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Migração e saúde mental : vulnerabilidade ao stress, apoio social e saúde mental em imigrantes da Europa de Leste a residir em Portugal
| Summary: | Fundamentação: Nos últimos anos da década de 90 do século XX, a geografia da imigração em Portugal sofreu transformações muito profundas, a nível de recrutamento e padrões de fixação geográfica de imigrantes em Portugal, com o aumento e afluxo exponencial de novos grupos de imigrantes. As populações imigrantes da Europa de Leste são um fluxo migratório recente, com especificidades linguísticas, culturais e sociodemográficas face à população portuguesa, que representam um novo desafio à estrutura dos serviços de saúde em Portugal. A literatura sobre este tema e a análise de alguns indicadores focados no acesso aos cuidados de saúde pelas principais comunidades imigrantes residentes em Portugal mostram que apesar de se terem registado avanços significativos na legislação e existir um esforço de procura de boas práticas a nível do acolhimento, continuam a não existir os estudos necessários para realizar uma avaliação detalhada das condições e práticas de saúde dos imigrantes, bem como a qualidade e a adequação dos cuidados proporcionados pelo Serviço de Saúde Português a estas populações. Objectivos – Este estudo pretende realizar uma caracterização sociodemográfica, identificar os principais problemas de saúde e padrões de vigilância de saúde da população russófona proveniente dos países da Europa de Leste a residir em Portugal. Também pretende avaliar o status de saúde mental desta população e a sua vulnerabilidade ao stress, em relação ao processo migratório, acesso aos serviços de saúde e apoio social. Metodologia – O estudo foi conduzido em centros de apoio ao imigrante de 31 de Janeiro de 2005 a 31 de Março de 2006, e focou-se em 566 imigrantes da Europa de Leste residentes em várias regiões de Portugal, 296 do sexo masculino e 270 do sexo feminino, com uma média de idades de 36,3 anos de idade e idades compreendidas entre os 15 e os 66 anos. Para um segundo estudo utilizou-se um grupo de controlo de 110 indivíduos da população portuguesa, sem experiências migratórias prévias, emparelhados por género, idade e qualificações académicas. Neste estudo foi utilizada o 23 QVS (Vaz Serra, 2000), para avaliar a vulnerabilidade ao stress; o GHQ-28 (Goldberg & Hillier, 1979) e a ER80 (Pio de Abreu, 1981) para avaliar a percepção de apoio social e um questionário sociodemográfico. Resultados - Dos 566 indivíduos da primeira amostra, concluiu-se que esta população é predominantemente do sexo masculino, em idade jovem activa, característica de uma migração de cariz económico, com elevadas qualificações académicas, mas que não realiza tarefas laborais que exijam semelhantes qualificações. 81,8% dos imigrantes inquiridos já tinha tido acesso ao Serviço Nacional de Saúde Português, sendo as principais razões para este uso dos serviços de saúde situações de doença grave ou acidentes de trabalho. Uma percentagem significativa dos inquiridos refere o consumo de bebidas alcoólicas e tabaco, realiza tarefas laborais arriscadas e apresenta comportamentos de vigilância da saúde reduzidos. Em relação ao status de saúde mental, 10,4% dos imigrantes inquiridos apresentaram patologia psiquiátrica avaliada pelo ponto de corte do GHO-28; 40,8% apresentaram patologia psiquiátrica avaliada pelo ponto de corte do ER80 e 54,9% dos inquiridos apresentavam vulnerabilidade ao stress (ponto de corte do 23QVS). A análise estatística revelou a existência de relações estatisticamente relevantes entre o apoio social percepcionado como disponível (tanto na sua dimensão numérica como na dimensão da satisfação com o apoio social) e a saúde mental. Neste estudo verificou-se uma correlação estatisticamente relevante entre o acesso aos serviços de saúde e aos níveis de saúde mental da população inquirida. Vários factores relacionados com a vulnerabilidade da saúde mental ou maior incidência de stress foram identificados, nomeadamente a ruptura com redes de apoio familiares; condições de trabalho desfavoráveis; desconhecimento da língua portuguesa; região de residência e acesso aos cuidados de saúde em Portugal. O estudo com o grupo de controlo revelou que os imigrantes da Europa de Leste apresentam vulnerabilidade ao stress superior, níveis inferiores de apoio social percepcionado como disponível, que na dimensão número de apoiantes quês na dimensão satisfação com o apoio e um status de saúde mental inferior ao da população portuguesa. |
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| Main Authors: | Monteiro, Ana Paula Teixeira de Almeida Vieira |
| Subject: | Cuidados de saúde Emigrantes e imigrantes Política nacional de saúde Saúde mental Imigrante russo -- Portugal Stress |
| Year: | 2009 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | doctoral thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Coimbra |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Summary: | Fundamentação: Nos últimos anos da década de 90 do século XX, a geografia da imigração em Portugal sofreu transformações muito profundas, a nível de recrutamento e padrões de fixação geográfica de imigrantes em Portugal, com o aumento e afluxo exponencial de novos grupos de imigrantes. As populações imigrantes da Europa de Leste são um fluxo migratório recente, com especificidades linguísticas, culturais e sociodemográficas face à população portuguesa, que representam um novo desafio à estrutura dos serviços de saúde em Portugal. A literatura sobre este tema e a análise de alguns indicadores focados no acesso aos cuidados de saúde pelas principais comunidades imigrantes residentes em Portugal mostram que apesar de se terem registado avanços significativos na legislação e existir um esforço de procura de boas práticas a nível do acolhimento, continuam a não existir os estudos necessários para realizar uma avaliação detalhada das condições e práticas de saúde dos imigrantes, bem como a qualidade e a adequação dos cuidados proporcionados pelo Serviço de Saúde Português a estas populações. Objectivos – Este estudo pretende realizar uma caracterização sociodemográfica, identificar os principais problemas de saúde e padrões de vigilância de saúde da população russófona proveniente dos países da Europa de Leste a residir em Portugal. Também pretende avaliar o status de saúde mental desta população e a sua vulnerabilidade ao stress, em relação ao processo migratório, acesso aos serviços de saúde e apoio social. Metodologia – O estudo foi conduzido em centros de apoio ao imigrante de 31 de Janeiro de 2005 a 31 de Março de 2006, e focou-se em 566 imigrantes da Europa de Leste residentes em várias regiões de Portugal, 296 do sexo masculino e 270 do sexo feminino, com uma média de idades de 36,3 anos de idade e idades compreendidas entre os 15 e os 66 anos. Para um segundo estudo utilizou-se um grupo de controlo de 110 indivíduos da população portuguesa, sem experiências migratórias prévias, emparelhados por género, idade e qualificações académicas. Neste estudo foi utilizada o 23 QVS (Vaz Serra, 2000), para avaliar a vulnerabilidade ao stress; o GHQ-28 (Goldberg & Hillier, 1979) e a ER80 (Pio de Abreu, 1981) para avaliar a percepção de apoio social e um questionário sociodemográfico. Resultados - Dos 566 indivíduos da primeira amostra, concluiu-se que esta população é predominantemente do sexo masculino, em idade jovem activa, característica de uma migração de cariz económico, com elevadas qualificações académicas, mas que não realiza tarefas laborais que exijam semelhantes qualificações. 81,8% dos imigrantes inquiridos já tinha tido acesso ao Serviço Nacional de Saúde Português, sendo as principais razões para este uso dos serviços de saúde situações de doença grave ou acidentes de trabalho. Uma percentagem significativa dos inquiridos refere o consumo de bebidas alcoólicas e tabaco, realiza tarefas laborais arriscadas e apresenta comportamentos de vigilância da saúde reduzidos. Em relação ao status de saúde mental, 10,4% dos imigrantes inquiridos apresentaram patologia psiquiátrica avaliada pelo ponto de corte do GHO-28; 40,8% apresentaram patologia psiquiátrica avaliada pelo ponto de corte do ER80 e 54,9% dos inquiridos apresentavam vulnerabilidade ao stress (ponto de corte do 23QVS). A análise estatística revelou a existência de relações estatisticamente relevantes entre o apoio social percepcionado como disponível (tanto na sua dimensão numérica como na dimensão da satisfação com o apoio social) e a saúde mental. Neste estudo verificou-se uma correlação estatisticamente relevante entre o acesso aos serviços de saúde e aos níveis de saúde mental da população inquirida. Vários factores relacionados com a vulnerabilidade da saúde mental ou maior incidência de stress foram identificados, nomeadamente a ruptura com redes de apoio familiares; condições de trabalho desfavoráveis; desconhecimento da língua portuguesa; região de residência e acesso aos cuidados de saúde em Portugal. O estudo com o grupo de controlo revelou que os imigrantes da Europa de Leste apresentam vulnerabilidade ao stress superior, níveis inferiores de apoio social percepcionado como disponível, que na dimensão número de apoiantes quês na dimensão satisfação com o apoio e um status de saúde mental inferior ao da população portuguesa. |
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