Publicação
Prospeção da diversidade de fungos micorrízicos arbusculares em 2 espécies agrícolas (Phaseolus vulgaris L. e Vicia faba L.) e 2 espécies nativas (Teline maderensis Webb & Berthel e Genista tenera (Jacq. Ex Murray) Kuntze) da Madeira
| Resumo: | O Filo Glomeromycota compreende um grupo de fungos que se considera no geral serem biotróficos obrigatórios e que se associam a cerca de 80% das plantas. O fungo e a planta formam uma associação simbiótica conhecida como micorriza arbuscular. Desta associação, o fungo absorve entre 5 a 20% do carbono fotossintetizado pela planta e por outro lado a planta pode beneficiar do aumento da absorção de nutrientes, nomeadamente de fósforo e azoto, promovido pela simbiose. Adicionalmente, estes fungos podem melhorar a tolerância a stresses bióticos e abióticos. Os Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMA) podem afetar um ecossistema inteiro, devido às extensas redes de micélio e esporos produzidas, que podem conectar um grande número de diferentes plantas, para além de que são uma fonte de nutrição para outros microrganismos. Para a Madeira estão descritas apenas duas espécies de FMA e não se conhecem estudos sobre a biodiversidade destes microrganismos na ilha, nem a sua distribuição. A fim de colmatar esta lacuna selecionou-se duas plantas endémicas (Teline maderensis Webb & Berthel. e Genista tenera (Jacq. ex Murray) Kuntze) e duas agrícolas (Vicia faba L. e Phaseolus vulgaris L.), colhidas, cada uma delas em três localizações diferentes, para estudar a biodiversidade de FMA que as colonizam. Os resultados indicam que a colonização das raízes das plantas em estudo está correlacionada com as características bioquímicas do solo, nomeadamente por P, N, K, Cu, Mg, pH e Grau de saturação. Relativamente à diversidade e composição das comunidades de FMA das raízes das plantas, verificou-se que esta é também influenciada pelas características do solo, bem como pelo hospedeiro. Os dendrogramas obtidos a partir das técnicas DGGE e RFLP distribuem as espécies agrícolas em diferentes clusters e colocam espécies endémicas, num único cluster, indicando que as comunidades de FMA que colonizam as raízes destas últimas são muito próximas. Este resultado é, possivelmente, consequência da similaridade das características dos seus solos, situação que não se verificou para os solos das plantas agrícolas. A análise estatística e molecular mostra que a altitude não teve influência nem nos índices de colonização arbuscular micorrízica, nem na diversidade e composição das comunidades de FMA em estudo. |
|---|---|
| Autores principais: | Oliveira, Maria Cristina Ornelas |
| Assunto: | Biodiversidade Microbiologia do solo Culturas agrícolas Plantas endémicas Fungos Micorrizas arbusculares Teses de mestrado - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O Filo Glomeromycota compreende um grupo de fungos que se considera no geral serem biotróficos obrigatórios e que se associam a cerca de 80% das plantas. O fungo e a planta formam uma associação simbiótica conhecida como micorriza arbuscular. Desta associação, o fungo absorve entre 5 a 20% do carbono fotossintetizado pela planta e por outro lado a planta pode beneficiar do aumento da absorção de nutrientes, nomeadamente de fósforo e azoto, promovido pela simbiose. Adicionalmente, estes fungos podem melhorar a tolerância a stresses bióticos e abióticos. Os Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMA) podem afetar um ecossistema inteiro, devido às extensas redes de micélio e esporos produzidas, que podem conectar um grande número de diferentes plantas, para além de que são uma fonte de nutrição para outros microrganismos. Para a Madeira estão descritas apenas duas espécies de FMA e não se conhecem estudos sobre a biodiversidade destes microrganismos na ilha, nem a sua distribuição. A fim de colmatar esta lacuna selecionou-se duas plantas endémicas (Teline maderensis Webb & Berthel. e Genista tenera (Jacq. ex Murray) Kuntze) e duas agrícolas (Vicia faba L. e Phaseolus vulgaris L.), colhidas, cada uma delas em três localizações diferentes, para estudar a biodiversidade de FMA que as colonizam. Os resultados indicam que a colonização das raízes das plantas em estudo está correlacionada com as características bioquímicas do solo, nomeadamente por P, N, K, Cu, Mg, pH e Grau de saturação. Relativamente à diversidade e composição das comunidades de FMA das raízes das plantas, verificou-se que esta é também influenciada pelas características do solo, bem como pelo hospedeiro. Os dendrogramas obtidos a partir das técnicas DGGE e RFLP distribuem as espécies agrícolas em diferentes clusters e colocam espécies endémicas, num único cluster, indicando que as comunidades de FMA que colonizam as raízes destas últimas são muito próximas. Este resultado é, possivelmente, consequência da similaridade das características dos seus solos, situação que não se verificou para os solos das plantas agrícolas. A análise estatística e molecular mostra que a altitude não teve influência nem nos índices de colonização arbuscular micorrízica, nem na diversidade e composição das comunidades de FMA em estudo. |
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