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  1. 1

    Therapeutic application of Argonaute-2 to enhance neurovascular repair and inflammatory restitution in stroke

    Publicação
    por Pereira, Marta Sofia Machado
    Origem: uBibliorum
    Stroke is the leading cause of death and adult disability in Portugal and the second cause of death worldwide. In the coming years, this health condition will worsen due to the increase in average life expectancy and the increase in the number of individuals with risk factors for stroke. Currently, the recommended treatment for stroke patients is the intravenous thrombolysis therapy (with alteplase or endovascular thrombectomy), although it has limited efficacy due to the narrow therapeutic window where it can be applied without causing hemorrhagic transformations, limiting the benefit to many patients and highlighting the need to develop alternative and safer therapies. The development of strategies aiming to potentiate endogenous neuroprotective mechanisms has emerged as a safe alternative to thrombolysis, however, these approaches have undervalued the importance of the cerebral vasculature in the post-stroke recovery. Previously, it was demonstrated that cerebral vascular remodeling is correlated with higher survival rates and improved long-term neurological function in stroke patients. Accordingly, in this research work, it was proposed the modulation of the Argonaute (Ago)-2 endogenous mechanism to enhance the brain vascular function compromised by cerebral ischemia and, consequently, contributing to full parenchymal recovery after a stroke. Besides being the major coordinator of microRNA traffic and activity, Ago2 protein is pivotal for cell survival and tube network formation in peripheral endothelial cells. However, these mechanisms and the role of Ago2 in the ischemic brain vasculature remain unknown. In this sense, the potential of this protein in the inflammatory process was first assessed. This pathological process is one of the most important post-stroke pathological events that can lead to short-term mortality or promote long-term disability. Accordingly, in vitro (mouse primary brain cultures of endothelial and glial cells stimulated with lipopolysaccharide) and in vivo (adult mice intraperitoneally injected with lipopolysaccharide) data revealed that exogenous Ago2 application (downregulated in brain vasculature in these conditions) normalized endothelial markers associated with inflammatory-induced damage which, in turn, reestablished previously compromised glial and neuronal function. Then, after confirming the potential of Ago2 for cerebral ischemia studies, a strategy to enhance the Ago2 intracellular levels (also downregulated in the ischemic context) and to promote endothelial cell survival was defined. The controlled release of retinoic acid (a signaling molecule with defined anti-inflammatory and pro-angiogenic properties) via polymeric nanoparticles arose as a promising approach. In vitro data (mouse primary brain cultures of endothelial cells subjected to oxygen and glucose deprivation) revealed the protective potential of RA-NP in ischemic conditions, only observed by restoring basal levels of Ago2 protein (an effect mediated by the nitric oxide signaling), highlighting the importance of Ago2 in vascular function. Additionally, in vivo data (adult mice subjected to transient occlusion of the middle cerebral artery) showed that the systemic administration of this formulation promoted tissue survival, normalized inflammatory response, and promoted neurovascular repair (with a robust pro-angiogenic effect) in the peri-infarct region after stroke. However, further studies are needed to establish a correlation between the observed in vivo outcome and the Ago2 protein, and of RA-NP treatment and to decipher interactions between this protein and retinoic acid. Altogether, the experimental research developed throughout this Thesis provided evidence that the modulation of the Ago2 endogenous mechanism can be envisioned as a neuroprotective approach in post-stroke recovery. Furthermore, it revealed a safe nanotechnological tool able to modulate this system, suitable for intravenous administration, and compatible with pre-existing therapies.
    2023 tese de doutoramento Portugal acesso aberto
  2. 2

    Efeito neuroprotector de diferentes tipos de pré-condicionamento e insultos isquémicos

    Publicação
    por Esteves , Blandina Isabel Oliveira
    Origem: uBibliorum
    O cérebro requer um fornecimento contínuo de oxigénio e glucose para manter a sua fun-ção. A actividade neuronal depende principalmente da disponibilidade de oxigénio, pelo que, re-quer o contínuo aprovisionamento de oxigénio e glucose. Dados experimentais e clínicos sugerem que a privação de oxigénio e/ou glucose (POG) altera a produção de energia no cérebro e gera radicais livres, que podem conduzir a morte neuronal. O acidente vascular cerebral (AVC) isqué-mico agudo é uma das principais causas de mortalidade e aproximadamente 80% dos AVC são causados por AVC isquémico. O cérebro é particularmente vulnerável à isquémia (POG), particu-larmente, o cérebro adulto. A lesão celular isquémica tem sido implicada na morte celular após vários tipos de cirurgia. Os procedimentos cirúrgicos, muitas vezes, envolvem a interrupção tempo-rária ou permanente do fornecimento de sangue às células ou tecidos e, assim, induzem dano celular isquémico. O fenómeno de pré-condicionamento a insultos neurotóxicos consiste no facto de a aplicação prévia de um insulto ligeiro, não neurotóxico, prevenir o dano causado por um insulto maior aplicado posteriormente. Estudos anteriores demonstraram que insultos subletais isquémicos podem pré-condicionar e, assim, proteger os tecidos, como coração e cérebro de insul-tos subsequentes (de maior intensidade). Estudos anteriores indicam que em culturas de fatias de cérebro, obtidas a partir de ratos recém nascidos, o efeito protector obtido por pré-condicionamento com um insulto isquémico ligei-ro (pré-condicionamento isquémico - IPC), é dependente da activação dos receptores A1 da adeno-sina (A1Rs). Por outro lado, agonistas dos A1R aplicados antes do insulto neurotóxico (pré-condicionamento químico - CPC), diminuem o dano celular causado por este em alguns modelos experimentais. No entanto, o efeito quer do pré-condicionamento isquémico quer do pré-condicionamento químico, com agonistas do A1R, em animais adultos não está esclarecido, apesar da resistência à isquémia ser menor em animais adultos. No presente trabalho, o efeito do pré-condicionamento a insultos isquémicos neurotóxicos, por aplicação de insultos isquémicos ligeiros foi comparado com o efeito do pré-condicionamento por aplicação de agonistas do A1Rs, em fatias recém preparadas de hipocampo de ratos adultos. O efeito neuroprotector do pré-condicionamento foi avaliado por quantificação da sobrevivência celular e da morte celular (apoptose/necrose). A quantificação da tolerância isquémica induzida foi investigada através de diferentes métodos, tais como: método do cloreto de 2,3,5- Trifenilte-trazólio (TTC) e avaliação da actividade da caspase-3. Com base na avaliação, por quantificação da sobrevivência celular (TTC), do efeito do pré-condicionamento a insultos isquémicos, por aplicação de insultos isquémicos ligeiros não neu-rotóxicos, observou-se que o pré-condicionamento com dois insultos isquémicos ligeiros (3 minutos de POG) face à aplicação de um insulto isquémico neurotóxico (20 minutos de POG) 3 horas depois, apresentava efeito neuroprotector (22,8% de aumento da sobrevivência neuronal). Em relação à avaliação, por quantificação da viabilidade celular (TTC), do efeito do pré-condicionamento químico a insultos isquémicos, por aplicação de agonistas do receptor A1 da ade-nosina, os resultados sugerem que o pré-condicionamento com CPA (10 M durante 20 minutos) poderá ter um efeito neuroprotector (7% de aumento de viabilidade celular) face à aplicação de um insulto isquémico severo (20 minutos de POG). Contudo, a neuroprotecção conferida pelos agonistas dos A1R é apreciavelmente inferior à conferida pelo pré-condicionamento isquémico (7% versus 22,8%). Desta forma, depreende-se que a tolerância isquémica induzida pelo IPC, embora possa ser dependente da activação dos A1Rs, no entanto, eles por si só, não são suficientes para reproduzir o efeito do IPC. Ou seja, a neuroprotecção conferida depende da activação de A1R como sendo parte integrante de um conjunto de vias necessárias para a constituição do processo de neuroprotecção, conferindo tolerância isquémica transitória ou prolongada. Relativamente à duração do efeito promovido pelo pré-condicionamento, não sabemos se se trata de um efeito momentâneo de curta duração (transitório) ou tardio (prolongado).
    2011 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  3. 3

    Acidente Vascular Cerebral Isquémico num Lactente Filho de Mãe Vegana

    Publicação
    por Amaral, J
    Outros Autores: Ezequiel, M; Luis, C
    O acidente vascular cerebral é uma doença rara na infância (2,7 por 100 000 crianças por ano). A hiperhomocisteinemia é um fator de risco independente para a aterosclerose prematura, sendo habitualmente secundário a mutações na enzima metiltetrahidrofolato redutase ou défice de vitamina B12, na idade pediátrica. Descreve-se o caso clínico de um lactente de 10 meses, observado no serviço de urgência por queda da própria altura, com diminuição dos movimentos espontâneos do hemicorpo esquerdo e com postura flexora do membro superior esquerdo. A tomografia computorizada realizada na admissão mostrava imagens de hipodensidade nos corpos estriados bilaterais, e a ressonância magnética lesões isquémicas nas áreas das artérias lentículo-estriadas externas. Analiticamente apresentava aumento da homocisteína sérica (25,2 µmol/L) e défice de vitamina B12 (< 150 pg/mL). A mãe apresentava igualmente défice de vitamina B12, associado a dieta vegana. Foi feita suplementação com vitamina B12, iniciada a diversificação alimentar com introdução da carne, verificando-se normalização dos níveis de homocisteína sérica. Após seis meses de cumprimento do plano terapêutico de medicina física e de reabilitação não eram objetiváveis assimetrias sequelares. A dieta vegana pode associar-se a défices nutricionais que obrigam a uma vigilância nutricional por um profissional experiente, nos casos em que esta seja a opção materna durante a gravidez, sobretudo se prolongada no período de aleitamento materno, e/ou na criança ou adolescente.
    2018 artigo Portugal acesso aberto
  4. 4

    Kalirin: a novel genetic risk factor for ischemic stroke

    Publicação
    por Krug, T
    Outros Autores: Manso, H; Gouveia, L; Sobral, J; Xavier, J; Albergaria, I et al.
    Cerebrovascular and cardiovascular diseases are the leading causes of death and disability worldwide. They are complex disorders resulting from the interplay of genetic and environmental factors, and may share several susceptibility genes. Several recent studies have implicated variants of the Kalirin (KALRN) gene with susceptibility to cardiovascular and metabolic phenotypes, but no studies have yet been performed in stroke patients. KALRN is involved, among others, in the inhibition of inducible nitric oxide synthase, in the regulation of ischemic signal transduction, and in neuronal morphogenesis, plasticity, and stability. The goal of the present study was to determine whether SNPs in the KALRN region on 3q13, which includes the Ropporin gene (ROPN1), predispose to ischemic stroke (IS) in a cohort of Portuguese patients and controls. We genotyped 34 tagging SNPs in the KALRN and ROPN1 chromosomal region on 565 IS patients and 517 unrelated controls, and performed genotype imputation for 405 markers on chromosome 3. We tested the single-marker association of these SNPs with IS. One SNP (rs4499545) in the ROPN1-KALRN intergenic region and two SNPs in KALRN (rs17286604 and rs11712619) showed significant (P < 0.05) allelic and genotypic (unadjusted and adjusted for hypertension, diabetes, and ever smoking) association with IS risk. Thirty-two imputed SNPs also showed an association at P < 0.05, and actual genotyping of three of these polymorphisms (rs7620580, rs6438833, and rs11712039) validated their association. Furthermore, rs11712039 was associated with IS (0.001 < P < 0.01) in a recent well-powered genomewide association study (Ikram et al. 2009). These studies suggest that variants in the KALRN gene region constitute risk factors for stroke and that KALRN may represent a common risk factor for vascular diseases.
    2010 artigo Portugal acesso aberto
  5. 5

    Citicoline in the treatment of acute ischaemic stroke: an international, randomised, multicentre, placebo-controlled study (ICTUS trial)

    Publicação
    por Dávalos, A
    Outros Autores: Alvarez-Sabin, J; Castillo, J; Diez-Tejedor, E; Ferro, J; Martinez-Vila, E et al.
    BACKGROUND: Citicoline is approved in some countries for the treatment of acute ischaemic stroke. The drug has shown some evidence of efficacy in a pooled analysis. We sought to confirm the efficacy of citicoline in a larger trial. METHODS: We undertook a randomised, placebo-controlled, sequential trial in patients with moderate-to-severe acute ischaemic stroke admitted at university hospitals in Germany, Portugal, and Spain. Using a centralised minimisation process, patients were randomly assigned in a 1:1 ratio to receive citicoline or placebo within 24 h after the onset of symptoms (1000 mg every 12 h intravenously during the first 3 days and orally thereafter for a total of 6 weeks [2×500 mg oral tablets given every 12 h]). All study participants were masked. The primary outcome was recovery at 90 days measured by a global test combining three measures of success: National Institutes of Health Stroke Scale ≤1, modified Rankin score ≤1, and Barthel Index ≥95. Safety endpoints included symptomatic intracranial haemorrhage in patients treated with recombinant tissue plasminogen activator, neurological deterioration, and mortality. This trial is registered, NCT00331890. RESULTS: 2298 patients were enrolled into the study from Nov 26, 2006, to Oct 27, 2011. 37 centres in Spain, 11 in Portugal, and 11 in Germany recruited patients. Of the 2298 patients who gave informed consent and underwent randomisation, 1148 were assigned to citicoline and 1150 to placebo. The trial was stopped for futility at the third interim analysis on the basis of complete data from 2078 patients. The final randomised analysis was based on data for 2298 patients: 1148 in citicoline group and 1150 in placebo group. Global recovery was similar in both groups (odds ratio 1·03, 95% CI 0·86-1·25; p=0·364). No significant differences were reported in the safety variables nor in the rate of adverse events. INTERPRETATION: Under the circumstances of the ICTUS trial, citicoline is not efficacious in the treatment of moderate-to-severe acute ischaemic stroke.
    2012 artigo Portugal acesso aberto
  6. 6

    Modulation of GABAA Receptors in Cerebral Ischemia: alterations in receptor trafficking coupled to neuronal death after oxygen/glucose deprivation

    Publicação
    por Miranda, Mele
    A isquémia cerebral resulta de um fornecimento insuficiente de sangue ao cérebro, levando a uma desregulação no equilíbrio entre a neurotransmissão excitatória/inibitória e consequente morte celular por excitotoxicidade. A actividade das redes neuronais no sistema nervoso central (SNC) é determinada maioritariamente pelo balanço entre a neurotransmissão glutamatérgica e GABAérgica, que se encontra aumentada e reduzida, respectivamente, nas lesões isquémicas. O papel desempenhado pelo glutamato nos danos isquémicos está largamente documentado, ao contrário das alterações na neurotransmissão inibitória que permanecem pouco estudadas. Estudos in vivo e in vitro mostraram uma desregulação da neurotransmissão GABAérgica em cérebro isquémicos, ao nível pré- e pós-sináptico. A incubação de fatias de hipocampo na ausência de oxigénio e glucose (OGD) induz uma libertação rápida de GABA por exocitose, seguida de uma fase tardia em que ocorre a libertação do neurotransmissor mediada por reversão do transportador da membrana plasmática. A diminuição dos transportadores vesiculares do GABA na sinapse e a perda de ATP são dois mecanimos que podem estar na origem da redução da libertação excitotóxica de GABA. Os receptores de GABA do tipo GABAA (GABAAR) são os principais intervenientes na inibição sináptica rápida no SNC e a diminuição da sua expressão superficial foi demonstrada em modelos de isquémia in vivo e in vitro. A estabilização da expressão superficial dos GABAAR foi recentemente correlacionada com a protecção de neurónios do hipocampo e do córtex cerebral sujeitos a OGD, e o bloqueio da internalização dos GABAAR dependente da interacção AP2/clatrina reduz também a morte neuronal causada pela OGD. Estas evidências indicam que o número de GABAAR na superfície celular e a internalização deste receptor desempenham um papel modulador da morte celular causada pela isquémia. Porém, os mecanismos moleculares envolvidos na internalização dos GABAAR não foram ainda desvendados. Neste trabalho investigámos os mecanismos moleculares envolvidos na diminuição dos GABAAR em culturas de hipocampo submetidas OGD, um modelo in vitro de isquémia cerebral. A exposição transitória de neurónios de hipocampo a OGD fez diminuir os níveis totais das subunidades dos receptores GABAA características de receptores sinápticos (α1, α2, β3, γ2), por um mecanismo dependente da activação de calpaínas, mas não afectou os níveis da subunidade δ, tipicamente encontrada em receptores extra-sinápticos. Resultados semelhantes foram observados na região de enfarte em murganhos sujeitos à oclusão da artéria cerebral média (MCAO). Experiências de PCR quantitativo mostraram uma diminuição da expressão das subunidades dos GABAAR do tipo α1, α2, β2, β3 e γ2 mediada pela activação dos receptores do glutamato. Contudo, a inibição da transcrição não contribuiu para a diminuição dos níveis de proteína total das subunidades dos GABAAR. A maioria dos GABAAR presentes no cérebro contêm as subunidades 2α, 2β, e 1γ2, e apresentam uma grande mobilidade entre a localização sináptica e extra-sináptica. A acumulação do receptor nas sinapses inibitórias é regulada pela gefirina, uma proteína estrutural que permite a estabilização dos GABAAR na sinapse. A população de GABAAR da superfície neuronal é reciclada continuamente entre a membrana plasmática e os compartimentos intracelulares. Os mecanismos de regulação da expressão superficial dos GABAAR desempenham um papel fundamental no controlo dos níveis de receptor na sinapse e, consequentemente, da actividade sináptica inibitória. A internalização dos GABAAR é regulada negativamente pela fosforilação das subunidades β3 ou γ2 numa sequência intracelular. Em condições fisiológicas normais a fosforilação destas subunidades é controlada pela calcineurina, uma fosfatase activada pela entrada de Ca2+ através dos receptores NMDA. Contudo, não foram ainda identificadas as alterações no controlo do tráfego dos receptores GABAA durante a isquémia cerebral. Neste estudo, combinámos abordagens bioquímicas e de imagiologia celular para investigar os mecanismos que regulam a internalização dos GABAAR após um estímulo de OGD transitório. Verificámos que a OGD diminui a interação GABAAR/Gefirina e induz a internalização dos GABAAR pela via endocítica dependente de clatrina. A redução da interação GABAAR/Gefirina e o aumento da internalização dos GABAAR é regulada por fosforilação, como demonstrámos pelos ensaios de co-imunoprecipitação de proteínas com os receptores de superfície e pelo ensaio de “antibody-feeding”, respectivamente. Seguidamente, mostrámos que a OGD induz a desfosforilação e a internalização das subunidades β3 dos receptores GABAA, expressos em grande quantidade no hipocampo e no córtex cerebral, duas regiões particularmente vulneráveis à excitotoxicidade. Os dados obtidos usando fosfo-mutantes da subunidade β3 dos GABAAR permitiram-nos concluir que a desfosforilação do receptor causada pela OGD e a sua consequente internalização contribuem para a morte neuronal. Após a internalização, os GABAAR são rapidamente reciclados e voltam para a membrana plasmática ou são encaminhados para os lisossomas a fim de serem degradados. O rumo que os GABAAR endocitados tomam depende da interacção das subunidades β1-3 com a proteína associada à huntingtina 1 (HAP1). Verificámos que a OGD reduz também a reciclagem dos GABAAR de volta para a membrana plasmática e diminui a sua interacção com a proteína HAP1. Em resumo, neste trabalho propomos um novo modelo no qual a dissociação do complexo GABAAR/Gefirina e a desfosforilação do receptor são passos fulcrais na diminuição da actividade GABAérgica durante a isquémia cerebral, com consequente morte neuronal.
    2013 tese de doutoramento Portugal acesso aberto
  7. 7

    Alteration of GABAAR trafficking during cerebral ischemia: the role of Huntingtin-associated protein 1

    Publicação
    por Aspromonte, Maria Cristina
    A isquémia cerebral resulta de um fornecimento insuficiente de sangue ao cérebro, levando a uma desregulação no equilíbrio entre a neurotransmissão excitatória/inibitória e consequente morte celular por excitotoxicidade. No sistema nervoso central (SNC) a regulação deste equilíbrio é determinada principalmente pelo balanço entre a neurotransmissão glutamatérgica e GABAérgica e diversos estudos têm mostrado que a neurotransmissão glutamatérgica e GABAérgica está aumentada e reduzida, respectivamente, nas lesões isquémicas. Ao contrário das alterações na neurotransmissão glutamatérgica na isquémia cerebral que têm sido amplamente investigadas, poucos estudos têm abordado os mecanismos moleculares que contribuem para as alterações na neurotransmissão GABAérgica. Resultados recentes do nosso laboratório, obtidos utilizando o modelo de isquémia cerebral baseado na privação de oxigénio e glicose (OGD), mostraram que o insulto isquémico induz a desfosforilação e consequente internalização dos receptores de GABA do tipo A (GABAAR), contribuindo para a morte neuronal. Após a internalização os GABAAR são rapidamente reciclados e voltam para a membrana plasmática ou são encaminhados para os lisossomas a fim de serem degradados. O rumo que os GABAAR endocitados tomam depende da interacção das subunidades β1-3 com a proteína associada à huntingtina 1 (HAP1). Estudos anteriores do nosso laboratório mostraram que a OGD transitória também reduz a reciclagem e o regresso para a membrana plasmática dos GABAAR, e diminui a interacção dos receptores com a proteína HAP1 em neurónios do hipocampo em cultura. A proteína HAP1 existe em duas isoformas, HAP1-A e HAP1-B, que compartilham a mesma região central (aminoácidos 277-445). A HAP1 está associada a microtúbulos e a diversos tipos de organelos, incluindo as mitocôndrias, lisossomas e vesículas sinápticas. Tendo em consideração estas observações, no presente trabalho investigámos o papel da HAP1 na redução da expressão à superfície e reciclagem dos GABAAR em neurónios de hipocampo em cultura após OGD. Os resultados obtidos mostram que a exposição transitória de neurónios de hipocampo a OGD (90 min) reduz os níveis da proteína HAP1, quando testado por western blot duas horas após o insulto isquémico. Este efeitodependente do tempo de incubação, não foi observado em neurónios incubados na presença do inibidor das calpaínas MDL28170. A inibição das fosfatases PP1/PP2A com ácido ocadáico também diminuiu a redução de HAP1 induzida pela OGD. A diminuição dos níveis da proteína HAP1 foi também observada em neurónios corticais expostos a OGD, à semelhança dos resultados obtidos em neurónios do hipocampo em cultura. Porém, a oclusão transitória da artéria cerebral média (MCAO), um modelo in vivo de isquémia cerebral, teve o efeito oposto sobre os níveis da proteína HAP1 no núcleo isquémico, localizado na região cortical. Esta discrepância pode ser devida ao efeito do insulto isquémico sobre os níveis da proteína Hap1 em células da glia, presentes no tecido cerebral mas ausentes nas culturas neuronais. De acordo com essa hipótese, a análise por western blot realizada com extractos de células da glia em cultura expostas a 90 min de OGD seguido de 12 h de pós-incubação mostraram um aumento dos níveis de proteína HAP1. Para investigar o papel modulador de HAP1 nas alterações do tráfego dos GABAAR induzidas pelo OGD, foram realizadas experiências em culturas de neurónios de hipocampo transfectados com as isoformas HAP1-A ou-1B. A sobre-expressão das duas isoformas de HAP1, em neurónios de hipocampo em cultura, preveniu a redução da expressão superficial da subunidade β3 do GABAAR induzida pela OGD. Este efeito foi devido ao aumento da reciclagem da subunidade β3 do receptor GABAAR, como mostrado através do ensaio de reciclagem. Em resumo, os nossos resultados sugerem que a proteína HAP1 desempenha um papel fundamental na redução da neurotransmissão GABAérgica durante a isquémia cerebral.
    2014 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  8. 8

    Determinantes da capacidade funcional do doente após acidente vascular cerebral

    Publicação
    por Coelho, Rosa Maria Alves
    Introdução – O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é considerado o mais prevalente e incapacitante distúrbio neurovascular, do qual resultam significativos défices neurológicos que se traduzem na perca de uma ou mais funções, com consequências directas na independência da pessoa que experimenta esta doença, bem como acarretando severas implicações na sua vida pessoal, familiar e social. Face a este enquadramento, a presente investigação, pretendeu identificar os determinantes da capacidade funcional (física e cognitiva) do doente após acidentes vascular cerebral e relacionar esses mesmos determinantes com a sua evolução, desde o inicio do período de internamento até ao momento da alta. Métodos – Realizou-se um estudo transversal, descritivo-correlacional, de natureza quantitativa, na qual participaram 61 doentes, internados numa unidade de AVC de um centro hospitalar português, maioritariamente do sexo masculino (65,57%) e com uma média de idades de 72,54 anos. Para a mensuração das variáveis utilizaram-se instrumentos de medida, de reconhecida fiabilidade, o Índice de Barthel aferido e validado para a população portuguesa: e Escala Rancho Los Amigos, actualmente em processo de validação para a população portuguesa. Resultados – A capacidade funcional, física e cognitiva, avaliada no momento da alta, foi superior à mensurada às 24 horas de internamento. As variáveis que revelaram ter um efeito significativo sobre a evolução favorável da capacidade funcional foram: o sexo, idade, tipo e localização do AVC, tempo de internamento, presença de factores de risco e realização de programa de reabilitação. Genericamente, apresentam uma melhor capacidade funcional os doentes com idades compreendidas entre os 46 e 62 anos, vítimas de AVC do tipo isquémico, com uma localização no hemisfério esquerdo, com um tempo de internamento inferior a sete dias. O programa de reabilitação evidenciou apenas um efeito significativo sobre a evolução da capacidade funcional física. Conclusões – As evidências encontradas neste estudo convidam-nos, no seu todo, para a constante reflexão e continuada implementação, integrada e complementar, de estratégias preventivas que possibilitem a minimização dos riscos de ocorrência de AVC. Por outro lado, e numa perspectiva de diminuir o impacto desta doença nas suas mais diversas dimensões, infere-se que os programas de reabilitação possam e devam focar-se não apenas na recuperação da funcionalidade física, mas também noutros domínios, onde se destaca a reabilitação cognitiva como foco particular de atenção. PALAVRAS CHAVE Acidente Vascular Cerebral, Capacidade Funcional, Saúde, Enfermagem, Reabilitação.
    2011 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  9. 9

    Non-cell autonomous neuroprotective effect of carbon monoxide : microglia-to-neuron communication

    Publicação
    por Soares, Nuno Ricardo Lucas
    Brain ischemia is a widespread disease worldwide, being one of the main causes of mortality and permanent disability. A portion of the damage that ensues following the ischemic event is caused by unrestrained inflammation, which is mainly orchestrated by exacerbated microglial activity. Hence, developing strategies for modulating microglial inflammation is a major concern nowadays. The endogenous molecule carbon monoxide (CO) has been shown to possess anti-neuroinflammatory properties using in vitro and in vivo approaches. Thus, our objective was to study CO as modulator of microglial activity, in particular in what concerns their communication with neurons, by promoting neuronal viability and limiting inflammatory output of activated microglia. A conditioned media strategy was established with BV2 microglia and SH-SY5Y neurons as cell models. CO-releasing molecule A1 (CORM-A1), a compound that releases CO spontaneously, was used as method of CO delivery to cells. We found that CORM-A1 pre-treatment in BV2 cells yields neuroprotective results, as it limits cell death when SH-SY5Y neurons are challenged with conditioned media from LPS-activated microglia and the pro-oxidant t-BHP (tert-butyl-hydroperoxide). Thus, we assumed carbon monoxide promotes neuroprotection via inhibition of microglial inflammation, displaying a non-cell autonomous role. CORM-A1 pre-treatment limited inflammation by inhibiting BV2 secretion of TNF-α and stimulating IL-10 production. These results reinforce that CO’s anti-inflammatory role confers neuroprotection, as the alterations in these cytokines occur concurrently with the increase in SH-SY5Y viability. Finally, we showed for the first time that carbon monoxide promotes the expression of CD200R1, a microglial receptor involved in neuron-glia communication and modulation of microglia inflammation. Further studies are necessary to clarify this role. Altogether, other than just highlighting CO as an anti-inflammatory and neuroprotective molecule, this work set the foundation for disclosing its involvement in cell-to-cell communication.
    2015 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto