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  1. 1

    A ‘Arte da Medicina’, entre o impossível e o irrecusável

    Publication
    by Rosa, José Maria Silva
    Origin: uBibliorum
    A expressão ‘Arte da Medicina’ é muito antiga. Tem pelo menos 2500 anos. Aparece-nos como título de um dos tratados das obras atribuídas a Hipócrates, concretamente o 4.º tratado do 2.º vol. das «Obras Completas» do «Corpus Hippocraticum», editadas pela Loeb Classical Library, entre as pp. 185-215, opúsculo intitulado precisamente «Perì technēs iatrikēs>«, i.e., «Acerca da arte médica» ou de «curar». É um texto curto que, quase de certeza, não foi escrito por um ‘iatrós’ / médico, mas por um sofista de finais do séc. V a.C. O texto, depois de algumas notas preliminares contra aqueles que negam a existência da dita Arte — negação absurda, diz-se, pois afirmam que “o que é visto”, o evidente, não existe — a «Perìtéchnēs iatrikés» é apresentada como aquela que alivia e liberta do sofrimento causado pela doença, embora recuse tratar as perturbações incuráveis. Expõe então e refuta sucessivamente quatro objeções que os detratores levantam contra a Arte da Medicina: a) que as curas se devem-se à sorte (‘tychē’) e não à arte (‘téchnē’); b) que alguns pacientes se recuperam sem a ajuda do ‘iatrós’; c) que outros ainda, embora cuidados e tratados por um médico, acabam por morrer; e, finalmente, d) que alguns médicos recusam tratar certas doenças porque sabem não ter poder para as curar.
    2022 article Portugal open access
  2. 2

    Medicina & Filosofia: As origens da Medicina na antiguidade

    Publication
    by Amaral, António
    Origin: uBibliorum
    Socialmente equiparado a um artesão entre outros, o naturalista clínico grego foi-se tornando, através dos tempos, mais do que isso: o prestígio público adquirido em torno da sua capacidade para curar recorrendo a uma praxis de base científica, conferiu ao médico grego um estatuto de “promotor da saúde” cuja arte se demarcava e diferenciava da dos restantes ofícios e actividades humanas. Proporcionar saúde de forma eficaz (preventiva ou curativa), universal, com conhecimento de causa, adquirível com base no ensino, no estudo, na experiência e num compromisso solene com a prossecução de boas práticas (base do Juramento hipocrático), eis o que, no contexto da antiguidade grega, fez do métier clínico um serviço público reputado, credível e gerador de confiança. Dotado de autonomia e, nesse sentido, não sujeito ao controlo de nenhuma outra instância, fosse ela religiosa, política ou social, não é de estranhar que, nesse contexto originário, a relação entre médicos e filósofos se afigurasse simultaneamente antagónica e simbiótica. Se, por um lado, os filósofos beneficiaram da rica e tangível clareza das analogias clínicas, colocando-as ao serviço da sua produção teórica, por outro lado, os naturalistas clínicos, publicamente reconhecidos pela eficácia e pelo prestígio da sua arte, aproveitaram todo o potencial teórico dos modelos cosmológicos e éticos da filosofia para sistematizar os regimes terapêuticos mais eficazes em vista de uma vida saudável. No fundo, mens sana in corpore sano…
    2022 book part Portugal open access
  3. 3

    Hekate, de deusa ctônica dos atenienses do período clássico à deusa da feitiçaria no imaginário social do Ocidente

    Publication
    by Carnevale, Tricia Magalhães
    Origin: Oasisbr
    Nosso eixo temático se desenvolve a partir do questionamento do epíteto de Deusa da Feitiçaria atribuído tardiamente à deidade grega Hekate. A partir do período Clássico em Atenas iniciaram-se críticas às práticas mágico-religiosas cujo objetivo era fazer mal ao inimigo; realizadas por indivíduos (mágoi - magos) os quais também sabiam utilizá-las para a cura, como o uso das phármaka (ervas). O desenvolvimento da Escola de Medicina Hipocrática, no período Clássico, e seus tratados médicos, se configuram como uma das críticas direcionadas aos mágoi e das divindades que evocavam em suas práticas mágicas. Um tratado em especial, Da Doença Sagrada, combate a divinização da epilepsia e as práticas curativas desta enfermidade através da persuasão dos deuses. Platão também teceu críticas aos que ofereciam seus serviços mágicos de porta em porta por uma pequena quantia. Acreditamos que a partir dessas críticas se desenvolveu no imaginário social ateniense a relação entre a deusa grega Hekate e a magia de fazer mal ao inimigo cuja permanência é observada nos dias atuais. Nosso arcabouço teórico constitui-se dos conceitos desenvolvidos pelo filósofo polonês Bronislaw Baczko no verbete imaginação social na Enciclopedia Einaudi.
    2021 master thesis Brazil open access
  4. 4

    The hippocratic legacy and its fortune in the greco-roman period: from Cós to Galen

    Publication
    by Rebollo, Regina Andrés
    Origin: Oasisbr
    This article discusses Hippocrates' legacy and that of the Corpus hippocraticum (CH) in the period between v and iv centuries a.C. and Galen in the ii century d.C. In the first part, I make a description of the works that compose the CH and a resume of the medical conceptions that it contains. In the second part, I present the fortune of the legacy in the Alexandrine period and its first comments. Finaly, Galen's role in the transmission and in the difusion of the Hippocratic legacy is discussed in view of the totality of his works and conceptions, which are in part directly inherited from the CH.
    2006 article Brazil open access
  5. 5
  6. 6

    Relatorio Pinotti : a voz de Hipocrates na medicina moderna

    Publication
    by Britto, Luiz Percival Leme, 1957-
    Origin: Oasisbr
    Orientadora: Maria Irma Hadler Coudry
    1988 master thesis Brazil open access
  7. 7

    O legado hipocrático e sua fortuna no período greco-romano: de Cós a Galeno

    Publication
    by Rebollo,Regina Andrés
    Origin: Oasisbr
    Este artigo discute o legado de Hipócrates e do Corpus hippocraticum (CH) no período compreendido entre os séculos v e iv a.C. até o período greco-romano, com Galeno, em ii d.C. Na primeira parte, faço uma descrição das obras que integram o CH e uma síntese das concepções médicas nele contidas. Na segunda parte, apresento a fortuna do legado no período alexandrino e os seus primeiros comentadores. Por último, o papel de Galeno na transmissão e na difusão do legado hipocrático é discutido com base no conjunto de sua obra e de suas concepções, parte delas herdadas diretamente do CH.
    2006 article Brazil open access
  8. 8

    As causas naturais a perspectiva da arte médica no Corpus Hippocraticum

    Publication
    by Terlizzi, Regina Helena
    Origin: Oasisbr
    The Corpus Hippocraticum or Hippocratic Collection brings together a group of Greek medical treatises from V and IV centuries BC, among which we find the register of fundamental speeches from Hippocratic authors in defense of the existence of medical activity as art in Greek culture. The diversity of problems and the intensity of polemics from epistemological nature should be comprehended in the context of an intense intellectual activity, which reaches several domains of human knowledge and which characterizes the so-called Pericles century. In order to establish medicine as art, Hippocraticals must present the basis of the method which enabled them the advance in knowledge of natural causes for human diseases. As such knowledge supposes a series of notions elaborated by philosophy, cause (aitia) and nature (physis), there is an interweaving of matters and theories which positively brings both knowledge fields closer, until the point in which a categorical medical divergence is installed related to the philosophical method. The polemics, as the treatises certify, end up opposing, on one hand, those who defend the insertion of philosophical assumptions in medicine, according to which it could not go on without previous knowledge regarding human nature and the elements which constitute it; on the other hand, those who affirm that the existence of an old medicine which long ago could find its own means of investigation, therefore, should be considered standalone related to philosophy. As to better know the arguments level involved in these discussions, we will analyze four Hippocratic treatises where epistemological matter are approached in a more specific way: On the sacred disease, The art, On ancient medicine, On the nature of man
    2016 master thesis Brazil open access
  9. 9

    A prática médica na Grécia Antiga e a influência da mitologia no processo de cura / Medical practice in ancient Greece and the influence of mythology on the healing process

    Publication
    by Fiorini, Lucas Rospendowski
    Other Authors: Manso, Maria Elisa Gonzalez
    Origin: Oasisbr
    O presente artigo tem como objetivo demonstrar a importância da civilização grega na construção e evolução do conhecimento médico. O estudo ressalta a interdisciplinaridade da compreensão humana do período, sobretudo com o advento da filosofia, que permitiu a abertura de questionamentos sobre o universo e a responsabilidade exclusiva da religião sobre o processo saúde-doença, o que rompe com a crença de que seres ocultos e feitiços atuem como ocasionadores de enfermidade. Além disso, este artigo aborda a mitologia grega e a influência dela sobre as práticas médicas realizadas na Grécia Antiga, expondo a crença em Asclépio, centauro Quíron, Higéia e Panacéia nas atividades curativas. O estudo ainda discorre sobre Hipócrates, considerado pai da medicina e responsável por uma vasta coleção chamada Corpus Hipocraticum, conhecido mundialmente, e do qual herdamos o Juramento de Hipócrates, utilizado até os dias atuais para o ingresso na profissão médica.
  10. 10

    O cita nômade como estereótipo na Antiguidade: Heródoto, Hipócrates e a gênese de uma concepção

    Publication
    by dos Santos Oliveira, Rodrigo
    Origin: Oasisbr
    O seguinte artigo tem como objetivo analisar a gênese do que se entende como o estereótipo cita nômade em autores da Antiguidade Clássica, mais especificamente, em Heródoto e nos tratados hipocráticos. Compreende-se que a etnografia grega foi responsável pela construção de um estereótipo sobre grupos nômades que perpassou todo o período da Antiguidade e foi utilizado tanto para a estruturação de narrativas como para a legitimação de concepções sobre estes grupos. Nossa análise é guiada por dois conceitos-chave: etnicidade fictiva, como teorizado por Étienne Balibar (1991) e estereótipo, de Homi Bhabha (1998).