Search Results - "PD/BD/52274/2013"

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    O gesto da travessia e o contacto com o ritmo vital. Sobrevivências do ekstasis no cinema

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    by Coelho, Salomé Lopes
    Esta tese aborda o entendimento do ritmo nos discursos científicos, filosóficos e artísticos a partir do final do séc. XIX, bem como o lugar do ritmo e dos seus estudos na compreensão da arte e da organização social. Tendo assumido o estatuto de intérprete geral da modernidade, o ritmo surgiu como um termo produtivo para várias disciplinas, incluindo o cinema, a partir do qual era possível compreender astransformações em curso e, simultaneamente, modelar comportamentos e implementar novas coreografias do quotidiano. Da constelação de estudos sobre o ritmo que se desenvolvem no âmago da crítica à sociedade moderna, esta tese privilegia a ritmanálise, metodologia crítica e experimental de análise do ritmo e das suas disrupções. A partir de teorizações críticas da concepção eurocêntrica de modernidade, tal como de exercícios de ritmanálise levados a cabo em Buenos Aires, procuro avançar contributos para a complexificação desta metodologia, subsumidos na designação rutmanálise. Adopto uma concepção do ritmo como a forma do movente observada no momento da sua configuração, isto é, como fluxo em constante circulação que momentaneamente se cristaliza. No mesmo sentido, desenvolvo a ideia de um ritmo vital que se configura provisoriamente em formas artísticas. Trata-se de um fluxo atemporal e sem espaço determinado que sobrevive em formas artísticas históricas, sempre de maneiras diferentes e atravessando os tempos. Esta concepção é herdeira da noção de sobrevivência (nachleben), segundo a qual determinadas fórmulas (pathosformeln) se repetem ao longo dos tempos. A partir da análise de um corpus constituído sobretudo por filmes de Chantal Akerman e de Raymonde Carasco, argumento que o ekstasis do atravessamento ritual de mundos e do contacto com o ritmo vital - estar deslocado, fora do lugar ou de si mesmo - é o pathos que as imagens portam e transportam através do gesto fundamental da travessia. Esta, por seu turno, é constituída por uma montagem de outros gestos: o gesto de abalar e o gesto de respirar.
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