Durante a fase da aguda da infecção pelo Trypanosoma cruzi ocorre uma síntese sistêmica de citocinas pró-inflamatórias, que ativam componentes da imunidade inata, como as células NK e macrófagos. Uma vez ativadas estas células passam a expressar iNOS e a produzir Óxido Nítrico (NO) que poderá contribuir no controle da parasitemia e do parasitismo tecidual. Este trabalho teve como objetivo avaliar a participação do NO durante a fase aguda da infecção de cães com formas tripomastigotas sangüíneas (grupo TS, n=4) ou metacíclicas (grupo TM, n=4) da cepa Berenice-78 do T. cruzi em relação ao grupo Controle (n=4). A parasitemia foi determinada diariamente a partir do 10º dia após a infecção (DAI) até sua negativação. Soro e sangue foram coletados no período que antecedeu a infecção e aos sete, 14, 21, 28 e 35º DAI para dosagem sérica de NO e fenotipagem (linfócitos T THY-1+, CD5+, CD4+ e CD8+, linfócitos B CD21+ e monócitos CD14+). Os animais foram eutanaziados ao final da fase aguda e o baço, linfonodo cervical e coração (átrios e ventrículos direito e esquerdo, septo interventricular e ponta) foram coletados e processados rotineiramente para inclusão em parafina. A avaliação histopatológica, a quantificação do parasitismo tecidual e da área marcada para iNOS foram realizadas em cortes histológicos corados pela HE ou submetidos a reações de imunohistoquímica peroxidase anti-peroxidase e estreptoavidina-biotina-peroxidase, respectivamente. Os animais do grupo TM apresentaram aumento nos níveis séricos de NO ao longo da infecção comparado aos grupos Controle e TS e um atraso no pico de parasitemia em relação ao grupo TS. Somente no grupo TM foi observada correlação positiva entre os linfócitos T CD5+ e CD4+ com os níveis séricos de NO, sugerindo que estas células contribuem para o aumento dos níveis séricos de NO encontrados neste grupo. O mesmo padrão observado no soro foi encontrado no baço, onde o grupo TM apresentou maior área marcada para iNOS em relação aos grupos Controle e TS. Entretanto, no linfonodo cervical o grupo TS revelou diminuição na área marcada para iNOS quando comparado aos grupos Controle e TM. Este fato pode estar relacionado à diminuição do número de macrófagos na zona medular neste grupo. Não foi observado parasitismo tecidual no baço e linfonodo cervical. O coração dos animais do grupo TM apresentou menor parasitismo tecidual e maior área marcada para iNOS enquanto que os animais do grupo TS apresentaram infiltrado inflamatório e parasitismo maiores e menor área marcada para iNOS. Com exceção do ventrículo esquerdo onde a expressão de iNOS foi maior no grupo TS. Os resultados observados nesta dissertação verificaram que a fonte do inóculo pode interferir no desenvolvimento da fase aguda da doença de Chagas. Ao que parece, animais infectados com as formas TM induzem uma resposta inicial mais eficaz, que limita a parasitemia e, posteriormente, o parasitismo tecidual, refletindo em menor resposta inflamatória, caracterizando um quadro de menor dano tecidual. Por outro lado, animais infectados com as formas TS não seriam capazes de logo no início da infecção, induzir uma resposta imune mais elaborada, e conseqüentemente não alcançam o controle rápido da infecção contribuindo para o desenvolvimento de intensas alterações histológicas, principalmente cardíacas. Portanto, o NO apresenta durante a fase aguda da infecção experimental de cães um papel imunoprotetor.
Um Livro de Interpretação Literária: Vida & Ficção reúne, em sua quarta versão, artigos de leitores fascinados pela paixão da Crítica de Literatura, dentro de circunstâncias “sísifas”, que juntam suas apostas contra obstinados viventes. O Livro 4 fez também suas próprias apostas. 10 Como homenagens especialíssimas: Dante Alighieri (1265 - 1321), florentino, e Gilmar de Carvalho (1949 - 2021), cearense, de Sobral, ambos cruzaram fontes e ouviram o seu tempo e suas gentes, cruzaram pontes e conseguiram dar consistência e concretude, tornar tangível o abstrato das palavras, guardar os sonhos, o encantamento pelos segredos de mundos possíveis. Dante, setecentos anos; Gilmar, menos de uma centúria: mas, os caminhos sempre podem ser mais longos. [...]
Objetivo: relatar a experiência de consulta de puericultura realizada pelos acadêmicos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Materiais e Métodos: trata-se de um relato de experiência vivenciado pelos acadêmicos do quinto período de Enfermagem de uma instituição de Ensino Superior de Montes Claros (MG). A consulta de puericultura foi realizada no horário previamente agendado, quando foi feita a coleta de dados e condutas pertinentes ao caso, tais como anamnese, exame físico e antropométrico, análise da caderneta vacinal, além das orientações cabíveis e plano de cuidados. Resultados: foi possível observar que se pode realizar prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde. Na consulta, o enfermeiro investiga se há alterações na criança referente às áreas do crescimento, da saúde nutricional, do desenvolvimento neuropsicomotor e como está o cuidado a partir do responsável. Conclusão: a puericultura é imprescindível à detecção de problemas precoces no acompanhamento do desenvolvimento infantil. Portanto, o enfermeiro tem um papel fundamental na saúde da criança, realizando ações preventivas e observando riscos e vulnerabilidades aos quais seu paciente está submetido.
RESUMO A epidemiologia baseada em esgotos é uma importante ferramenta de saúde pública com grande aplicabilidade no enfrentamento à pandemia de COVID-19, visto que indivíduos infectados são capazes de excretar partículas de SARS-CoV-2. Diante desse contexto, este estudo objetivou correlacionar o número de casos de COVID-19 com variáveis físicas e químicas e presença do vírus em amostras de esgoto bruto provenientes de uma estação de tratamento de esgoto (ETE) do município de Lavras (MG) coletadas entre as 19ª e 25ª semanas epidemiológicas. As amostras foram concentradas pelo método de adsorção em membrana eletronegativa, e o RNA de SARS-CoV-2 foi extraído, detectado e quantificado por reação da transcriptase reversa seguida pela reação em cadeia da polimerase (RT-qPCR) utilizando-se oligonucleotídeos e sondas para o gene N. Ademais, as variáveis pH, sólidos suspensos totais e demanda química de oxigênio foram avaliadas. Os casos de COVID-19 foram obtidos de boletins epidemiológicos disponibilizados pela prefeitura. Na 24ª semana epidemiológica, observou-se redução na concentração viral (cópias L-1) concomitantemente às medidas de enfrentamento à pandemia iniciadas pelo município. Correlação positiva forte e significativa (p < 0,05) entre carga viral e número de casos confirmados foi obtida por meio do teste de Spearman, entretanto não houve correlação entre a presença do vírus e as características físicas e químicas do esgoto. Sugere-se, portanto, que novas pesquisas sejam realizadas com a finalidade de rastrear a concentração de SARS-CoV-2 em águas residuárias, corroborando, desse modo, com o enfrentamento à pandemia e a obtenção de sistemas de vigilância epidemiológica por meio do monitoramento de esgotos.
Fundamentação: Nos últimos anos da década de 90 do século XX, a geografia da imigração em Portugal sofreu transformações muito profundas, a nível de recrutamento e padrões de fixação geográfica de imigrantes em Portugal, com o aumento e afluxo exponencial de novos grupos de imigrantes. As populações imigrantes da Europa de Leste são um fluxo migratório recente, com especificidades linguísticas, culturais e sociodemográficas face à população portuguesa, que representam um novo desafio à estrutura dos serviços de saúde em Portugal. A literatura sobre este tema e a análise de alguns indicadores focados no acesso aos cuidados de saúde pelas principais comunidades imigrantes residentes em Portugal mostram que apesar de se terem registado avanços significativos na legislação e existir um esforço de procura de boas práticas a nível do acolhimento, continuam a não existir os estudos necessários para realizar uma avaliação detalhada das condições e práticas de saúde dos imigrantes, bem como a qualidade e a adequação dos cuidados proporcionados pelo Serviço de Saúde Português a estas populações. Objectivos – Este estudo pretende realizar uma caracterização sociodemográfica, identificar os principais problemas de saúde e padrões de vigilância de saúde da população russófona proveniente dos países da Europa de Leste a residir em Portugal. Também pretende avaliar o status de saúde mental desta população e a sua vulnerabilidade ao stress, em relação ao processo migratório, acesso aos serviços de saúde e apoio social. Metodologia – O estudo foi conduzido em centros de apoio ao imigrante de 31 de Janeiro de 2005 a 31 de Março de 2006, e focou-se em 566 imigrantes da Europa de Leste residentes em várias regiões de Portugal, 296 do sexo masculino e 270 do sexo feminino, com uma média de idades de 36,3 anos de idade e idades compreendidas entre os 15 e os 66 anos. Para um segundo estudo utilizou-se um grupo de controlo de 110 indivíduos da população portuguesa, sem experiências migratórias prévias, emparelhados por género, idade e qualificações académicas. Neste estudo foi utilizada o 23 QVS (Vaz Serra, 2000), para avaliar a vulnerabilidade ao stress; o GHQ-28 (Goldberg & Hillier, 1979) e a ER80 (Pio de Abreu, 1981) para avaliar a percepção de apoio social e um questionário sociodemográfico. Resultados - Dos 566 indivíduos da primeira amostra, concluiu-se que esta população é predominantemente do sexo masculino, em idade jovem activa, característica de uma migração de cariz económico, com elevadas qualificações académicas, mas que não realiza tarefas laborais que exijam semelhantes qualificações. 81,8% dos imigrantes inquiridos já tinha tido acesso ao Serviço Nacional de Saúde Português, sendo as principais razões para este uso dos serviços de saúde situações de doença grave ou acidentes de trabalho. Uma percentagem significativa dos inquiridos refere o consumo de bebidas alcoólicas e tabaco, realiza tarefas laborais arriscadas e apresenta comportamentos de vigilância da saúde reduzidos. Em relação ao status de saúde mental, 10,4% dos imigrantes inquiridos apresentaram patologia psiquiátrica avaliada pelo ponto de corte do GHO-28; 40,8% apresentaram patologia psiquiátrica avaliada pelo ponto de corte do ER80 e 54,9% dos inquiridos apresentavam vulnerabilidade ao stress (ponto de corte do 23QVS). A análise estatística revelou a existência de relações estatisticamente relevantes entre o apoio social percepcionado como disponível (tanto na sua dimensão numérica como na dimensão da satisfação com o apoio social) e a saúde mental. Neste estudo verificou-se uma correlação estatisticamente relevante entre o acesso aos serviços de saúde e aos níveis de saúde mental da população inquirida. Vários factores relacionados com a vulnerabilidade da saúde mental ou maior incidência de stress foram identificados, nomeadamente a ruptura com redes de apoio familiares; condições de trabalho desfavoráveis; desconhecimento da língua portuguesa; região de residência e acesso aos cuidados de saúde em Portugal. O estudo com o grupo de controlo revelou que os imigrantes da Europa de Leste apresentam vulnerabilidade ao stress superior, níveis inferiores de apoio social percepcionado como disponível, que na dimensão número de apoiantes quês na dimensão satisfação com o apoio e um status de saúde mental inferior ao da população portuguesa.
Other Authors:
Rodrigues, Eloy; Universidade do Minho; Mourão, Paulo Reis; Universidade do Minho; Calheiros, Maria Clara; Universidade do Minho; Amorim, Carlos Abreu; Universidade do Minho; Rocha, Joaquim Freitas da; Universidade do Minho et al.
Nesta obra reúnem-se cerca de meia centena de textos que retratam, a partir de diferente experiências, perspetivas e olhares disciplinares, a forma como a pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2 foi sentida na Universidade do Minho, a primeira universidade portuguesa a ser atingida pelos seus efeitos, a partir de 7 de março de 2020. Os contributos aqui reunidos exprimem o modo como a comunidade académica se organizou para garantir o funcionamento da instituição e o cumprimento da sua missão, quer no âmbito do ensino, quer da investigação e da inovação, não dispensando uma necessária reflexão crítica sobre a nova realidade que se afirmou com a pandemia, o seu significado e os impactos da mesma na sociedade.Dado o elevado número e a diversidade dos contributos, a obra organiza-se em três volumes, que tentam dar resposta a três possíveis interrogações. Assim, o 1º volume, com o subtítulo de ‘Reflexões’, procura equacionar diferentes perspetivas em torno da questão: Mas o que é isto? Já o 2º volume, que recebe o subtítulo de ‘(Re)Ações’, corporiza um conjunto de textos que reflete as atuações em diferentes áreas da dimensão académica, elucidando quanto ao modo: Como reagimos? Finalmente, o 3º volume, que acusa o subtítulo de ‘Projeções’, dá expressão a uma inevitável pergunta: E agora? Pois, afinal, todos sabemos que isto não vai, nem pode, ficar tudo bem.
Other Authors:
Rodrigues, Eloy; Universidade do Minho; Mourão, Paulo Reis; Universidade do Minho; Calheiros, Maria Clara; Universidade do Minho; Amorim, Carlos Abreu; Universidade do Minho; Rocha, Joaquim Freitas da; Universidade do Minho et al.
Nesta obra reúnem-se cerca de meia centena de textos que retratam, a partir de diferente experiências, perspetivas e olhares disciplinares, a forma como a pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2 foi sentida na Universidade do Minho, a primeira universidade portuguesa a ser atingida pelos seus efeitos, a partir de 7 de março de 2020. Os contributos aqui reunidos exprimem o modo como a comunidade académica se organizou para garantir o funcionamento da instituição e o cumprimento da sua missão, quer no âmbito do ensino, quer da investigação e da inovação, não dispensando uma necessária reflexão crítica sobre a nova realidade que se afirmou com a pandemia, o seu significado e os impactos da mesma na sociedade.Dado o elevado número e a diversidade dos contributos, a obra organiza-se em três volumes, que tentam dar resposta a três possíveis interrogações. Assim, o 1º volume, com o subtítulo de ‘Reflexões’, procura equacionar diferentes perspetivas em torno da questão: Mas o que é isto? Já o 2º volume, que recebe o subtítulo de ‘(Re)Ações’, corporiza um conjunto de textos que reflete as atuações em diferentes áreas da dimensão académica, elucidando quanto ao modo: Como reagimos? Finalmente, o 3º volume, que acusa o subtítulo de ‘Projeções’, dá expressão a uma inevitável pergunta: E agora? Pois, afinal, todos sabemos que isto não vai, nem pode, ficar tudo bem.
This article is a result of the research project Transferencias humanas, culturales e ideológicas entre los reinos ibéricos (siglos XIII-XV), financed by the Ministerio de Economía, Industria y Competitividad (HAR2017-89398-P) and coordinated by Doutora Isabel Beceiro Pita (Instituto de Historia-CSIC) The Tudense bishopric arises in a space that, with the passing of time, will belong to two countries. The rivers Miño and Limia mark the limits of a diocese whose capital, Tui, had an important role since Roman times, with a fundamental link with Braga. Both, live the historical vicissitudes of the High Middle Ages, and their episcopal sees are restored around the same dates. After that, they tried to rebuild their cathedral buildings: first Braga, with an initial project largely destroyed around 1110 and then Tui after a period of relocation in the monastery of San Bartolomé. The multiplication of donations allows us to think that the new cathedral of Tui began around 1125, with a transept of three naves, similar to that of the cathedral of Santiago and the initial one in Braga, as well as a five-apse chevet, similar to the one proposed by the new bracarense project. These have parallels in other suffragan cathedrals of Braga: in addition to Tui, Ourense and Lamego. Along with all this, there are numerous cross-border artistic exchanges since the diocese of Tui radiates its models throughout its diocesan limits, bordering those of Braga. Bibliography Handwritten sources Tui, Archivo Catedral de Tui, Testamento del arcediano de Tui Fernandus Johannis, Becerro I, fol.131v.-132r.; ap. doc., nº I, 20 del Mayo del 1264. Tui, Archivo Catedral de Tui, Testamento de Johan Mouro, pedrero, natural de Valença, Becerro I, fols. 58v.-59r, 5 del Octubre del 1385. 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