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  1. 1

    Para uma arqueologia crítica da arquitetura

    Publication
    by Ginja, António Luís Domingues
    Consagrados no atual enquadramento legislativo o património arquitetónico enquanto património arqueológico, e a estratigrafia da arquitetura enquanto trabalho arqueológico, a arqueologia da arquitetura alcançava, entre a publicação da lei de bases do património cultural, em 2001, e a promulgação do regulamento de trabalhos arqueológicos, em 2014, o devido reconhecimento institucional também em Portugal, que assim se juntava à aceitação científica de que a disciplina gozava já em vários outros países. Desde então, a arqueologia da arquitetura tem decorrido no país de condicionantes impostas pela tutela dos bens culturais, como medida de salvaguarda ao património arquitetónico, a aplicar quando o mesmo se encontre, no âmbito de projetos de reabilitação urbana, em risco de sofrer afetações. A arqueologia da arquitetura, com efeito, encontra-se há décadas investida de ferramentas metodológicas que, embora passíveis de melhorias, permitem detetar e descodificar os mais diversos processos construtivos, configurando-se, como tal, de grande utilidade para a sustentabilidade do património arquitetónico a reabilitar.Não obstante, a interpretação subjetiva dos termos da lei, o problemático faseamento destinado à aplicação da arqueologia da arquitetura e a ainda deficitária preparação dos técnicos responsáveis pela sua aplicação, conduzem a arqueologia da arquitetura a préstimos circunstanciais e a resultados erráticos, que, na prática, podem até concorrer para o conhecimento científico do edificado histórico, mas pouco contribuem para a sua efetiva salvaguarda. No momento em que a preservação e a autenticidade da identidade cultural e o potencial económico inerentes ao património arquitetónico se configuram cada vez mais como prioridades políticas, importa perceber as causas para o ainda débil contributo da arqueologia da arquitetura em Portugal, bem como apontar caminhos para a resolução dos aspetos que ainda cerceiam o seu potencial contributo científico.Simbólica e fenomenologicamente carregado, o património arquitetónico não pode hoje, contudo, ser entendido apenas como o resultado de um processo construtivo, senão também como a materialização de intenções sociais e estéticas. A sua interpretação científica carece, como tal, tanto de análises arqueológicas, quanto de diagnósticos histórico-artísticos, motivo pelo qual a presente dissertação, rumo a uma estratégia de salvaguarda patrimonial mais justa e holística, investe na síntese da epistemologia e dos métodos próprios da arqueologia, já legalmente reconhecidos, com a teoria e as técnicas próprias da história da arte. Da abertura dos métodos da arqueologia aos pressupostos científicos de disciplinas com que partilha objetos de estudo, reside, com efeito, a chave para uma transdisciplinaridade que transforme finalmente a arqueologia da arquitetura numa verdadeira ferramenta de salvaguarda e de valorização do património arquitetónico português.Dividida em cinco capítulos, a presente dissertação parte da problematização dos conceitos de intervenção e de reabilitação de legados arquitetónicos, enquanto resultados de circunstâncias de apreciação estética, e, como tal, enquanto agentes ativos da própria história, para questionar o contributo da estratigrafia arquitetónica na adoção das distintas estratégias projetadas para a arquitetura a reabilitar. Da herança estratigráfica da arqueologia, encaminha-se para as conjeturas que conduziram à afirmação da arquitetura enquanto documento passível de interpretação arqueológica. Reflete sobre o acolhimento e a rejeição da arqueologia da arquitetura, para discorrer sobre os enquadramentos institucionais e legislativos que conduziram à sua afirmação em Portugal. Segue da consagração da arquitetura como património arqueológico, para, elencando os principais problemas da arqueologia da arquitetura, dissertar sobre possíveis caminhos para melhorar o seu desempenho no domínio científico e enquanto ferramenta de salvaguarda para o legado arquitetónico português.
    2023 doctoral thesis Portugal open access
  2. 2

    The “Medieval House” of Coimbra: Archeology of architecture in the demystification of archetypes

    Publication
    by Ginja, António
    Located in the old medieval outskirts of Coimbra, a residential building has traditionally been named "medieval house”, due to its architecture, consistent with what was in vogue in Portuguese cities of the late medieval period. However, the opening of parietal archaeological surveys in the building revealed techniques, materials and construction systems which were used right until the eighteenth century. The archaeological interpretation and the art-historical analysis of the architecture of the “medieval house” of Coimbra offer a unique opportunity to reflect on some architectural paradigms. Comparing it with other buildings and with iconographic sources, its chronotypology will be analized and the diachrony of the constructive models adopted in this house will be demonstrated. Questioning its chronological epithet, the persistence of certain habits and constructive archetypes will be explored, as well as the tension between private and public spaces, deepened by living and working in the same place.
    2019 book part Portugal open access
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    The custodian itinerary of heritage in Portugal: Towards the archaeology(ies) of historic architecture

    Publication
    by Ginja, António
    The end of 2023 witnessed the start of a new custodian of cultural heritage in Portugal, Património Cultural, I.P. From the archaeology of architecture’s perspective, as a condition imposed by the custodian on projects affecting architectural heritage, the new organisation inherits a long history, marked by moments of rapprochement and estrangement between the administrations of archaeological and architectural heritage. Using the legislation on these specialities, this article seeks to understand the itinerary of the custodian(s) of archaeology and architecture in Portugal, in order to fulfil two objectives. Firstly, to understand how architectural heritage has come to be perceived as an archaeological document, in order to discern the conditions that have led the custodian(s) to demand archaeology of architecture interventions. Secondly, to analyse the different attitudes towards the application of archaeology to architectural heritage over time, to try to uncover the possibilities for the future of archaeology of architecture in the country, at a time when a new custodian is being inaugurated.