossinusite crónica Fisiopatologia nasal Citocinas Eosinófilo Nasal polyposis Chronic rhinosinusitis Nasal pathophysiology Cytokines Eosinophil
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Introdução: A polipose nasal é uma doença inflamatória crónica, caracterizada pelo desenvolvimento de múltiplos pólipos benignos na mucosa nasossinusal, sendo que estes localizam-se, preferencialmente, no meato médio ou ao longo de toda a cavidade nasal. Estes apresentam uma alta prevalência e são responsáveis pelo acréscimo de gravidade clínica em patologia nasal pré-existente e pela sua marcada incapacidade funcional. Os mecanismos fisiopatológicos não estão completamente esclarecidos, mas existem múltiplas vias inflamatórias que explicam o desenvolvimento da polipose nasal, a sua persistência e recidiva.Objetivo: Pretende-se elaborar uma revisão da literatura médica, atualizada, relativamente à fisiopatologia da polipose nasal. Assim, pretende-se elencar os diferentes mecanismos fisiopatológicos, células e mediadores envolvidos; disbiose nasossinusal; distintos fenótipos e endótipos presentes face à coexistência de processos patológicos com expressão clínica nas vias aéreas; enquadramento e procedimentos diagnósticos, incluindo biomarcadores; o enquadramento terapêutico e as novas perspetivas com tratamentos biológicos dirigidos a células e mediadores fulcrais nesta patologia.Métodos: Foi efetuada uma pesquisa bibliográfica, com recurso à base de dados PubMed (NCBI), tendo sido selecionados, de acordo com os aspetos consignados anteriormente, os artigos existentes entre os anos de 2010 e 2020.Resultados: A polipose nasal pode apresentar-se excecionalmente de forma isolada ou, mais frequentemente, associar-se a patologias como a rinossinusite crónica, alergia, asma, hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico, fibrose quística, bem como a outras doenças sistémicas. Os pólipos podem dividir-se em pólipos eosinofílicos e não- eosinofílicos, apresentando padrões de resposta inflamatória distintos. Relativamente aos mecanismos patogénicos da polipose nasal eosinofílica, a maioria dos estudos sustentam um mecanismo de inflamação do tipo 2 com preponderância de interleucinas 4, 5 e 13, provenientes das células linfóides inatas, linfócitos T helper-2 e mastócitos. Admite-se que a disbiose e a interrelação infeciosa recorrente possa permitir uma inflamação complexa dependente de intervenção de células e mediadores que sobrepõem distintos mecanismos de sinalização. Neste sentido, vários estudos sugerem alterações da imunidade inata, alterações da imunidade adaptativa, colonização de microrganismos e remodelação de tecidos considerados fundamentais para o desenvolvimento da polipose nasal. Um subgrupo de doentes pode ainda coexistir com doença respiratória exacerbada pela aspirina. A sua patogénese centra-se na desregulação do metabolismo do ácido araquidónico, que conduz a uma amplificação da inflamação do tipo 2 nas mucosas, determinando um aumento da produção de leucotrienos cisteínicos e uma diminuição da prostaglandina E2. Este subgrupo caracteriza-se por polipose nasal com uma maior gravidade e com taxas de recorrência. O diagnóstico pela história clínica, rinoscopia anterior e endoscopia nasal, pode não ser suficiente para uma perspetiva mais precisa da clínica e do comportamento da doença. Neste sentido, estudos anatomopatológicos de biópsias, lavados e escovados nasais ou culturas microbiológicas são procedimentos adicionais que permitem ganhos de eficiência no estudo do mecanismo presente em cada doente.Conclusão: Com o avanço científico dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos será possível desenvolver novas estratégicas terapêuticas dirigidas e uma administração mais racional da terapêutica.

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