Publicação
Contributo para a definição de “saloia” no âmbito do património linguístico: função das “saloias” na festividade do espírito santo no Arquipélago da Madeira
| Resumo: | O culto português ao “Divino Espírito Santo” é, nas ilhas portuguesas atlânticas, uma realidade ancestral que assumiu contornos específicos, consoante as vivências das populações. Nos territórios madeirenses, da Páscoa ao Pentecostes, saem à rua as “visitas do Espírito Santo”. Indo de casa em casa das famílias que abrem a porta, vão as insígnias representativas da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: o Espírito Santo. Em quase todos os locais, há umas meninas trajadas de modo particular e diverso, segundo os locais, que levam, obrigatoriamente, um cesto. O grupo pode incluir músicos que revestem, com frequência, o vestuário do quotidiano, opondo-se aos restantes elementos que trajam de um modo identificador. Deste conjunto, no presente caso, importa destacar as meninas designadas por todos os falantes como “saloias”. Tem-se desenvolvido investigação relativa a esta manifestação patrimonial que, até ao momento, se considera especificamente madeirense. A pesquisa, sobretudo do domínio do Património Linguístico, mas também do Património Cultural Imaterial, tem versado sobre a origem do termo “saloia” e a procura de uma explicação para o vocábulo, inesperadamente, estar relacionado com as visitas pascais do Espírito Santo. Neste trabalho, visando o aprofundamento da definição do conceito regional, pretende-se abordar a função das “saloias”. Colocam-se as seguintes questões: Que função desempenham as “saloias” nas “visitas do Espírito Santo” nas localidades do arquipélago, no século XXI? Serão apenas “cantoras”? Por que razão ter crianças com vozes, por vezes, extremamente agudas e pouco harmoniosas, a cantar, quando, como para os músicos, se poderiam conseguir adultos que cantassem? Terão elas assumido “desde sempre” a tarefa de cantar? Na fase de pesquisa, é possível concluir que a função primeira das “saloias” não seria, propriamente, a de cantoras. É o que se pretende demonstrar. |
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| Autores principais: | Rebelo, Helena |
| Assunto: | Arquipélago da Madeira (Portugal) Festividade do “Divino Espírito Santo” Saloias do Espírito Santo Património linguístico Património cultural imaterial Archipelago of Madeira (Portugal) Festivity of the Divine Holy Spirit Saloias of the Holy Spirit Linguistic patrimony Intangible cultural heritage . Faculdade de Artes e Humanidades |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade da Madeira |
| Idioma: | português |
| Origem: | DigitUMa - Repositório da Universidade da Madeira |
| Resumo: | O culto português ao “Divino Espírito Santo” é, nas ilhas portuguesas atlânticas, uma realidade ancestral que assumiu contornos específicos, consoante as vivências das populações. Nos territórios madeirenses, da Páscoa ao Pentecostes, saem à rua as “visitas do Espírito Santo”. Indo de casa em casa das famílias que abrem a porta, vão as insígnias representativas da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: o Espírito Santo. Em quase todos os locais, há umas meninas trajadas de modo particular e diverso, segundo os locais, que levam, obrigatoriamente, um cesto. O grupo pode incluir músicos que revestem, com frequência, o vestuário do quotidiano, opondo-se aos restantes elementos que trajam de um modo identificador. Deste conjunto, no presente caso, importa destacar as meninas designadas por todos os falantes como “saloias”. Tem-se desenvolvido investigação relativa a esta manifestação patrimonial que, até ao momento, se considera especificamente madeirense. A pesquisa, sobretudo do domínio do Património Linguístico, mas também do Património Cultural Imaterial, tem versado sobre a origem do termo “saloia” e a procura de uma explicação para o vocábulo, inesperadamente, estar relacionado com as visitas pascais do Espírito Santo. Neste trabalho, visando o aprofundamento da definição do conceito regional, pretende-se abordar a função das “saloias”. Colocam-se as seguintes questões: Que função desempenham as “saloias” nas “visitas do Espírito Santo” nas localidades do arquipélago, no século XXI? Serão apenas “cantoras”? Por que razão ter crianças com vozes, por vezes, extremamente agudas e pouco harmoniosas, a cantar, quando, como para os músicos, se poderiam conseguir adultos que cantassem? Terão elas assumido “desde sempre” a tarefa de cantar? Na fase de pesquisa, é possível concluir que a função primeira das “saloias” não seria, propriamente, a de cantoras. É o que se pretende demonstrar. |
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