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Efeito da gestão florestal convencional após incêndio na recuperação e qualidade do sistema solo-planta do sobreiral

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os incêndios constituem um distúrbio comum da estação estival nas regiões do mediterrâneo. Apesar disso, ainda não existem metodologias claras que permitam auxiliar os proprietários na gestão pós-incêndio de modo a proteger todo o ecossistema, diminuindo o risco e severidade de futuros incêndios, através da gestão do combustível da parcela. Neste trabalho, procurou-se preencher esta lacuna ao avaliar, a longo prazo, o efeito da gestão florestal convencional nos diferentes componentes (estrato arbóreo, arbustivo, herbáceo, folhada e solo) do ecossistema de sobreiral queimado. Para o efeito, compararam-se 2 sobreirais geridos e 2 não geridos, de baixa densidade arbórea e com vegetação arbustiva, após o incêndio de 2004 na Serra do Caldeirão (Almodôvar, Loulé e São Brás de Alportel). A metodologia utilizada foi a do projecto “REMAS (SO3/P4/E0954)”, no qual a presente dissertação se insere. Quantificou-se o carbono armazenado nas árvores (sobreiros), vegetação, solo e folhada bem como avaliaram-se as diferentes características físico-químicas do solo. Para isso, em pontos aleatórios de amostragem (área de parcela = 706 m2) efectuaram-se inventários florestais (n=1/parcela), transectos (n=3/parcela) e colheita de amostras de solo e folhagem (n=3/parcela). A gestão florestal pós-incêndio pareceu, de um modo geral, ter um efeito positivo. O sistema solo-planta nos sobreirais geridos apresentava mais que o dobro do carbono armazenado em todos os estratos (solo, arbustos, folhada e árvores), do que nos sobreirais não-geridos. As diferenças foram muito significativas (p-value < 0,01) nos seguintes parâmetros: Ntotal (μg/g), CTC (cmolc/kg), Mg de troca (cmolc/kg) e Na troca (cmolc/kg); e significativas no Cfolhada (t C/ha) e Clábil (g/kg). Foram ainda avaliados outros parâmetros na vegetação (Cárvore, Carbustos) e no solo (ex. Csolo, % da Fracção Fina e Grosseira do solo, pH, Condutividade eléctrica, Ctotal, Corg, P, Ca, K e C/N) mas não foram obtidas diferenças tão significativas. Os resultados indicam que a gestão convencional (descortiçamento e controlo rasteiro da vegetação arbustiva) pode duplicar o carbono total, em relação à ausência de gestão pós-incêndio; no entanto, pode considerar-se que a gestão pode aumentar o risco de incêndio (C arbustos gerido > C arbustos não gerido). A ausência de gestão permitiu aumentar a fertilidade do solo em sentido lato.
Autores principais:Marques, João Pedro Lourenço Afonso Horta
Assunto:carbono Quercus suber L. regeneração transecto vegetação carbon regeneration transect vegetation
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os incêndios constituem um distúrbio comum da estação estival nas regiões do mediterrâneo. Apesar disso, ainda não existem metodologias claras que permitam auxiliar os proprietários na gestão pós-incêndio de modo a proteger todo o ecossistema, diminuindo o risco e severidade de futuros incêndios, através da gestão do combustível da parcela. Neste trabalho, procurou-se preencher esta lacuna ao avaliar, a longo prazo, o efeito da gestão florestal convencional nos diferentes componentes (estrato arbóreo, arbustivo, herbáceo, folhada e solo) do ecossistema de sobreiral queimado. Para o efeito, compararam-se 2 sobreirais geridos e 2 não geridos, de baixa densidade arbórea e com vegetação arbustiva, após o incêndio de 2004 na Serra do Caldeirão (Almodôvar, Loulé e São Brás de Alportel). A metodologia utilizada foi a do projecto “REMAS (SO3/P4/E0954)”, no qual a presente dissertação se insere. Quantificou-se o carbono armazenado nas árvores (sobreiros), vegetação, solo e folhada bem como avaliaram-se as diferentes características físico-químicas do solo. Para isso, em pontos aleatórios de amostragem (área de parcela = 706 m2) efectuaram-se inventários florestais (n=1/parcela), transectos (n=3/parcela) e colheita de amostras de solo e folhagem (n=3/parcela). A gestão florestal pós-incêndio pareceu, de um modo geral, ter um efeito positivo. O sistema solo-planta nos sobreirais geridos apresentava mais que o dobro do carbono armazenado em todos os estratos (solo, arbustos, folhada e árvores), do que nos sobreirais não-geridos. As diferenças foram muito significativas (p-value < 0,01) nos seguintes parâmetros: Ntotal (μg/g), CTC (cmolc/kg), Mg de troca (cmolc/kg) e Na troca (cmolc/kg); e significativas no Cfolhada (t C/ha) e Clábil (g/kg). Foram ainda avaliados outros parâmetros na vegetação (Cárvore, Carbustos) e no solo (ex. Csolo, % da Fracção Fina e Grosseira do solo, pH, Condutividade eléctrica, Ctotal, Corg, P, Ca, K e C/N) mas não foram obtidas diferenças tão significativas. Os resultados indicam que a gestão convencional (descortiçamento e controlo rasteiro da vegetação arbustiva) pode duplicar o carbono total, em relação à ausência de gestão pós-incêndio; no entanto, pode considerar-se que a gestão pode aumentar o risco de incêndio (C arbustos gerido > C arbustos não gerido). A ausência de gestão permitiu aumentar a fertilidade do solo em sentido lato.

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