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Influência de mudanças de fase no ciclo claro-escuro sobre o controle autonômico cardíaco de ratos

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Resumo:O sistema circadiano possui projeções neurais para o Sistema Nervoso Autônomo (SNA), interferindo diretamente na modulação simpático-vagal do sistema cardiovascular. Perturbações no sistema circadiano, como por exemplo as mudanças de fase no ciclo claro-escuro (CE), tem sido relacionadas ao risco de surgimento de doenças cardiovasculares, devido ao aumento do tônus simpático cardíaco e redução dos intervalos RR (iRR). Objetivo: Investigar a interação entre o Sistema de Temporização Circadiano e o controle autonômico cardíaco de ratos. Materiais e método: Foram utilizados 18 ratos Wistar (♀; idade=139,9 ± 32,1 dias; peso=219,5 ± 16,2 g), alocados em três grupos distintos: Controle (GC), Atraso de fase em 6h (GAT) e Avanço de fase em 6h (GAV). Foram excluídos três animais durante a coleta de dados (GC/GAT/GAV - n=5 cada).Telêmetros foram implantados cirurgicamente em cada animal, para aquisição contínua de sinais de eletrocardiograma - ECG (duração de 21 dias no GC e 28 dias no GAT/GAV). Foi estabelecido um ciclo CE 12h:12h, com início do claro às 18:00h e início do escuro às 06:00h. Os animais do GC permaneceram no mesmo ciclo durante todo o período experimental, enquanto que, no 14º dia de registro, o GAT e o GAV foram submetidos a um atraso e um avanço em 6h, respectivamente. Durante todo o período experimental, registrou-se a Atividade Locomotora (AL), a média da Frequência Cardíaca (mFC) e as variáveis relacionadas aos iRR [média dos iRR (mRR), SDNN, RMSSD, BF, AF e razão BF/AF]. Todos os dados foram analisados em blocos de 3 e 7 dias, quanto a presença de ritmo circadiano, valores do Cosinor - mesor, amplitude e acrofase (teste t pareado), relação de fase, diferenças entre claro e escuro (teste t independente), médias a cada 30 minutos ao longo de cada série temporal (ANOVA two way com post hoc de Bonferroni). Os dados do bloco B1, M1 e M2 do GC serviram como valores de referência para as comparações entre os blocos de análise do GAT/GAV. Resultados: Observou-se ritmicidade circadiana nas variáveis de AL, mRR e mFC(p<0,01). Verificou-se relação de fase entre as variáveis mRR/mFC e a AL nos três grupos, sendo menos estável no GAV. No GC, não foram encontradas diferenças significativas entre os blocos, em nenhuma das análises(p>0,05). Nos blocos de 7 dias dos grupos experimentais, verificou-se redução significativa de mRR(p=0,04) e mFC(p=0,03) no GAT, e de AF(p=0,02) no GAV; além disso, entre os blocos de 3 dias, observou-se um aumento significativo de BF/AF(p=0,04) no GAT, bem como das variáveis mRR(p=0,03), SDNN(p=0,04), RMSSD(p=0,04), BF(p=0,01) e AF(p=0,02) no GAV. Constatou-se que as diferenças entre as médias da mRR, mFC e AL nas fases de claro e escuro não foram significativas após as mudanças de fase em alguns dos blocos analisados nos grupos experimentais. Não foram encontrados resultados significativos na comparação das variáveis rítmicas a cada 30 minutos ao longo de toda a série experimental, exceto pela diminuição significativa de mRR no meio da fase do escuro em B2 e no início da fase de claro em B3 (p<0,01). Conclusão: os avanços e atraso de fase (6h) alteraram o controle autonômico cardíaco nos grupos experimentais através da redução temporária da VFC. Os avanços de fase, aparentemente, tiveram maior influência negativa nesse processo, em relação aos atrasos de fase.
Autores principais:Cavalcanti, Rafael Limeira
Assunto:CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL Frequência cardíaca Ritmo circadiano Luz
Ano:2016
País:Brasil
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:O sistema circadiano possui projeções neurais para o Sistema Nervoso Autônomo (SNA), interferindo diretamente na modulação simpático-vagal do sistema cardiovascular. Perturbações no sistema circadiano, como por exemplo as mudanças de fase no ciclo claro-escuro (CE), tem sido relacionadas ao risco de surgimento de doenças cardiovasculares, devido ao aumento do tônus simpático cardíaco e redução dos intervalos RR (iRR). Objetivo: Investigar a interação entre o Sistema de Temporização Circadiano e o controle autonômico cardíaco de ratos. Materiais e método: Foram utilizados 18 ratos Wistar (♀; idade=139,9 ± 32,1 dias; peso=219,5 ± 16,2 g), alocados em três grupos distintos: Controle (GC), Atraso de fase em 6h (GAT) e Avanço de fase em 6h (GAV). Foram excluídos três animais durante a coleta de dados (GC/GAT/GAV - n=5 cada).Telêmetros foram implantados cirurgicamente em cada animal, para aquisição contínua de sinais de eletrocardiograma - ECG (duração de 21 dias no GC e 28 dias no GAT/GAV). Foi estabelecido um ciclo CE 12h:12h, com início do claro às 18:00h e início do escuro às 06:00h. Os animais do GC permaneceram no mesmo ciclo durante todo o período experimental, enquanto que, no 14º dia de registro, o GAT e o GAV foram submetidos a um atraso e um avanço em 6h, respectivamente. Durante todo o período experimental, registrou-se a Atividade Locomotora (AL), a média da Frequência Cardíaca (mFC) e as variáveis relacionadas aos iRR [média dos iRR (mRR), SDNN, RMSSD, BF, AF e razão BF/AF]. Todos os dados foram analisados em blocos de 3 e 7 dias, quanto a presença de ritmo circadiano, valores do Cosinor - mesor, amplitude e acrofase (teste t pareado), relação de fase, diferenças entre claro e escuro (teste t independente), médias a cada 30 minutos ao longo de cada série temporal (ANOVA two way com post hoc de Bonferroni). Os dados do bloco B1, M1 e M2 do GC serviram como valores de referência para as comparações entre os blocos de análise do GAT/GAV. Resultados: Observou-se ritmicidade circadiana nas variáveis de AL, mRR e mFC(p<0,01). Verificou-se relação de fase entre as variáveis mRR/mFC e a AL nos três grupos, sendo menos estável no GAV. No GC, não foram encontradas diferenças significativas entre os blocos, em nenhuma das análises(p>0,05). Nos blocos de 7 dias dos grupos experimentais, verificou-se redução significativa de mRR(p=0,04) e mFC(p=0,03) no GAT, e de AF(p=0,02) no GAV; além disso, entre os blocos de 3 dias, observou-se um aumento significativo de BF/AF(p=0,04) no GAT, bem como das variáveis mRR(p=0,03), SDNN(p=0,04), RMSSD(p=0,04), BF(p=0,01) e AF(p=0,02) no GAV. Constatou-se que as diferenças entre as médias da mRR, mFC e AL nas fases de claro e escuro não foram significativas após as mudanças de fase em alguns dos blocos analisados nos grupos experimentais. Não foram encontrados resultados significativos na comparação das variáveis rítmicas a cada 30 minutos ao longo de toda a série experimental, exceto pela diminuição significativa de mRR no meio da fase do escuro em B2 e no início da fase de claro em B3 (p<0,01). Conclusão: os avanços e atraso de fase (6h) alteraram o controle autonômico cardíaco nos grupos experimentais através da redução temporária da VFC. Os avanços de fase, aparentemente, tiveram maior influência negativa nesse processo, em relação aos atrasos de fase.

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