Submitted by Tatiane Vieira da Costa (tatianec) on 2021-04-06T18:44:37Z No. of bitstreams: 1 Roberto Salvador Francisco d'Avila_.pdf: 15079375 bytes, checksum: 7e8b12d409364a023f993ec81bb46292 (MD5)
Nesta comunicação tentaremos estabelecer os principais tipos de fácies apresentadas pelos tufos desta área do Algarve Central, articulando os mesmos com os potenciais paleoambientes de formação. Os principais tipos de fácies identificadas correspondem a fácies detríticas (conglomerado e tufos pulverulentos) e de optimum de acumulação (tufo biohérmico), sendo que os primeiros podem corresponder às fases iniciais e erosivas do afloramento e os segundos a períodos construtivos dos tufos calcários.
Variações do nível do mar no Quaternário esculpiram as planícies litorâneas no sul e sudeste do Brasil e formaram os sistemas lagunares fluminenses, os quais possuem uma evolução geomorfológica que passa pela redução de seu espelho d’água, hipersalinização e seccionamento, podendo evoluir a brejos ou mesmo desaparecer. Nesse contexto, a Lagoa Vermelha se configura como uma laguna costeira carbonática hipersalina de microclima transicional tropical-semiárido quente, condições que favorecem a precipitação de minerais como aragonita, calcita e dolomita e permitem a formação de microbialitos, estruturas organossedimentares excepcionais derivados da precipitação mineral bioinduzida ou diretamente bioprecipitada. Dentre os diversos tipos de microbialitos, destacam-se as esteiras microbianas e os estromatólitos. Por ter característica correlatas de alguns poucos lugares no mundo, como no Oriente Médio e Austrália, existem iniciativas na tentativa da preservação desse tipo de ambiente como a criação do Parque Estadual Costa do Sol em 2012. Apesar dessa excepcionalidade, a pressão antrópica tem demonstrado sinais de impacto sobre a Lagoa Vermelha. Neste trabalho houve o estudo da evolução sedimentar e trófica recente para colaborar com o conhecimento sobre os processos que governam a formação das estruturas, da sedimentação e sua correlação biológica no tocante a produção da matéria orgânica e microbialitos. Com a coleta de dois testemunhos (LV-O e LV-E) em lobos diferentes da laguna, foram feitas análises de granulometria, biopolímeros, matéria orgânica e datação pelo método de ²¹⁰Pb para inferir a geocronologia. Após a classificação das biofácies, pôde ser atestada a hegemonia de minerais carbonáticos sobre siliciclásticos em todas as frações granulométricas, com destaque para os finos. Também foi observado o domínio de lipídio sobre os demais biopolímeros em todas as biofácies dos dois testemunhos, indicando diagênese acelerada pela comunidade microbiana e grande potencial no acúmulo de carbono. A ordem biopolímérica lipídios > proteínas > carboidratos permaneceu constante, com exceção das biofácies medianas do testemunho LV-O. A razão proteína/carboidrato seguiu esse resultado, tendo valores menores que um apenas nas biofácies centrais do LV-O. A matéria orgânica acompanhou as tendências gerais dos biopolímeros, enfatizando a participação da fração lábil na composição orgânica dos sedimentos. Houve paralelo, também, da matéria orgânica com a granulometria, corroborando a resposta clássica dos processos hidrodinâmicos sobre a preservação da matéria orgânica, com exceção de uma biofácie intermediária e das biofácies do topo do LV-O. Nessas últimas, a hidrodinâmica marcada pela granulometria não respondeu a tendência crescente da matéria orgânica, dos biopolímeros e da razão proteína/carboidrato. Associando esse resultado à datação por ²¹⁰Pb, ficou sugerida influência antrópica com input de material orgânico no sistema na história deposicional mais recente da Lagoa Vermelha.
A Lagoa de Maricá está localizada a retaguarda de uma Barreira Pleistocênica e de um sistema barreira-laguna holocênico, na planície costeira do município de Maricá (Rio de Janeiro). Esta pesquisa objetivou aprofundar os conhecimentos sobre a evolução geológica desta laguna ao longo do Holoceno. Para tal, foram coletadas 72 amostras do fundo lagunar com o amostrador van Veen e 103 amostras através de 4 sondagens que atingiram entre 2 e 12,5 metros de profundidade; aquisição de dados geofísicos que contou com 30 km de perfis batimétricos realizados com o ecobatímetro e 10 km de perfis com o georadar. Os sedimentos passaram por análises de granulometria, morfoscopia, cor e teor de matéria orgânica, identificação de conchas de moluscos e espículas de esponjas, argilominerais e datação por 14C. Os resultados mostram que essa laguna possui uma morfologia de fundo predominantemente plano, com profundidade máxima de 2 m na área central. A partir da linha d’água a profundidade aumenta gradualmente, a margem norte apresenta um perfil suave em direção ao fundo, enquanto que a borda sul é mais íngreme. Os sedimentos mais antigos datados neste trabalho apresentaram a idade de 8111 anos cal AP, tornando possível analisar a evolução da Lagoa de Maricá em quase todo o Holoceno. Cinco fácies lagunares foram identificadas no fundo atual e em subsuperfície: fácies areia subarredondada (com subfácies cascalhosa) compõe as margens mais próximas a restinga; a areia angular foi encontrada nas margens voltadas para o continente; a areia siltosa indicou os locais de transição entre as fácies mais grossas das margens e as mais finas do fundo; o silte arenoso e silte/silte argiloso foram distribuídos pela a área central e o fundo e apontaram os locais de menor hidrodinâmica. Os sedimentos lamosos apresentam altas concentrações de matéria orgânica entre 18% e 81%. A taxa de acumulação foi de 0,27 cm ano na margem oeste e na área central foi de 0,15 cm ano até 4277 anos cal AP e, posteriormente, passou para 0,20 cm ano. A dinâmica sedimentar sofre influência da descarga fluvial que possibilitou a formação de um delta e, também, dos ventos que transportam sedimentos das barreiras em direção a laguna, além da formação de ondas que podem remobilizar os sedimentos das margens e do fundo. Os organismos e as fácies sedimentares indicam que a Lagoa de Maricá não passou por grandes mudanças ambientais durante o Holoceno, mas sugerem a existência de um grande corpo d’água com importante influência de água doce a cerca de 8111 anos cal AP. Com o máximo da transgressão holocênica por volta de 5600 – 5000 anos AP esse ambiente possuía maiores dimensões e influência marinha do que o atual, através de processos de sobrelavagem das ondas (a leste) e canais de maré, que permitiram a formação de leques de arrombamento e delta de maré enchente. Após 4645 anos cal AP e até os dias de hoje, mesmo com a regressão marinha, a interação entre essa laguna e o mar permanece a leste desta laguna, através da Lagoa da Barra
A plataforma continental interna do estado da Paraíba foi dividida em três setores: sul, central e norte, levando-se em conta a morfologia da linha de costa, as feições batimétricas e informações sedimentares. O Setor Sul compreende a região que vai desde o limite sul da área (7°35 00 ) até o Cabo Branco. A linha de costa, é quase retilínea, com direção N-S, sendo caracterizada por uma planície costeira arenosa bastante estreita, os sedimentos da Formação Barreiras chegam até a costa, formando uma linha de falésias vivas, entalhadas por pequenos estuários. os sedimentos apresentam percentuais de cascalhos em torno de 3%, as areias 82% e as lama 15%. Nele predominam os sedimentos clásticos com 61%. O Setor Central abrange a região que vai desde o Cabo Branco ao Rio Mamanguape. A costa apresenta direção N 20° W, sendo o setor mais recortado. Apresenta uma planície costeira mais desenvolvida, devido ao afastamento dos sedimentos da Formação Barreiras. Os sedimentos apresentam percentuais de cascalhos em torno 4%, as areias 68% e as lamas 28%. Nele predominam os sedimentos carbonáticos, com 66%. O Setor Norte compreende a região que vai do Rio Mamanguape ao limite norte da área (6°35 00 ). Sua costa, é retilínea, com direção N-S, sendo recortada por pequenos estuários. Este setor é caracterizado por uma planície costeira mais estreita que o setor central, porém, os sedimentos da Formação Barreiras também aparecem afastados da linha de costa. Os sedimentos apresentam percentuais de cascalhos em torno de 15%, as areias 74% e as lamas 11%. Nele predominam os sedimentos clásticos, com 76%. Nos três setores as isóbatas apresentam-se com contornos diferentes, mostrando irregularidades morfológicas, com locais mais estreitos e inclinados e outros mais largos e suaves, devido a variações nos processos deposicionais e as flutuações relativas de nível do mar, onde a sedimentação terrígena atual desempenha um papel importante. Um dos traços morfológicos mais característico desta plataforma, é a presença dos recifes de arenito, algas calcárias e corais. Eles influenciam na modelagem da linha de costa, nos processos hidrodinâmicos, na distribuição das fácies, sendo a principal fonte dos sedimentos orgânicos. As fácies foram definidas segundo o teor em carbonato de cálcio e a textura, sendo determinadas sete fácies: Cascalho Litoclástico, Cascalho Bioclástico, Areia Litoclástica, Areia Bioclástica, Lama Litoclástica, Lama Bioclástica e Recifes. Segundo a zonação sedimentar foram definidas cinco províncias: Província Litoclástica Litorânea Atual, Província Bioclástica Atual, Província de Transição Litoclástica/Bioclástica e Província Relíquia Litoclástica e Bioclástica. Para os sedimentos litoclásticos, o aclima, consequentemente a drenagem, o tipo de intemperismo determinam a taxa e a textura dos sedimentos que chegam a plataforma interna. Na plataforma interna, a zonalidade climática, os processos sedimentares e as flutuações relativas de nível do mar definem a localização e distribuição das fácies litoclásticas e organógenas