Durante o ano transacto detectamos no concelho de Bragança, mais um foco de "cancro do castanheiro", micose provocada pelo fungo Cryphonectria parasítica Murr. E And. Esta doença começou na década de 80 a ter alguma importância no nosso país, pois é difícil travar o seu desenvolvimento, quando 0 inóculo se encontra presente nas árvores.
Resumo. No Nordeste de Portugal, os bosques de Quercus pyrenaica têm sido utilizados ao longo da sua história por rebanhos de ovinos e caprinos. Neste trabalho comparam-se as características edáficas de quatro bosques pastoreados de Quercus pyrenaica Willd, distribuídos ao longo de um transepto topo-pluviométrico e sob diferentes substratos (xistos, granitos e rochas básicas). Foram avaliados os teores em carbono orgânico, azoto total, pHH2O, fósforo e potássio assimilável, assim como o teor em argila, em 11 amostras de solo colhidas a três profundidades (0-5 cm; 5-15 cm e 15-25 cm) para cada um dos quatro carvalhais em estudo. As diferenças encontradas entre os quatro carvalhais são discutidas tendo em conta a variação climática associada à altitude, tipo de rocha mãe, bem como o tipo de uso a que foram submetidos ao longo da sua história. A elevada plasticidade ecológica desta espécie e a sua convivência secular com o pastoreio traduzem-se na diversidade de funcionamento destes ecossistemas.
A importância económica dos insectos fitófagos depende do grau de artificialismo dos ecossistemas florestais. Níveis populacionais elevados de fitófagos são mais frequentes em florestas de produção intensiva do que em florestas naturais. Esta circunstância está em parte relacionada com a maior capacidade de autoregulação dos ecossistemas naturais devido à maior complexidade das cadeias tróficas. Nestes ecossistemas, o complexo de inimigos naturais (predadores, parasitóides e entomopatogéneos) normalmente mantém as populações de fitófagos abaixo dos níveis económicos de ataque. No entanto, factores abióticos e/ou bióticos podem ocasionalmente romper o equilíbrio ecológico resultando no aparecimento de níveis populacionais elevados de fitófagos (Amaro, 2003). As florestas de Quercus pyrenaica em Portugal são naturais e geralmente sofrem reduzida intervenção ao longo da sua vida. A ocorrência de populações de insectos que atinge nível de praga é assim pouco frequente. Consequentemente, estudos sistemáticos de insectos que se alimentam de Q. pyrenaica,e que podem eventualmente constituir praga, são raros(Carreras, 1987). Neste sub-capítulo, descreve-se brevemente a morfologia e o ciclo biológico das espécies fitófagas mais frequentemente referidas na literatura da especialidade que poderão ocasionalmente causar estragos e prejuízos em povoamentos de Q. pyrenaica.
A colheita e o consumo de cogumelos silvestres são práticas tradicionais em Trás-os-Montes. Nos últimos anos tem-se assistido a um aumento acentuado da recolha de cogumelos comestíveis em resultado duma crescente procura nos mercados nacional e internacional. A forma como esta actividade se desenvolve localmente não é, contudo, bem conhecida o que cria dificuldades na compreensão da sua importância económica e dos efeitos ecológicos que poderá ter nos sistemas em que é desenvolvida. Este desconhecimento torna-se particularmente crítico pelo facto da recolha de macrofungos silvestres em Portugal não obedecer a qualquer tipo de regulamentação.
Com este trabalho pretendeu-se caracterizar a actividade de recolha de cogumelos comestíveis no distrito de Bragança relativamente a espécies e quantidades, habitats, formas de recolha e transporte e valor comercial. Apurou-se que as recolhas incidem principalmente sobre Amanita caesarea, Boletus pinicola, B. edulis, B. aereus, Lactarius deliciosus, Tricholoma equestre, T. georgii, e T. portentosum. As quantidades recolhidas são geralmente inferiores a 5 kg/colector/dia observando-se no global um maior peso das recolhas superiores a 5 kg/colector/dia. As espécies são recolhidas em ecossistemas florestais de e em sistemas agro-florestais. A recolha de cogumelos não constitui a actividade principal dos colectores.
Os carvalhais autóctones são um património natural de muito valor. Desempenham importantes funções de conservação do solo e da água, da biodiversidade, da paisagem natural, e na melhoria do edafo-clima, para além de fornecerem importantes recursos lenhosos e não-lenhosos para diversos fins. Paralelamente com a conservação e protecção do ambiente e da natureza, contribuem para uma satisfação sócio-económica das populações a partir de actividades como a caça, o turismo, a produção de madeira, pelo que se requer actualmente uma gestão moderna deste recurso natural. Com a adopção de adequadas práticas de gestão florestal é possível a obtenção sustentada de bens e serviços por parte dos carvalhais de Quercus pyrenaica, e sua valorização, sem que haja a degradação constante e progressiva a que se tem assistido. O modo de gestão adoptado além de considerar aspectos sociais e económicos deverá, também, respeitar o equilíbrio biológico e constitutivo do ecossistema. Requer-se, pois, um uso mais equilibrado e racional deste recurso, mantendo o meio físico e biológico, respeitando a sua integridade e renovação. Por outro lado, esta postura permite também uma adequada integração dos bosques no contexto sócio-económico, indo ao encontro das expectativas da sociedade e respondendo a uma maior percepção da importância das suas funções. Conjuntamente, da valorização do material lenhoso produzido decorrerá uma maior recuperação dos ecossistemas naturais, uma maior racionalização entre o desenvolvimento florestal e a conservação harmoniosa dos recursos naturais, com reflexos ambientais positivos. O presente livro procura, por um lado, dar a conhecer a importância dos bosques de carvalho-negral (Quercus pyrenaica Willd.), o seu valor natural, económico, social e, por outro lado, fornecer alguns elementos para a sua gestão nas suas múltiplas funções e usos. Dirige-se a todos os que, de um modo ou outro, mostram interesse e curiosidade sobre os carvalhais, e reconhecem a sua importância. Destina-se a produtores florestais, ecologistas, silvicultores, industriais da madeira, engenheiros civis e arquitectos, e ao público em geral.Deste modo, são abordados diversos assuntos, tratados com diferentes níveis de linguagem e profundidade de modo a reflectir interesses, abordagens e especialidades distintas. Constitui um contributo para um melhor conhecimento da espécie em diferentes matérias. Procura dar uma visão da posição geral dos carvalhais da espécie no meio natural e no espaço biogeográfico, das componentes biótica e abiótica do ecossistema, das suas funções, formas de aproveitamento e produtos, bem como dos modos de gestão dos mesmos para diferentes finalidades. O primeiro capítulo descreve a espécie no que se refere a aspectos botânicos, morfológicos e fenológicos. Segue-se uma descrição da sua ocorrência e distribuição territorial, com referência à adaptação ecológica da espécie. O terceiro capítulo aborda o ecossistema carvalhal, sua evolução no tempo, suas principais componentes, interacções e dinâmicas. O quarto capítulo trata da madeira, um produto de aproveitamento mais directo e generalizado. Descrevem-se as características estruturais da madeira, suas propriedades químicas, físicas,mecânicas e tecnológicas; adequados processos de transformação e preparação para uso industrial; classificação por qualidade, modo de valorização e potenciais utilizações. O quinto capítulo menciona as técnicas e cuidados de instalação de povoamentos de carvalho, passando pela obtenção de sementes e produção de plantas de qualidade. O sexto capítulo, trata dos sistemas silvícolas e da condução cultural dos povoamentos, fornecendo indicações acerca do crescimento e produção dos povoamentos. O capítulo sete indica alguns insectos e fungos que podem causar danos às árvores da espécie, apontando os principais meios de controlo e protecção. Por último, faz-se indicação de algumas árvores monumentais de carvalho-negral em Portugal.