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Development of membranes containing a controlled drug release system for ophthalmological applications
Publicaçãopor Pinão, Sílvia Raquel NevesA eficácia da administração de um fármaco depende muito da sua concentração no local a ser tratado, durante um período de tempo adequado. Hoje em dia, o método de administração de fármacos mais utilizado para muitas doenças oculares é a aplicação de colírios, embora este método seja muito ineficiente e pode levar a efeitos secundários indesejáveis. O uso de lentes de contacto como sistemas de libertação de fármacos é uma alternativa promissora, devido ao contacto prolongado com a superfície do olho, ao alto grau de conforto e à biocompatibilidade.Neste trabalho, foram desenvolvidas membranas para serem usadas como sistemas de libertação controlada de um antibiótico (moxifloxacina, MFX), partindo de quitosano e de poliacrilatos e utilizando os métodos de evaporação do solvente e de polimerização na massa, respectivamente. Três das membranas desenvolvidas foram seleccionadas para os estudos subsequentes e para carregamento de MFX: uma membrana à base de quitosano, contendo, também, gelatina, reticulada com glioxal e plastificada com poli(álcool vinílico) e poli(etileno glicol) (CBM 16) e duas membranas à base de poliacrilatos, uma preparada a partir de metacrilato de metilo (MMA), metacrilato de octadecilo (ODMA) e acrilato de 2-etil-hexilo (EHA) (ABM 4) e outra preparada a partir de MMA, ODMA, EHA e ácido metacrílico (MAA) (ABM 5). Também foi estudada a influência de uma modificação da membrana ABM 4 de três maneiras diferentes, por copolimerização enxerto utilizando radiação gama: (i) enxerto com metacrilato de 2-hidroxietilo (HEMA) empregando uma dose de radiação de 25 kGy (ABM 4.1); (ii) enxerto com metacrilato de N,N-dimetilaminoetilo (DMAEMA), empregando doses de radiação 25 e 15 kGy (ABM 4.2 e ABM 4.4, respectivamente) e (iii) enxerto com DMAEMA na presença de MFX, empregando uma dose de radiação de 15 kGy, com e sem um carregamento subsequente por soaking numa solução de MFX (ABM 4.3).Foi determinada a capacidade de inchaço, o ângulo de contacto com a água, os espectros vibracionais no infravermelho e a citotoxicidade das membranas. Os resultados mostraram que a membrana ABM 5 foi a que apresentou características mais semelhantes às de lentes de contacto comerciais.Introduziu-se MFX nas membranas mais promissoras quer por oclusão (O), quer por imersão (soaking; S), de modo a preparar sistemas de libertação controlada. Os resultados da libertação de MFX permitiram concluir que as membranas ABM 4 e ABM 5 carregadas por oclusão (ABM 4 – O; ABM 5 – O), foram as que apresentaram um maior tempo de libertação de fármaco (3 dias). Relativamente às membranas modificadas por enxerto empregando radiação gama e carregadas por imersão, concluiu-se que a membrana com o melhor resultado foi a ABM 4.4 - S, com 2 dias de libertação de fármaco e que a modificação por enxerto melhorou a libertação de fármaco quando este foi introduzido por imersão, mas piorou-a quando o fármaco foi introduzido por oclusão.