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Seqüências de (oclusiva alveolar + sibilante alveolar) como um padrão inovador no português de Belo Horizonte
Publicationby Camila Tavares LeiteOrigin: OasisbrO presente trabalho avalia a ocorrência de seqüências de (oclusiva alveolar + sibilante alveolar não vozeada) - ts, ds - em contextos concorrentes com as seqüências de (africada alveopalatal + vogal i + sibilante alveolar não vozeada) - tis, dis - no português falado na cidade de Belo Horizonte. Esta dissertação utiliza como base teórica as teorias do Modelo de Exemplares, da Fonologia de Uso e da Fonologia Articulatória. O corpus utilizado para análise é constituído de dados de 16 informantes universitários 4 do sexo masculino e 4 do sexo feminino com idade até 25 anos, 4 do sexo masculino e 4 do sexofeminino com idade acima de 35 anos. Os dados foram submetidos à análise estatística no programa Minitab versão 14. Os resultados da análise estatística com relação aos fatores estruturais apontam para uma maior tendência à ocorrência da variante inovadora quando aoclusiva alveolar é não vozeada, isto é, t, e quando a seqüência avaliada encontra-se nas bordas da palavra. Os resultados referentes ao fator freqüência corroboram a proposta da Fonologia de Uso de que em casos de mudança foneticamente graduais, as palavras maisfreqüentes mudam primeiro. A análise do fator palavra mostrou que, embora o fator freqüência seja importante, ele não garante a realização do padrão inovador. O comportamento individual das palavras indica que a mudança é lexicalmente gradual apresentando diferentes taxas de variação dentro de um mesmo grupo de palavras, sejamfreqüentes ou infreqüentes. Quanto aos fatores não estruturais, observou-se que o fator sexo influencia a realização do padrão inovador: as mulheres tendem a ser mais conservadoras no que diz respeito à variação em questão. Os resultados referentes ao fator idadeapresentam indícios de que pode se tratar de uma mudança em progresso: os participantes mais jovens têm uma maior taxa de realização da forma inovadora que os participantes mais velhos. A análise do fator indivíduo também é realizada e mostra que o comportamento individual é mais homogêneo que o comportamento do grupo. Os dados foram ainda submetidos à análise acústica no programa Praat. Os resultados obtidos mostram que há gradualidade fonética entre a realização das variantes plenas tis, dis e a realização das variantes inovadoras ts, ds, o que condiz com a proposta da Fonologia de Uso e da Fonologia Articulatória. Os resultados também apontam para a importância da variabilidade na fala e da incorporação do detalhe fonético na análise lingüística, um dos pontos do Modelo de Exemplares. -
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O alçamento da vogal média anterior pretônica no português brasileiro: uma abordagem no modelo de redes
Publicationby Liliane Pereira BarbosaOrigin: OasisbrEsta pesquisa pretendeu pesquisar o alçamento pretônico no PB, na perspectiva cognitiva do Modelo de Redes (BYBEE, 1985, 1995, 2007, 2010), com contribuições teóricas adicionais da Fonologia de Uso (BYBEE, 1988, 1994, 1999, 2001, 2006) e do Modelo de Exemplares (PIERREHUMBERT, 1994, 2001a, 2001b, 2002, 2003, 2012). A fim de observar o alçamento pretônico em detalhes, o objeto de estudo restringiu-se às vogais médias anteriores na morfologia verbal. Argumentamos que são as formas verbais flexionadas que permitem a categorização verbal e que a equivalência paradigmática entre as vogais [E}, [e] e [i] em posição tônica nas formas verbais flexionadas oferece a possibilidade de essa alternância ser propagada para a posição pretônica no PB. A avaliação da distribuição da alternância entre as vogais médias anteriores e a alta anterior mostrou padrões morfofonológicos no sistema verbal do PB. Os padrões morfofonológicos apontaram-nos graus de similaridade entre as categorias. Da similaridade e equivalência paradigmática emergiram redes morfofonológicas estabelecidas entre os verbos com base em três tipos de conexões: morfofonológicas, morfológicas e fonológicas. Essas conexões indicaram a organização dinâmica e a auto-organização do paradigma verbal do PB. A partir da análise dos efeitos de frequência, sugerimos que o alçamento pretônico é operado por mecanismos analógicos, que afetam inicialmente os itens lexicais de baixa frequência, e, por mecanismos de motivação fonética, afetam, posteriormente, os itens lexicais de alta frequência originalmente associados ao alçamento das vogais postônicas finais. Esses dois tipos de mecanismos acarretam uma convergência de padrões de difusão lexical. Conclui-se que o alçamento pretônico no PB pode ser descrito como um fenômeno dinâmico e complexo, que interage em vários níveis da organização gramatical. Além disso duas forças convergentes atuam no processo de alçamento pretônico: motivação analógica e motivação fonética, o que justifica a instabilidade e dificuldade de regularização do fenômeno como um todo. . -
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A percepção das vogais médias posteriores no português brasileiro
Publicationby Daniel Marcio Rodrigues SilvaOrigin: OasisbrNo português brasileiro são atestados pares mínimos estabelecendo o contraste entre vogais médias abertas e vogais médias fechadas na sílaba tônica. Entretanto, há casos em que estas duas categorias variam neste mesmo contexto sem conseqüências semânticas. O objetivo deste trabalho foi verificar se este fenômeno se reflete nas representações armazenadas na memória de longo prazo e empregadas nos processos perceptivos. Para isto, o contraste entre as vogais médias posteriores [o] e [] e o contraste entre [o] e [u] (sendo o estatuto fonológico do último isento de dúvidas) foram comparados em relação aos resultados obtidos por doze falantes do Português Brasileiro em uma tarefa de classificação de vogais ao longo de um continuum [u]-[o]-[] e ao grau em que estes mesmos resultados prevêem os resultados nas tarefas de discriminação. Duas tarefas de discriminação de sons da fala foram usadas: a tarefa 2AFC, que encoraja estratégias classificatórias baseadas em categorias armazenadas na memória, e a tarefa 4I2AFC, que encoraja estratégias baseadas na informação acústica. A média dos coeficientes de inclinação da curva representando a proporção da resposta foi significativamente menor que a média dos valores correspondentes à resposta u. Numa análise entre-sujeitos, foi observada uma relação mais estreita entre os resultados da tarefa de classificação e da tarefa 2AFC no continuum [u-o] que no continuum [o-]. Os resultados são interpretados como indícios de que as representações das vogais [o] e [] são menos distintas entre si que as representações das vogais [o] e [u]. -
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A emergência de consoantes finais no português brasileiro na microrregião de Araguaína/ Tocantins
Publicationby Alessandra Mara de AssisOrigin: OasisbrEste estudo tem por objetivo principal investigar a emergência de consoantes em final de palavras no Português Brasileiro (doravante PB) falado na região de Araguaína / TO. Tipicamente, o PB apresenta restrições em relação às consoantes que podem ocorrer no final de palavras conforme destacam, por exemplo, Câmara Jr. (1970), Bisol (1999), Cristófaro-Silva (2010) e Battisti (2014). Para estes autores somente as consoantes /N, R, S, l/ podem ocorrer em posição de final de palavras no PB. Entretanto, vários trabalhos indicam que outras consoantes, além de /N, R, S, l/, estão sendo atestadas em final de palavras no PB. Portanto, a primeira pergunta que este estudo pretende responder é: o que motiva a emergência de consoantes finais no PB? Investigou-se os contextos antecedentes e seguintes às consoantes que emergem em final de palavra.Este estudo pretendeu também investigar como os níveis segmental e prosódico, são afetados a partir da emergência de diversas consoantes em final de palavras no PB. Assim, a segunda pergunta de pesquisa é: como se dá a reorganização segmental e prosódica diante da emergência de consoantes finais? A perspectiva teórica adotada é a dos Sistemas Adaptativos Complexos (LARSEN-FREEMAN 1997; LARSEN-FREEMAN e CAMERON 2008; BECKNER, BLYTHE, BYBEE, CHRISTIANSEN, CROFT, ELLIS, HOLLAND, LARSEN-FREEMAN, SCHOENEMANN 2009). A principal meta teórica deste estudo foi discutir as diversas relações que atuam na implementação da emergência de consoantes finais no PB. A metodologia é pautada na Fonologia de Laboratório (BROWMAN E GOLDSTEIN, 1990; BYBEE, CHAKRABORTI, JUNG E SCHEIBMAN, 1998) e tem caráter experimental. Foram realizados dois experimentos para verificar o apagamento da vogal átona final e a emergência de consoantes. O Experimento 1 analisou palavras produzidas isoladamente e o Experimento 2 analisou os mesmos itens lexicais colocados em contextos alternativos seguidos de vogal ou de consoante. Os resultados obtidos sugerem que a emergência de consoantes em final de palavras no PB é implementada gradualmente a partir de percursos ou trajetórias específicas. -
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The open post-tonic high front vowel in trochaic bisyllables: a study of native speaker and english learner corpora
Publicationby Rubens Souza da CunhaOrigin: OasisbrEste é um estudo fonético baseado em três córpora orais, dois deles em língua inglesa, sendo um de norte-americanos, falantes nativos e outro de aprendizes brasileiros avançados (o SBCSAE e o LINDSEI-BR, respectivamente). O terceiro corpus é de português brasileiro espontâneo (o C-ORAL-BRASIL). Pesquisa-se, especificamente, a realização ou não e os padrões de duração e segundo formante da vogal alta anterior final, [:]#, em inglês, em dissílabos trocaicos, como happy e study e comparam-se os resultados com os de palavras análogas portuguesas, e.g., gente, na fala de brasileiros. O projeto para esta tese teve origem em uma persistente impressão de que falantes nativos da língua inglesa consistentemente produzem [:]#, mesmo na fala mais espontânea. Essa impressão contrasta com o que aparentemente ocorre na fala de brasileiros em inglês e também no português normalmente falado no Brasil. Em ambos os casos, o [:]# frequentemente parecia ser muito curto ou simplesmente não realizado. Os resultados obtidos indicam que o SBCSAE realmente apresenta consistentemente a realização de [:]#, mas que há grande variação na duração da vogal, tendo esta oscilado entre 33 e 124 ms nas análises feitas (a variação foi ainda maior no LINDSEI-BR). Os falantes do LINDSEI-BR não realizaram [:]# em 10 palavras entre 32 analisadas. Em todas essas 10 palavras há uma relação articulatória entre a consoante intervocálica que precede o [:]# e o som que imediatamente segue essa vogal. Quando esses dois sons representam um mesmo fonema, o [:]# frequentemente é eliminado, e.g., (/r/ [:]# /r/), em ver(y) rich; (/l/ [:]# /l/), em reall(y) like. Por outro lado, pausas seguintes parecem ter grandemente favorecido a realização da vogal livre no LINDSEI-BR. e.g., She was very Em relação ao português brasileiro, os dados obtidos no C-ORAL-BRASIL sugerem que as expectativas sobre o [:]# devam ser reajustadas para um padrão específico: O comportamento mais observado no C-ORAL-BRASIL foi a não-realização do [:]#, e.g., a palavra gente foi produzida mais frequentemente como [et] do que como [e.t:]. Uma redução ainda maior nas palavras pesquisadas foi observada em alguns casos, aparentemente provocada por grande distância entre duas sílabas tônicas. Em um dos exemplos (redução silábica), Sabe que que é? foi simplificado de Sa-be-que-que-é? para Sa-que-q'jé? -
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A contribuição da prosódia e da qualidade de voz na expressão de atitudes do locutor em atos de fala diretivos
Publicationby Horacio dos Santos QueirozOrigin: OasisbrO objetivo deste trabalho é investigar a contribuição da prosódia e de aspectos paralinguísticos da qualidade de voz na expressão de atitudes do locutor em três atos de fala diretivos: o pedido, a súplica e a ordem. A análise prosódica fundamentou-se principalmente no comportamento dos parâmetros acústicos de frequência fundamental (f0) e duração. A análise da qualidade de voz, por sua vez, baseou-se nas medidas espectrográficas das amplitudes dos harmônicos (H1 e H2) e nas medidas das amplitudes dos harmônicos dos formantes (A1, A2 e A3), medidas que foram correlacionadas às fonações modal (modal voice), soprosa (breathy voice) e crepitante (creaky/fry voice). No nível pragmático, o trabalho explora os princípios teórico-metodológicos da Teoria dos Atos de Fala (TAF). A interpretação e a descrição dos padrões prosódicos que caracterizam os atos de fala diretivos foram relacionadas principalmente à noção de força ilocucionária e as seis operações que podem alterar as forças ilocucionárias de alguma maneira. O resultados demonstram que informações prosódicas e paralinguísticas possibilitam a descrição e caracterização de padrões específicos relacionados aos atos diretivos (função modal), bem como permitem a caracterização de diferentes modos de realização dentro de uma mesma categoria de diretivo, isto é, subclasses de pedidos, de ordens e de súplicas, que podem ser associadas, no caso da prosódia, ao tipo de padrão melódico, às diferenças nas durações, às amplitudes das variações de f0 e tessitura, e, no caso das informações paralinguísticas, ao comportamento das medidas espectrográficas, demonstrando serem a prosódia e a qualidade de voz elementos fundamentais para definição do modo de realização efetivo do ato ilocucionário. Além disso, os resultados evidenciam que as diferentes estratégias prosódicas e paralinguísticas também atuam fortemente como índices na expressão de atitudes (função atitudinal), demonstrando serem componentes essenciais das estratégias comunicativas do locutor, que podem ser analisadas, p r um lado, pelas informações de natureza prosódica e, por outro lado, pela lógica ilocucionária, que contempla aspectos de natureza sintática, semântica e pragmática, permitindo, assim, a investigação e a descrição de possíveis relações, contingentes e específicas, entre prosódia e atitude do locutor. -
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Variation and change in the rhotics of brazilian portuguese
Publicationby Iiris Emilia RennickeOrigin: OasisbrO objetivo desta tese é descrever o status e classe fonológicos dos róticos no português brasileiro (PB) falado em Minas Gerais, explorar os fatores que causam mudança sonora, e discutir a direção da mudança. A hipótese adotada é a de que mudanças em vários sub-sistemas da língua contribuem para uma trajetória geral de mudança sonora que atua principalmente através da redução atriculatória e realinhamentoarticulatório em palavras e construções frequentes no uso (conformeprevisto pelos Modelos de Exemplares). A premissa desta tese é que a língua é um Sistema Adaptativo Complexo que consiste em vários sub-sistemas em constante mudança, podendo contribuir simultaneamente para mudanças graduais no sistema como um todo.Entrevistas semi-estruturadas e uma tarefa de preenchimento de lacunas foram realizadas com 14 falantes do Sul e Centro-Oeste de Minas Gerais, gerando no total 7,765 contextos para róticos. Os róticos do PB incluem vibrantes, tepes, fricativas, aproximantes e aproximantes aspiradas em ponto de articulação alveolar, palatal, retroflexo/arqueado, uvular, e glotal. O cancelamento dos róticos também é frequente.Os róticos do PB seguem duas trajetórias de lenição divergentes: uma anterior (alveo-palatal) e uma posterior (uvular e glotal). Ambas as trajetórias podem resultar no cancelamento. Fatores que promovem a lenição incluem a posição postônica, adjacência à fricativa desvozeada [s] e/ou as vogais altas [i I u U], e a posição final de sílaba, que apresenta mais variantes enfraquecidas e cancelamentos de róticos do que qualquer outro contexto. Portanto, a mudança sonora tem começado a generalizar-se nestes atratores, e poderá avançar para outros ontextos róticos. Os róticos do PB são mais bem definidos como uma rede de relações familiares específicas de uma língua, em que cadeias de reduções e realinhamentos articulatórios estabelecem ligações históricas entre variantes sincronicamente distantes. Como uma classe, os róticos são articulatoriamente e foneticamente não-especificados quanto a traços distintivos, e a sobreposição fonética entre conitextos fonológicos faz com que o contraste entre variantes seja incompleto. Por este motivo, a representação fonológica dos róticos baseia-se em categorias posicionais sem limites nítidos que abrangem formas fonéticas variadas, e que são constantemente atualizadas em uso. -
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A redução segmental em sequências #(i)sC no português brasileiro
Publicationby Matheus Freitas GomesOrigin: OasisbrO objetivo desta dissertação é investigar a redução segmental variável em sequências iniciais do tipo #(i)sC no português falado em Belo Horizonte, em palavras como escola [iskl] ~ [skl] ou skate [iske] ~ [ske]. É avaliado como a redução segmental é implementada e sua relação com diferentes tipos ortográficos. Sobre a implementação da redução segmental, pretende-se demonstrar que a reorganização do padrão silábico em #(i)sC se dá de maneira gradiente e com impacto lexical. Sobre os efeitos dos tipos ortográficos, é avaliado como diferentes padrões ortográficos se relacionam a diferentes graus de redução de #(i)sC. Foram consideradas neste estudo palavras com sequências iniciais do tipo #(i)sC com dois padrões ortográficos distintos: #ESC, previsto pelo sistema de escrito do português, ou #SC, correspondente a empréstimos. Foi utilizado como aporte teórico a Teoria de Exemplares (JOHNSON, 1997; PIERREHUMBERT, 2001) e modelos que integram conhecimento ortográfico e representação fonológica (LEVITT, 1979; TAFT, 1982; MATTINGLY, 1992; SILVEIRA, 2017; HAMANN; COLOMBO, 2017). Metodologicamente esta dissertação pauta-se nos pressupostos da Fonologia de Laboratório (PIERREHUMBERT; BECKMAN; LADD, 2011 [2000]). Foram examinados 1.440 dados provenientes da gravação de 30 palavras por 24 informantes de Belo Horizonte em três análises. A primeira análise investigou a ocorrência ou não da vogal em sequências #(i)sC, considerando os seguintes fatores: o tipo ortográfico, o item lexical, o sexo e o indivíduo. Nessa análise, observou-se que o padrão ortográfico #SC desfavorece a ocorrência da vogal inicial, em detrimento do padrão #ESC. Observou-se, ainda, que cada item lexical apresentou taxas particulares de ocorrência da vogal, indicando gradualidade lexical na implementação do fenômeno. A segunda análise investigou a duração da vogal e da sibilante em sequências #(i)sC. Para a duração da vogal, os seguintes fatores foram considerados: o tipo ortográfico e o item lexical. Para a duração da sibilante os seguintes fatores foram considerados: a ocorrência da vogal, a duração da vogal e o tipo ortográfico. Em palavras #SC a vogal inicial tem menor duração do que em palavras #ESC. Foi atestado o alongamento da sibilante em contexto de redução segmental. A terceira análise investigou a qualidade da vogal em sequências #(i)sC, considerando-se o tipo ortográfico. A vogal [i] em palavras #SC tem área vocálica significativamente menor do que a vogal [i] em palavras #ESC, apresentando qualidade mais centralizada. Os resultados desta dissertação oferecem evidências para a interpretação de fenômenos de variação e de mudança sonoras como fenômenos de implementação lexical e foneticamente gradual. Fortalece-se também o posicionamento a favor da inclusão do fator ortografia em análises fonológicas. -
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Aquisição e variação estruturada de encontros consonantais tautossilábicos
Publicationby Izabel Cristina Campolinba MirandaOrigin: OasisbrEste trabalho descreve a aquisição dos encontros consonantaistautossilábicos do tipo (obstruinte + tepe) e investiga a variação entre sílaba CCV e CV na fala de crianças com aquisição completada, tendo a Fonologia de Uso, a Teoria de Exemplares e a Teoria social-pragmática de aquisição de linguagem como referenciais teóricos. Nessas abordagens, assume-se que a representação mental é composta por múltiplos exemplares e que o desenvolvimento do sistema fonológicoda criança ocorre de forma gradual. Considera-se que o processo de aquisição é construído, sendo a estrutura lingüística emergente do uso.Para a investigação da aquisição do encontro consonantal, os dadosforam coletados transversalmente e longitudinalmente, utilizando-se osprocedimentos de nomeação de figuras e repetição. Para a investigação da variação entre sílaba CCV e CV, realizou-se os procedimentos nomeação de figuras, repetição, reconto de estórias e interação utilizando-se um jogo da memória. Os resultados apontam evidências de gradualidade fonética e lexical na aquisição do encontro consonantal. Com relação ao cancelamento do tepe do encontro consonantal tautossilábico na fala de crianças com aquisição completada,os fatores indivíduo, palavra, tonicidade, tamanho e freqüência da palavra foram considerados relevantes. Este trabalho tem caráter inovador, na medida em que expande as concepções tradicionais sobre o modo como a criança adquire uma língua e pondera sobre a aquisição de padrões sonoros variáveis. -
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Análise do fenômeno da declinação na entonação de sentenças declarativas isoladas dos falantes do português brasileiro
Publicationby Karine Kellvia de SouzaOrigin: OasisbrEste trabalho teve como objetivo principal analisar a ocorrência do fenômeno da declinação da freqüência fundamental em sentenças declarativas isoladas pronunciadas por falantes do Português Brasileiro de Belo Horizonte. A declinação é caracterizada como o declínio gradativo dos valores de F0 ao longo de um enunciado. Trata-se, pois, de um estudo experimental que investiga a declinação sob o ponto de vista fonético, como fenômeno comumente observado em diversas línguas por meio da análise qualitativa e quantitativa de 260 sentenças proferidas por 13 informantes. Elegeu-se duas grandes variáveis paraconstrução do corpus, quais sejam: i) sentenças declarativas com ii) extensão curta e longa. A hipótese levantada, consoante à literatura, foi a de que a declinação em sentenças longas fosse menor que nas curtas. Os dados valores de freqüência fundamental em relação ao tempo foram coletados com o auxílio do programa de análise acústica Winpitch e submetidos a uma análise de regressão linear. Os resultados asseguram a ocorrência do fenômeno tanto nas sentenças declarativas curtas quanto nas longas, sem, contudo evidenciar diferença entre elas,o que não esteve de acordo com a hipótese inicial levantada pela pesquisadora. O presente estudo não apenas atesta a relevância do fenômeno da declinação e o seu comportamento como uma tendência da língua, mas, sobretudo assegura a presença da declinação emsentenças declarativas isoladas curtas e longas, independente de sua extensão, concepção defendida por muitos, de que o fenômeno é mais bem percebido nas sentenças curtas.
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