Este artigo objetiva analisar os modos pelos quais a crítica literária em relação ao que é considerado por primeiro romance de cunho homossexual no Brasil, “Bom-crioulo” (1895, de Adolfo Caminha), se metamorfoseou ao longo dos anos. Em uma perspectiva patológico-biologizante de fins do século XIX, o romance foi considerado pela crítica como uma representação da degeneração homossexual e negra, tendo pela figura do personagem principal do romance a imagem da decadência social. No entanto, a partir da ascensão dos Estudos Culturais e da consolidação dos movimentos minoritários, na segunda metade do século XX, as análises passam a compreender novos vieses e interpretações para o romance, que consideram os paradoxos do Naturalismo do século XIX e entendem novas vozes de empoderamento, no próprio texto, em relação ao homossexual negro.
Este artigo objetiva analisar os modos pelos quais a crítica literária em relação ao que é considerado por primeiro romance de cunho homossexual no Brasil, “Bom-crioulo” (1895, de Adolfo Caminha), se metamorfoseou ao longo dos anos. Em uma perspectiva patológico-biologizante de fins do século XIX, o romance foi considerado pela crítica como uma representação da degeneração homossexual e negra, tendo pela figura do personagem principal do romance a imagem da decadência social. No entanto, a partir da ascensão dos Estudos Culturais e da consolidação dos movimentos minoritários, na segunda metade do século XX, as análises passam a compreender novos vieses e interpretações para o romance, que consideram os paradoxos do Naturalismo do século XIX e entendem novas vozes de empoderamento, no próprio texto, em relação ao homossexual negro.
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Este trabalho pretende apresentar uma análise do herói negro no romance Bom Crioulo, escrito por Adolfo Caminha. A obra em análise foi publicada em 1895 e seu herói foge aos moldes da época, sendo um dos primeiros heróis negros da literatura brasileira. O romance em estudo insere-se no contexto do Naturalismo, além de possuir um protagonista negro, trata do amor homossexual, fazendo de Amaro o primeiro herói homossexual da literatura deste país. Trata-se de uma relação tabu não apenas por ser uma relação homossexual, mas também porque é uma relação entre um homem negro e um rapaz branco muito mais jovem. Este estudo relaciona informações sobre o autor e o contexto do Naturalismo. O trabalho tem como objetivos apresentar uma definição teórica para herói e desenvolver um estudo sobre a construção do herói negro na obra, através da análise da construção da personagem, de sua trajetória, da problemática da relação homoerótica e o amor entre dois homens.