Publicação
Microssociedades afegãs no contexto dos embates Leste-Oeste (1977-1983): discursos e representações no The Kabul Times
| Resumo: | A produção de discursos e representações, por parte das mídias, acerca do Afeganistão tende a difundir estereótipos que ignoram as complexidades das microssociedades afegãs, estas compreendidas como grupos étnicos, relativamente autônomos, capazes de rivalizar projetos de nação com o poder central, segundo a concepção de Amin Saikal. A compreensão desse país asiático se faz necessária para o entendimento dos interesses em disputas das grandes potências econômicas e militares durante o período dos Embates Leste-Oeste, entre os anos de 1977 e 1983, em especial os Estados Unidos e a União Soviética, e também para romper com o Orientalismo, conforme formulado por Said. Nesse sentido, a dissertação propõe-se adentrar não apenas nos conflitos armados que envolveram a Invasão Soviética no Afeganistão, mas, sobretudo, nas representações e disputas de narrativas difundidas pelo periódico The Kabul Times. A análise dessa fonte, através do que se convencionou chamar de eventos-chave selecionados a partir das obras de Amin Saikal e Hammond, permitiu romper com concepções reducionistas de passividade das microssociedades frente aos golpes e contragolpes que se sucederam à queda do reinado de Zahir Shah, demonstrando seu papel fundamental na resistência cultural, social, política e econômica. Técnicas de análise de discurso foram utilizadas, por meio das contribuições teórico-metodológicas de Chartier, Bourdieu e Charaudeau. O trabalho empreendeu esforços para desconstruir narrativas de submissão das microssociedades afegãs difundidas no The Kabul Times, demonstrando a sua atuação no Afeganistão, contestando os discursos hegemônicos estatais ao se oporem à Reforma Agrária e Educacional no governo de Taraki, e por elas contrariarem seus interesses e tradições, atuação também verificada no massacre de Herat, no qual as microssociedades se juntaram às guarnições locais. A participação ativa das microssociedades também pode ser verificada nas organizações dos grupos de resistência e libertação nacional, os mujahidins, que se opuseram à invasão soviética. |
|---|---|
| Autores principais: | Tesch, Yuri Alan Maciel |
| Assunto: | Afeganistão Microssociedades Representação Invasão soviética Afghanistan Microsocieties Representation Soviet invasion CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA |
| Ano: | 2023 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | A produção de discursos e representações, por parte das mídias, acerca do Afeganistão tende a difundir estereótipos que ignoram as complexidades das microssociedades afegãs, estas compreendidas como grupos étnicos, relativamente autônomos, capazes de rivalizar projetos de nação com o poder central, segundo a concepção de Amin Saikal. A compreensão desse país asiático se faz necessária para o entendimento dos interesses em disputas das grandes potências econômicas e militares durante o período dos Embates Leste-Oeste, entre os anos de 1977 e 1983, em especial os Estados Unidos e a União Soviética, e também para romper com o Orientalismo, conforme formulado por Said. Nesse sentido, a dissertação propõe-se adentrar não apenas nos conflitos armados que envolveram a Invasão Soviética no Afeganistão, mas, sobretudo, nas representações e disputas de narrativas difundidas pelo periódico The Kabul Times. A análise dessa fonte, através do que se convencionou chamar de eventos-chave selecionados a partir das obras de Amin Saikal e Hammond, permitiu romper com concepções reducionistas de passividade das microssociedades frente aos golpes e contragolpes que se sucederam à queda do reinado de Zahir Shah, demonstrando seu papel fundamental na resistência cultural, social, política e econômica. Técnicas de análise de discurso foram utilizadas, por meio das contribuições teórico-metodológicas de Chartier, Bourdieu e Charaudeau. O trabalho empreendeu esforços para desconstruir narrativas de submissão das microssociedades afegãs difundidas no The Kabul Times, demonstrando a sua atuação no Afeganistão, contestando os discursos hegemônicos estatais ao se oporem à Reforma Agrária e Educacional no governo de Taraki, e por elas contrariarem seus interesses e tradições, atuação também verificada no massacre de Herat, no qual as microssociedades se juntaram às guarnições locais. A participação ativa das microssociedades também pode ser verificada nas organizações dos grupos de resistência e libertação nacional, os mujahidins, que se opuseram à invasão soviética. |
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