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Preparação e Caracterização de membranas para lentes de contacto pós-cirúrgicas

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Resumo:A eficiência da administração de fármacos na terapia ocular após intervenções cirúrgicas é um dos grandes fatores que condiciona a recuperação dos pacientes. Nos dias de hoje, a administração de fármacos nestes casos é realizada na forma de colírios. No entanto, este método mostra-se muito ineficiente, surgindo o uso de sistemas de libertação controlada de fármacos como uma possível alternativa bastante promissora. No decorrer deste trabalho foram desenvolvidas membranas à base de acrilatos para serem usadas como sistemas de libertação controlada de um fármaco (sob a forma de lentes de contacto), sendo o fármaco selecionada a moxifloxacina (MFX), um antibiótico muito utilizado no pós-operatório da terapia ocular. Estas membranas foram desenvolvidas através do método de polimerização na massa. Deste modo foram preparadas membranas com diferentes monómeros na sua constituição. Uma vez que o desconforto causado pela radiação solar é outro dos fatores que influencia a recuperação pós-operatória, com o intuito de minimizar este desconforto, também foram incorporados corantes fotocrómicos nas membranas desenvolvidas. A membrana com melhores propriedades, preparada a partir de acrilato 2-etil-hexilo (EHA), metacrilato de metilo (MMA), peróxido de benzoílo (BPO) e dimetacrilato de etilenoglicol (EGDMA), designada AMB 7, foi caracterizada e nela foi incorporada MFX e corantes fotocrómicos, por oclusão. Com base nesta formulação, foram desenvolvidas mais duas formulações, a ABM 7.1 e ABM 7.2, com o intuito de avaliar a influência do aumento do agente de reticulação EGDMA nas propriedades finais das membranas. Foi ainda preparada uma membrana incluindo na formulação o monómero metacrilato de 2-hidroxietilo (HEMA), designada ABM 10, com a finalidade de aumentar a hidrofilicidade da membrana. Nestas membranas, somente se incluiu MFX por oclusão.As membranas preparadas foram caracterizadas quimicamente por espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR), confirmando o sucesso da polimerização. Através da análise termogravimétrica (TGA) constatou-se a elevada estabilidade térmica dos materiais, sendo superiores a 350ºC.Os ângulos de contato, a transmitância e o teor de água das quatro membranas selecionadas foram determinados. No que diz respeito a molhabilidade das membranas determinado pela medição do ângulo de contacto, a ABM 7 foi a que apresentou melhores resultados (45º), dentro do intervalo de valores de lentes de contacto comerciais. Quanto à transmitância, a ABM 7 confere um maior grau de proteção relativamente a radiação UV ao passo que a ABM 7.1, apresenta melhores resultados relativamente à sua transparência. As membranas que contem corantes fotocrómicos incorporados, foram as que apresentaram maior proteção a radiação UV, no entanto, a sua coloração resulta numa diminuição da transparência das membranas. Analisando ainda o teor de água, os valores obtidos foram inferiores a 2%, sendo a ABM 10 a membrana que apresentou a maior capacidade de absorção de água, um valor muito baixo para uma aplicação como lente de contacto. Os resultados da libertação da MFX nos três sistemas de libertação que foram estudados (ABM 7, ABM 7.2 e ABM 10), permitiram concluir que a membrana ABM 7.2 é a que apresenta melhores resultados, uma vez que apresenta um máximo de libertação ao final de quatro dias e apresenta o maior valor de massa libertada de moxifloxacina.
Autores principais:Raínho, Vera Mónica Ramos da Silva
Assunto:Lentes de Contacto Sistema de Libertação Moxifoxacina Acrilatos Corantes Fotocrómicos Soft Contact Lenses Drug Delivery Systems Moxifloxacin Acrylates Photochromics
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra

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