Publicação
Mergulho em apneia e barotraumatismo : caso clínico de um mariscador
| Resumo: | Introdução: Apesar do mergulho em apneia ser uma prática com milhares de anos, o seu estudo e o das patologias que daí advêm, nomeadamente na área de otorrinolaringologia, ainda carecem de investigação. No caso da profissão de mariscador, num dia de trabalho um mariscador permanece até 6 horas dentro de água, realizando cerca de 150 a 250 mergulhos, numa profundidade entre 5 a 20 metros, com duração aproximada de 1 a 2 minutos por mergulho. Estando, por isso, durante 6 horas constantemente sujeitos a variações de pressão de, pelo menos, entre os 1 e os 3 atm, onde se dão as variações de volume mais significativas. Apesar de o barotraumatismo do ouvido médio ser o trauma mais comum na prática do mergulho e do barotraumatismo do ouvido interno poder ter repercussões significativas na audição dos mergulhadores, estes são tópicos que carecem de linhas condutoras de diagnóstico e de tratamento, tal como de uma avaliação sistemática e global para o exercício do mergulho em apneia. Caso clínico: Homem de 47 anos, mariscador, com antecedentes de rinite alérgica e sinusite desde há 8 anos, apresenta, durante um mergulho em apneia a 5-6 m de profundidade, quadro súbito de vertigem, seguido de dor aguda e perda auditiva do ouvido esquerdo. Após investigação clínica estabelece-se diagnóstico de barotraumatismo do ouvido médio com ruptura timpânica. Após alta clínica, volta a apresentar episódios de vertigem durante o mergulho, sendo que se investiga possível patologia do ouvido interno. Conclusão: A fisiopatologia do mergulho em apneia, as suas possíveis complicações e seguimento ainda não estão devidamente documentados, principalmente na profissão de mariscadores. É fundamental criar um plano de prevenção e transmitir a importância de um conhecimento mais aprofundado sobre as possíveis patologias, tal como preservar a capacidade de mergulhar, uma vez que tem um impacto significativo na qualidade de vida e capacidade de sustento do doente. Assim, o tratamento neste caso clínico é conservador, com reavaliações periódicas e ênfase na prevenção e atitudes que o doente deve tomar aquando do mergulho. |
|---|---|
| Autores principais: | Martins, Francisca Salazar |
| Assunto: | Mergulho Apneia Barotraumatismo Ouvido médio e interno Otorrinolaringologia |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
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