Publicação
Excommunicatio. Ensaio para uma teoria negativa da comunicação
| Resumo: | Este trabalho de doutorado esboça uma teoria negativa da comunicação a partir da reelaboração negativa dos seus três conceitos fundamentais: a comunicação, o medium e a comunidade. Grosso modo, a comunicação é figurada como uma experiência radical de alteridade; o medium como a descrição dos modos de percepção desta experiência e a comunidade como a incorporação das possibilidades de sua ocorrência. A comunicação manifesta uma experiência que transforma o \'eu\' em \'mim\', pois o sujeito não é necessariamente causa ou efeito desta experiência, mas é exposto à ela, como uma ferida aberta. O medium é o modo de percepção que opera esta experiência: ele não é uma ponte entre o abismo que separa o mim do outro, pois ele acentua esse abismo, na medida em que ele se imaterializa no momento da experiência, como uma materialidade que se descorporifica. E quando essa experiência efetua-se, é porque se toma parte em algo comum, em uma comunidade: mesmo que precária ou evanescente, ela incorpora a possibilidade da ocorrência deste fenômeno. Na teoria negativa da comunicação, o medium torna-se transparente, a comunidade torna-se expositória e a comunicação torna-se transcendente. Ponderar sobre a negatividade da comunicação é ir ao encontro de uma ex-comunicação: uma despalavra que busca ex-pôr aquilo que nos fenômenos comunicacionais escapa à discursividade, seja a medialidade do meio, a inefabilidade da relação ou a comunidade daqueles que não constituem qualquer comunidade. O prefixo ex assinala não apenas uma simples negação, mas um deslocamento fundamental: ele é o inegável que se pré-supõe, que constitui a comunicação, mas que resiste à qualquer conceituação. Ao mesmo tempo em que possibilita, o prefixo ex assegura a impossibilidade da sua re-presentação: um comunicar que não se estrutura em signos, mas se mostra - uma comunicação negativa, existencial, intransitiva, inexprimível, mística. |
|---|---|
| Autores principais: | Maurício Augusto Pimentel Liesen Nascimento |
| Ano: | 2014 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | Este trabalho de doutorado esboça uma teoria negativa da comunicação a partir da reelaboração negativa dos seus três conceitos fundamentais: a comunicação, o medium e a comunidade. Grosso modo, a comunicação é figurada como uma experiência radical de alteridade; o medium como a descrição dos modos de percepção desta experiência e a comunidade como a incorporação das possibilidades de sua ocorrência. A comunicação manifesta uma experiência que transforma o \'eu\' em \'mim\', pois o sujeito não é necessariamente causa ou efeito desta experiência, mas é exposto à ela, como uma ferida aberta. O medium é o modo de percepção que opera esta experiência: ele não é uma ponte entre o abismo que separa o mim do outro, pois ele acentua esse abismo, na medida em que ele se imaterializa no momento da experiência, como uma materialidade que se descorporifica. E quando essa experiência efetua-se, é porque se toma parte em algo comum, em uma comunidade: mesmo que precária ou evanescente, ela incorpora a possibilidade da ocorrência deste fenômeno. Na teoria negativa da comunicação, o medium torna-se transparente, a comunidade torna-se expositória e a comunicação torna-se transcendente. Ponderar sobre a negatividade da comunicação é ir ao encontro de uma ex-comunicação: uma despalavra que busca ex-pôr aquilo que nos fenômenos comunicacionais escapa à discursividade, seja a medialidade do meio, a inefabilidade da relação ou a comunidade daqueles que não constituem qualquer comunidade. O prefixo ex assinala não apenas uma simples negação, mas um deslocamento fundamental: ele é o inegável que se pré-supõe, que constitui a comunicação, mas que resiste à qualquer conceituação. Ao mesmo tempo em que possibilita, o prefixo ex assegura a impossibilidade da sua re-presentação: um comunicar que não se estrutura em signos, mas se mostra - uma comunicação negativa, existencial, intransitiva, inexprimível, mística. |
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