Publication

Preparação de insertos oculares para libertação controlada de substâncias bioativas

View document

Bibliographic Details
Summary:A síndrome do olho seco é uma doença crónica e autoimune que afeta a glândula lacrimal, causando uma diminuição na produção do filme lacrimal, e que atinge entre 5 a 50% da população mundial.O filme lacrimal é uma camada de fluído fina constituída por 98% de água e 2% de proteínas e lípidos. Num indivíduo que sofre da síndrome de olho seco prevê-se que o volume de filme lacrimal seja inferior ao produzido num indivíduo sem esta limitação e, portanto, estima-se que a taxa de filme lacrimal para olho seco é de 0,27 mL/dia, e para olho normal de 2,8 mL/dia. A síndrome do olho seco não tem cura, contudo já existem formas de atenuar os sintomas. Os tratamentos consistem na utilização lágrimas artificiais ou colírios. Porém, quando a patologia é mais grave o paciente pode recorrer a fármacos de administração oral ou tópica, a cirurgias oculares ou à inserção de um dispositivo ocular. Os principais compostos presentes nos métodos de tratamento do olho seco são: a Hidroxipropilmetilcelulose (HPMC), o Ácido Hialurónico (HA), o Propilenoglicol (PG), o Glicerol, o Polietilenoglicol (PEG) e a Policaprolactona (PCL).Os insertos oculares são considerados potenciais sistemas de tratamento de doenças oculares. Estes são formulações sólidas ou semi-sólidas, de estrutura fina, com mono ou multicamadas e de pequenas dimensões e constituídos por um suporte polimérico, que pode ser do tipo insolúvel, solúvel ou bioerodível.A presente Dissertação encontra-se inserida no âmbito do projeto Ineye®, desenvolvido no Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.O objetivo deste estudo incide na formulação de uma metodologia da composição de um inserto oftálmico que, aquando da sua colocação na pálpebra inferior do olho, dê início ao processo de libertação, de forma controlada, dos lubrificantes contidos no seu interior. Pretende-se que essa libertação seja feita a uma taxa constante, durante pelo menos 15 dias, de forma a atenuar os sintomas característicos da síndrome do olho seco. O inserto deve ser do tipo insolúvel, biocompatível, não tóxico, não alergénico, e não deve provocar a sensação de “areia no olho”.Para o efeito foram testados vários tipos de insertos: insertos compostos por um núcleo constituído por substâncias ativas (lubrificantes oculares) revestidos por um polímero que pode ser só de PCL ou de PCL/PEG em diferentes proporções de PCL e de PEG; e insertos de uma mistura de lubrificantes e PCL, também em diferentes proporções. As misturas de PCL e PEG são realizadas fisicamente ou sintetizadas quimicamente pelo mecanismo da reação de abertura de anel por coordenação-inserção. Os métodos de caracterização aplicados neste trabalho são: a Determinação da Energia de Superfície através da medição de ângulos de contacto; a Ressonância Magnética Nuclear (RMN) e avalia-se a Perda de massa do inserto e a Capacidade de absorção de água, utilizando um meio de dissolução que mimetiza as lágrimas.A partir dos ensaios realizados constatou-se que os polímeros de revestimento com elevada quantidade de PEG não se adequam ao que se pretende, e, de entre os vários pesos moleculares de PEG, o que possui 6000 g/mol é o mais apropriado. A formulação composta por uma mistura física 80%PCL/20%lubrificantes mostrou ser a mais acertada para o que se pretende. Como trabalhos futuros será pertinente incluir a Carboximetilcelulose (CMC) e o Dextrano na lista de substâncias ativas.
Main Authors:Vicente, Diana Alexandra Afonso
Subject:Inserto Ineye Olho seco Filme lacrimal Lubrificantes oculares Insert Ineye Dry eye Tear film Ocular lubricants
Year:2020
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:embargoed access
Associated institution:Universidade de Coimbra
Language:Portuguese
Origin:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Description
Summary:A síndrome do olho seco é uma doença crónica e autoimune que afeta a glândula lacrimal, causando uma diminuição na produção do filme lacrimal, e que atinge entre 5 a 50% da população mundial.O filme lacrimal é uma camada de fluído fina constituída por 98% de água e 2% de proteínas e lípidos. Num indivíduo que sofre da síndrome de olho seco prevê-se que o volume de filme lacrimal seja inferior ao produzido num indivíduo sem esta limitação e, portanto, estima-se que a taxa de filme lacrimal para olho seco é de 0,27 mL/dia, e para olho normal de 2,8 mL/dia. A síndrome do olho seco não tem cura, contudo já existem formas de atenuar os sintomas. Os tratamentos consistem na utilização lágrimas artificiais ou colírios. Porém, quando a patologia é mais grave o paciente pode recorrer a fármacos de administração oral ou tópica, a cirurgias oculares ou à inserção de um dispositivo ocular. Os principais compostos presentes nos métodos de tratamento do olho seco são: a Hidroxipropilmetilcelulose (HPMC), o Ácido Hialurónico (HA), o Propilenoglicol (PG), o Glicerol, o Polietilenoglicol (PEG) e a Policaprolactona (PCL).Os insertos oculares são considerados potenciais sistemas de tratamento de doenças oculares. Estes são formulações sólidas ou semi-sólidas, de estrutura fina, com mono ou multicamadas e de pequenas dimensões e constituídos por um suporte polimérico, que pode ser do tipo insolúvel, solúvel ou bioerodível.A presente Dissertação encontra-se inserida no âmbito do projeto Ineye®, desenvolvido no Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.O objetivo deste estudo incide na formulação de uma metodologia da composição de um inserto oftálmico que, aquando da sua colocação na pálpebra inferior do olho, dê início ao processo de libertação, de forma controlada, dos lubrificantes contidos no seu interior. Pretende-se que essa libertação seja feita a uma taxa constante, durante pelo menos 15 dias, de forma a atenuar os sintomas característicos da síndrome do olho seco. O inserto deve ser do tipo insolúvel, biocompatível, não tóxico, não alergénico, e não deve provocar a sensação de “areia no olho”.Para o efeito foram testados vários tipos de insertos: insertos compostos por um núcleo constituído por substâncias ativas (lubrificantes oculares) revestidos por um polímero que pode ser só de PCL ou de PCL/PEG em diferentes proporções de PCL e de PEG; e insertos de uma mistura de lubrificantes e PCL, também em diferentes proporções. As misturas de PCL e PEG são realizadas fisicamente ou sintetizadas quimicamente pelo mecanismo da reação de abertura de anel por coordenação-inserção. Os métodos de caracterização aplicados neste trabalho são: a Determinação da Energia de Superfície através da medição de ângulos de contacto; a Ressonância Magnética Nuclear (RMN) e avalia-se a Perda de massa do inserto e a Capacidade de absorção de água, utilizando um meio de dissolução que mimetiza as lágrimas.A partir dos ensaios realizados constatou-se que os polímeros de revestimento com elevada quantidade de PEG não se adequam ao que se pretende, e, de entre os vários pesos moleculares de PEG, o que possui 6000 g/mol é o mais apropriado. A formulação composta por uma mistura física 80%PCL/20%lubrificantes mostrou ser a mais acertada para o que se pretende. Como trabalhos futuros será pertinente incluir a Carboximetilcelulose (CMC) e o Dextrano na lista de substâncias ativas.

Funded activities

No funded projects found.