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O "línter humano": militância católica, mendicância e a Cidade Ozanam Belo Horizonte : 1900-1938
| Summary: | A presente dissertação de mestrado tem o objetivo de analisar as ações empreendidas sobre a questão da mendicância pela prefeitura de Belo Horizonte e pelo movimento de leigos católicos, no período de 1900 a 1938. Esse recorte temporal foi marcado pela reação da Igreja Católica contra o processo de secularização que marcou o início da República no Brasil. Afim de reconquistar uma posição de destaque no cenário religioso e político nacional, o episcopado incentivou a formação de uma militância católica centrada no objetivo de defender os preceitos da Igreja nos espaços públicos e debates políticos. A partir dos anos 1920, o discurso católico ganhou maior repercussão, sendo apropriado por várias lideranças políticas em todo o país. Porém, foi mais precisamente na Era Vargas (1930-1945) que a Igreja Católica conquistou uma posição de forte aliada com o Estado. Em Minas Gerais, a aproximação entre as autoridades políticas e eclesiásticas, no entanto, foi consolidada nos anos 1920, sobretudo durante o governo de Antônio Carlos (1926-1930). A presença de Dom Cabral em Belo Horizonte foi decisiva para a aproximação da Igreja Católica com os políticos mineiros. O bispo belorizontino fundou uma imprensa católica, organizou congressos e arregimentou a militância dos leigos, dando maior visibilidade às ações empreendidas por líderes católicos, como o confrade vicentino Furtado de Menezes. Dentre a grande diversidade de agremiações católicas que atuaram na cidade, tiveram destaque as associações que visavam prestar assistência caritativa aos pobres. Desde 1900, a prefeitura de Belo Horizonte vinha buscando dar solução à questão da mendicância na cidade. No entanto, os objetivos constituídos pelas autoridades municipais para regulamentar a presença dos mendigos na área urbana, no período entre 1900 e 1930, não foram eficientes. Com o crescimento do discurso católico na cidade, a Prefeitura e o governo do Estado, fortemente influenciados por Dom Cabral, passaram a dar incentivos financeiros e materiais às obras de benemerência existentes na capital. É nesse contexto, marcado por um forte crescimento populacional e por uma grande expansão urbana, que surgiu o projeto da Cidade Ozanam, com o fim de erguer uma cidade a parte para os mendigos, ondem eles receberiam abrigo, alimentação, higiene e seriam moralizados a partir da sua conversão em força de trabalho. A criação da Cidade Ozanam e o seu formato de assistência aos pobres foi, dessa maneira, um resultado direto da aproximação entre católicos e políticos, o que contribuiu decisivamente para que Belo Horizonte fosse, dessa maneira, visualizada como uma cidade moderna e católica |
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| Main Authors: | Fernando Rosa do Amaral |
| Subject: | História Brasil História Estado Novo, 1937-1945 Mendicância Brasil História História |
| Year: | 2019 |
| Country: | Brazil |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | IBICT |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Oasisbr |
| Summary: | A presente dissertação de mestrado tem o objetivo de analisar as ações empreendidas sobre a questão da mendicância pela prefeitura de Belo Horizonte e pelo movimento de leigos católicos, no período de 1900 a 1938. Esse recorte temporal foi marcado pela reação da Igreja Católica contra o processo de secularização que marcou o início da República no Brasil. Afim de reconquistar uma posição de destaque no cenário religioso e político nacional, o episcopado incentivou a formação de uma militância católica centrada no objetivo de defender os preceitos da Igreja nos espaços públicos e debates políticos. A partir dos anos 1920, o discurso católico ganhou maior repercussão, sendo apropriado por várias lideranças políticas em todo o país. Porém, foi mais precisamente na Era Vargas (1930-1945) que a Igreja Católica conquistou uma posição de forte aliada com o Estado. Em Minas Gerais, a aproximação entre as autoridades políticas e eclesiásticas, no entanto, foi consolidada nos anos 1920, sobretudo durante o governo de Antônio Carlos (1926-1930). A presença de Dom Cabral em Belo Horizonte foi decisiva para a aproximação da Igreja Católica com os políticos mineiros. O bispo belorizontino fundou uma imprensa católica, organizou congressos e arregimentou a militância dos leigos, dando maior visibilidade às ações empreendidas por líderes católicos, como o confrade vicentino Furtado de Menezes. Dentre a grande diversidade de agremiações católicas que atuaram na cidade, tiveram destaque as associações que visavam prestar assistência caritativa aos pobres. Desde 1900, a prefeitura de Belo Horizonte vinha buscando dar solução à questão da mendicância na cidade. No entanto, os objetivos constituídos pelas autoridades municipais para regulamentar a presença dos mendigos na área urbana, no período entre 1900 e 1930, não foram eficientes. Com o crescimento do discurso católico na cidade, a Prefeitura e o governo do Estado, fortemente influenciados por Dom Cabral, passaram a dar incentivos financeiros e materiais às obras de benemerência existentes na capital. É nesse contexto, marcado por um forte crescimento populacional e por uma grande expansão urbana, que surgiu o projeto da Cidade Ozanam, com o fim de erguer uma cidade a parte para os mendigos, ondem eles receberiam abrigo, alimentação, higiene e seriam moralizados a partir da sua conversão em força de trabalho. A criação da Cidade Ozanam e o seu formato de assistência aos pobres foi, dessa maneira, um resultado direto da aproximação entre católicos e políticos, o que contribuiu decisivamente para que Belo Horizonte fosse, dessa maneira, visualizada como uma cidade moderna e católica |
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