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  1. 1

    Prognóstico Psiquiátrico aos 3 e 6 Meses em Sobreviventes por Infeção SARS-CoV-2 Grave: Análise Prospectiva de uma Coorte Portuguesa

    Publicação
    por Seabra, Carolina
    Outros Autores: Vilaça, Helena; Meireles, Mariana; Silva, Bárbara; Costa, Fátima; Rolo, André et al.
    Introdução: Nos sobreviventes de infeção grave por SARS-CoV-2 as sequelas psiquiátricas a médio e longo prazo são expectáveis. Estudos portugueses a incidirem nesta temática são parcos. O nosso objectivo foi fazer avaliação da prevalência a médio prazo e preditores de doenças psiquiátricas nos sobreviventes COVID-19. Métodos: Estudo longitudinal e prospectivo com sobreviventes de infeção grave por SARS-CoV-2, avaliados aos 3 (T3) e 6 (T6) meses após a alta hospitalar. Foram aplicados instrumentos validados (GAD-7 para ansiedade, PHQ-9 para depressão e PCL-V para stress pós-traumático) e os diagnósticos provisórios foram estabelecidos com GAD-7 ≥ 10, PHQ-9 ≥ 10 e PCL-V ≥ 31. O consentimento informado foi obtido. Resultados: Foram recrutados 149 doentes após hospitalização por COVID-19, dos quais 117 completaram os questionários. A idade variou entre 25 e 85 anos (média de 64,0±15,5), sendo 45 (38,5%) mulheres. O Índice de Charlson ajustado à idade foi de 2,6±2,0, e 51 (43,6%) apresentaram comorbilidades. Vinte e nove doentes (24,8%) tinham comorbilidades psiquiátricas. Relativamente às habilitações literárias, 56,4% completaram o ensino básico e 8,5% tinham qualificações académicas. A prevalência de condições psiquiátricas foi de 22,2% vs 12,0% (p=0,012) para ansiedade, 23,1% vs 11,1% (p=0,007) para depressão, e 7,7% vs 2,6% (p=0,031) para perturbação de stress pós-traumático, entre T3 e T6, com melhoria significativa entre as avaliações. A análise univariada mostrou que o género feminino [OR 4,86 (IC 95% 1,42-16,60), p=0,012] e níveis elevados de ferritina [OR 8,25 (IC 95% 1,04-65,60), p=0,046] correlacionaram-se com a ansiedade. A escala de dispneia mMRC [OR 1,62 (IC 95% 1,05-2,51), p=0,031] e antecedentes psiquiátricos [OR 3,44 (IC 95% 1,36-8,66), p=0,009] correlacionaram-se com a depressão. Não se identificou associação dos resultados com a idade, escolaridade, estado civil, tempo de internamento, ventilação mecânica ou outros achados laboratoriais. Conclusão: Entre os sobreviventes por infeção grave por SARS-CoV-2, foram observados níveis significativos de ansiedade, depressão e stress pós-traumático aos 3 e 6 meses após a alta, com melhoria ao longo do tempo. O risco de ansiedade associou-se com o género feminino, e o risco de depressão com a escala de dispneia mMRC e os antecedentes psiquiátricos.
  2. 2

    Fitoterapia na Prevenção e Tratamento de Ansiedade e Depressão

    Publicação
    por Gonçalves, Andreia Vanessa Portela Antunes
    Origem: uBibliorum
    A presente dissertação encontra-se dividida em dois capítulos que abordam respectivamente, o estágio curricular no âmbito da Farmácia Comunitária e a revisão bibliográfica referente á aplicação da fitoterapia na prevenção e tratamento da Ansiedade e Depressão. O primeiro capítulo dedica-se á descrição sumária das actividades desempenhadas durante o estágio em Farmácia Comunitária, realizado na Farmácia Holon Covilhã do dia 1 de fevereiro de 2021 ao dia 11 de junho de 2021, sob a orientação da Dra. Carmo Santos. Neste capítulo estão detalhadas as experiências que o estágio curricular me proporcionou assim como as competências adquiridas no decorrer do mesmo. A crescente prevalência de doenças que afectam o Sistema Nervoso Central aliada ao consumo global desmedido e por vezes excessivo de benzodiazepinas, uma classe farmacológica com um reconhecido perfil de tolerância e dependência, reforça a premente necessidade de encontrar agentes terapêuticos e preventivos alternativos que contrariem esta tendência. Neste âmbito, o segundo capítulo desta dissertação dedica-se á identificação, sintetização e discussão de potenciais alternativas fitoterápicas que possam ser empregues na prevenção e tratamento da Ansiedade e Depressão. Este capítulo encontra-se subdividido em duas partes distintas: uma primeira parte que se destina a abordar a patofisiologia, diagnóstico, sintomas e tratamento das patologias já mencionadas e uma segunda parte que após uma breve contextualização da importância da fitoterapia se dedica a enumerar, ilustrar e especificar as características e potenciais usos medicinais de plantas com potencial interesse antidepressivo e ansiolítico. Para terminar, o capítulo dois conta também com um tópico focado no aconselhamento fitoterápico no contexto da Farmácia Comunitária.
    2021 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  3. 3

    Efeitos terapêuticos do riso

    Publicação
    por Craveiro, José Filipe Moreira
    Origem: uBibliorum
    Introdução: Os distúrbios mentais constituem um dos maiores e mais relevantes desafios da saúde pública. Cerca de 4,4% da população mundial sofre de depressão e em Portugal esta patologia afeta cerca de 10% da população. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a depressão constitui, atualmente, a principal causa de incapacitação em todo o mundo. O tratamento preconizado para o transtorno depressivo passa por um tratamento farmacológico e/ou psicoterapêutico. No entanto, apesar destas intervenções se terem demonstrado eficazes no tratamento destas patologias, acarretam algumas desvantagens, nomeadamente o facto de necessitarem de períodos de tratamento duradouros, terem imensas recaídas, serem mais dispendiosas e possuírem inúmeros efeitos adversos. Os idosos, pelos longos períodos institucionalizados e pelas frequentes comorbilidades requerendo fármacos, são um importante grupo de risco. Assim, surge a necessidade de encontrar terapias alternativas complementares que aumentem a eficácia do tratamento, reduzam a carga farmacológica e melhorem o prognóstico. Diversos ensaios clínicos sugerem as terapias do riso como uma alternativa pelos seus potenciais efeitos fisiológicos benéficos, sendo económica e praticamente sem efeitos adversos. Objetivo: Determinar os efeitos e a eficácia das terapias do riso no tratamento dos sintomas depressivos. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa na PubMed, Scopus e Cochrane de ensaios clínicos publicados em inglês, português ou espanhol, datados entre 2010 e 2020. Utilizaram-se as palavras-chave: laugh* AND depression. Foram selecionados artigos que estudavam a eficácia de um programa de Terapia do Riso no tratamento de sintomas depressivos. O principal outcome analisado foi a Depressão, avaliada por escalas validadas. Outros outcomes analisados foram a ansiedade e a qualidade de sono. Resultados: As terapias do riso parecem conseguir melhorar os sintomas da depressão e a ansiedade. Estes resultados são verificáveis tanto em terapias com exercícios de riso simulado como em terapias de riso induzido pelo humor, pelo que ambos parecem obter benefício terapêutico. No entanto, a qualidade geral dos estudos é baixa devido à presença de risco considerável de vieses inerentes às terapias. Conclusão: As terapias do riso têm potencial para se tornar uma terapia complementar na gestão dos doentes com depressão e ansiedade. Este potencial parece ser mais evidente em idosos no contexto de institucionalização. No entanto, a ausência de guidelines que uniformizem as práticas e a atual evidência científica com riscos consideráveis de vieses, dificultam a aplicabilidade clínica imediata. Recomendamos que mais estudos sejam realizados, com metodologias mais rigorosas.
    2021 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  4. 4

    Saúde Mental e estratégias de regulação emocional em estudantes do ensino superior

    Publicação
    por Oliveira, Luísa Rodrigues
    Origem: uBibliorum
    O presente estudo teve como objetivo analisar os níveis de stress, ansiedade e depressão em estudantes do ensino superior, bem como explorar a relação destas variáveis com as estratégias de regulação emocional utilizadas, tanto cognitivas, quanto comportamentais. Participaram no estudo 315 estudantes, com idades compreendidas entre os 18 e os 53 anos, que responderam a um questionário composto pela Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21), o Questionário de Regulação Emocional Comportamental (BERQ), e o Questionário de Regulação Emocional Cognitiva (CERQ). Os resultados indicaram níveis moderados a elevados de sintomatologia psicológica, sendo o stress o mais prevalente. Estratégias de regulação emocional desadaptativas, como a ruminação, a catastrofização e a autoculpabilização revelaram-se associadas a níveis mais elevados de sintomas emocionais. Foram também encontradas diferenças estatisticamente significativas em função do género e do ciclo de estudos, com maiores níveis de stress, ansiedade e depressão e menor utilização de estratégias de regulação emocional adaptativas, nas raparigas e estudantes de licenciatura. Estes resultados sublinham a importância da promoção da literacia emocional e da implementação de estratégias preventivas no contexto da saúde mental dos estudantes do ensino superior.
    2025 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  5. 5

    A subjetividade da “doença mental” e dos efeitos da sua medicação

    Publicação
    por Teixeira, David Luís Ferreira
    Origem: uBibliorum
    Introdução: As perturbações depressivas constituem o espectro de doenças psiquiátricas com maior incidência e prevalência no séc. XXI, resultando em grandes custos a nível pessoal e familiar, económico e social. Considerado um fármaco revolucionário no campo da Psiquiatria, a Fluoxetina ganhou imenso destaque mediático nas últimas décadas. A fenomenologia privilegia a experiência e opinião do próximo, considerando a doença indissociável do seu paciente, como um todo holístico; assim, perceber a complexidade da doença psiquiátrica e do seu tratamento é mais do que apurar a média estatística de determinada relação causa-efeito; perceber a complexidade da doença psiquiátrica e do seu tratamento é ouvi-las diretamente da boca dos seus atores e refletir sobre as mesmas, para depois melhor se poder agir sobre elas. Objectivos: perceber o desenvolvimento do quadro depressivo das entrevistadas, o percurso do seu tratamento com Fluoxetina e as suas perspetivas futuras sobre o desenrolar do seu estado de saúde mental. Material e Métodos: utilizou-se uma investigação fenomenológica através de entrevista aberta; as entrevistas foram depois transcritas, analisadas e codificadas de forma livre. Resultados: A entrevista foi aplicada a 9 indivíduos, tendo sido validada para 5 elementos do sexo feminino. Os dados recolhidos foram agrupados em 4 categorias cronológicas: Lentamente, Subitamente, Fluoxetina e Para Lá do Atualmente. A unicidade de cada paciente foi comprovada. Conclusão: As pacientes deslocavam o tónus da sua doença, de fatores internos (biogenéticos) para fatores externos (sociais, familiares, meio envolvente, etc.), não sendo a Fluoxetina que os irá alterar per se; também se mantêm os traços psíquicos associados aos seus episódios depressivos, como ansiedade e nervosismo, não sendo mais uma vez a Fluoxetina a alterá-los per se. Por fim, vivemos num paradigma médico baseado em médias, ou seja, em que um tratamento é adotado porque em média melhora aqueles aos quais se aplica. Isso significa que não melhora necessariamente todos, daí a necessidade de uma evolução para uma medicina personalizada, em que cada caso seja visto como único: é necessário que o médico compreenda a experiência subjetiva da doença, a Illness.
    2015 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  6. 6

    Glicemia, comportamentos agressivos, neuroticismo e depressão: que relação?

    Publicação
    por Fernandes, Joana Carolina Dória
    Origem: uBibliorum
    Neste estudo procuramos evidenciar se diferentes níveis de glicemia estão relacionados com os comportamentos agressivos, com o neuroticisimo enquanto indicador de personalidade e com a depressão enquanto indicador de saúde mental. Ao estudarmos o modo de como os diferentes níveis de açúcar podem estar relacionados com o bem-estar dos indivíduos, podemos observar a relação que estes têm com os diferentes comportamentos, com a saúde mental, bem como com a personalidade. O principal objetivo do presente estudo passa pela compreensão da relação que a glicemia pode ter com os comportamentos agressivos, com a depressão e com o neuroticismo. Esta investigação assume uma vertente descritiva, transversal, de tipo correlacional, com uma amostra recolhida através de um protocolo online, com o preenchimento de um questionário sociodemográfico, do Inventário das Cinco Dimensões de Personalidade (Neuroticismo), da Escala de Comportamentos Agressivos, o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (Depressão), bem como preenchimento de medidas biomédicas. Incluiu um grupo de 216 participantes com idades compreendidas entre os 18 e os 89 anos (Média=38,36; Desvio-Padrão=17,99), com 73 sujeitos do sexo masculino e 143 do sexo feminino. Foi possível observar, através dos resultados obtidos, uma correlação estatisticamente significativa entre os níveis de glicemia e os comportamentos agressivos, o neuroticismo e a depressão. Em geral verificou-se que níveis elevados de açúcar no sangue acabam por estar relacionados com a prevalência de comportamentos agressivos, bem como com sintomas depressivos. Em relação ao neuroticismo, observou-se que quantos menores os níveis de glicemia, maior é a sintomatologia neurótica. Os sujeitos com idades mais jovens foram os que obtiveram valores mais estáveis de açúcar no sangue, verificando-se um aumento destes níveis conforme o decorrer da idade, ou seja, em idades mais avançadas. Os sujeitos do sexo masculino obtiveram uma pontuação mais elevada, comparativamente às mulheres. Já em termos de escolaridade, um nível académico mais baixo refletiu valores mais acentuados de glicemia e em termos de estatuto socioeconómico, surgiram algumas discrepâncias, apesar de os sujeitos com estatuto médio-alto terem uma maior inclinação para níveis elevados de açúcar no sangue. Ficou patente que os diferentes níveis de açúcar no sangue acabam por ter uma relação significativa com o comportamento agressivo, fatores de personalidade e saúde mental dos sujeitos, e que as diferenças sociodemográficas podem espelhar um contraste nos mesmos.
    2017 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  7. 7

    Depressão em trabalhadores remotos: Análise do papel de riscos psicossociais e do comprometimento ocupacional

    Publicação
    por Crisóstomo, Juliana Isabel Fagundes
    Origem: uBibliorum
    O trabalho remoto ou teletrabalho constitui uma abordagem à organização e realização do trabalho crescentemente adotada, num período pandémico e póspandémico, e é caracterizada por uma realização da atividade laboral num enquadramento diferente daquele que seria o espaço de trabalho físico convencional, como uma realidade organizacional, tida como uma entidade fisicamente existente e localizada, com centralização do trabalho e dos trabalhadores num espaço-tempo. Ao invés de uma atividade centralizada constitui uma realidade mais descentralizada, mais flexível e potenciada pelo recurso mediador de tecnologias de informação e de comunicação. A crescente adoção e até generalização do uso de trabalho remoto introduziu requisitos de mudança e zonas de desconhecimento, na forma de o operacionalizar, mas, sobretudo, nos resultados e consequências da sua adoção, nomeadamente, em relação ao aparecimento de novos riscos psicossociais e alterações em variáveis e indicadores de saúde ocupacional, que possam constituir risco e ter implicações negativas para os trabalhadores. Neste enquadramento, o presente estudo pretende contribuir para uma análise teórica e empírica de questões relacionadas com a saúde ocupacional dos teletrabalhadores, nomeadamente, ao nível do desenvolvimento de sintomatologia depressiva, riscos psicossociais específicos e comprometimento ocupacional. Partindo de uma revisão de literatura tematicamente orientada e resultados de investigações anteriores os objetivos deste estudo passam por analisar, de forma descritiva, as variáveis principais: a depressão e o comprometimento ocupacional, bem como as variáveis secundárias: os riscos psicossociais e a qualidade do sono, numa amostra de trabalhadores remotos, avaliando se os indivíduos em teletrabalho (exclusivamente remoto ou híbrido), e considerando outras variáveis sociodemográficas e profissionais, apresentam indicadores de sintomatologia depressiva e de que forma as restantes variáveis se relacionam e podem predizer a sintomatologia depressiva. Análises quantitativas foram realizadas sobre dados recolhidos com recurso a questionários disseminados via online, permitindo uma amostra de 101 participantes válidos a exercer atividade laboral em modalidade de teletrabalho (exclusivamente remoto ou híbrido). A amostra compreende participantes com idades entre os 22 e os 60 anos, com uma média de idades de 34.08 anos e desvio-padrão de 8.783, bem como uma participação masculina maior, já que 54 dos participantes são homens e 47 são mulheres. Para a recolha de dados foi utilizado um protocolo de recolha de dados onde se incluiu, um questionário sociodemográfico e socioprofissional e instrumentos de avaliação como o Utrecht Work Engagement Scale-9 (UWES-9), o Inventário Breve de Sintomas-18 (BSI-18) e o Copenhagen Psychosocial Questionnaire-II (COPSOQ-II). Os resultados obtidos demonstraram que existe uma associação entre a sintomatologia depressiva, os riscos psicossociais (exigências no trabalho e relações interpessoais e de liderança), a qualidade de sono e o comprometimento ocupacional. No que diz respeito a testes de diferença apenas foram evidenciadas diferenças na variável depressão quando analisada em função do género. Já em relação aos testes de associação foram encontradas correlações fortes entre as variáveis comprometimento ocupacional e depressão, relações interpessoais e de liderança e o comprometimento ocupacional e depressão e qualidade do sono. O comprometimento ocupacional e as relações interpessoais e de liderança foram apresentadas como possíveis fatores protetores para o aparecimento de sintomatologia depressiva. A análise de regressão linear permitiu percecionar as possíveis predições de impacto das dimensões do comprometimento ocupacional, das relações interpessoais e de liderança e qualidade do sono na depressão. Por fim, apresentam-se conclusões, limitações e implicações desta investigação, bem como possíveis estudos futuros e de continuidade.
    2023 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  8. 8

    Quinurenina: Um link entre a Depressão e o Exercício Físico

    Publicação
    por Queimadela, Isabela dos Santos
    Origem: uBibliorum
    Introdução: A depressão é altamente prevalente a nível mundial, sendo 30% dos doentes farmacorresistentes. O exercício físico tem emergido como alternativa terapêutica em doentes com depressão, embora os mecanismos subjacentes ao seu efeito benéfico permaneçam desconhecidos. A via da quinurenina tem-se destacado não só pela relevância na fisiopatologia da depressão, como também no papel no alívio sintomático quando influenciada pelo exercício físico. Objetivo: Esta dissertação pretende explorar a via da quinurenina como mediadora de parte dos efeitos antidepressivos do exercício físico. Metodologia: Revisão sistemática da literatura baseada na metodologia PRISMA1 , utilizando as bases de dados eletrónicas: PubMed, Cochrane, Web of Science e Science Direct. Resultados: Os estudos mostram que a atividade física leva a uma diminuição dos comportamentos tipo depressivos em roedores, e dos sintomas depressivos em humanos. Demonstrada uma relação causal entre estimulação muscular pelo exercício do PGC-1a e das enzimas KAT, e a diminuição dos níveis plasmáticos de 3-HK e QUIN, e aumento dos níveis de KYNA. Os níveis de KYNA têm um aumento agudo transitório após um surto de exercício, e indivíduos treinados têm adaptações musculares que proporcionam melhor metabolização destes metabolitos. Tanto o exercício aeróbio como o de força se mostraram eficazes, no entanto, enquanto nos roedores níveis de atividade ligeira a moderada são suficientes, nos humanos parece ser necessária uma intensidade maior para obter os mesmos efeitos. Estes resultados não são consistentes em todos os estudos. Conclusão: O exercício físico tem benefício no tratamento da depressão como estratégia complementar ao tratamento convencional. Os parâmetros de atividade física precisos, suficientes para mitigar sintomas depressivos e inflamação concomitante, precisam de ser determinados. Potencial uso dos níveis plasmáticos das quinureninas e moléculas associadas para: quantificar a componente inflamatória dos sintomas depressivos; como biomarcadores de prognóstico, resposta e monitorização terapêutica; para monitorizar a quantidade, intensidade e modo de exercício requerido.
    2022 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto
  9. 9

    Influência de um programa educacional com ênfase na reabilitação nos doentes com DPOC em contexto hospitalar

    Publicação
    por Monteiro, Bruno Miguel Carvalho
    Origem: uBibliorum
    Contexto: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é considerada uma das principais causas de mortalidade mundial. O conhecimento dos doentes acerca da sua doença é baixo, comprometendo a sua gestão. A dispneia, ansiedade, depressão, impacto elevado da doença, capacidade funcional e qualidade vida comprometida, são frequentemente observados. Os programas educacionais na DPOC têm demonstrado benefícios nestes doentes. Objetivos do Estudo: Analisar a influência de um programa educacional com ênfase na reabilitação no Questionário de Avaliação de Conhecimentos acerca da DPOC (QDPOC), no COPD Assessment Test (CAT), no Medical Research Council Dyspnoea Questionnaire (MRCDQ), no Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), no London Chest Activity of Daily Living (LCADL) e no The St. George’s Respiratory Questionnaire (SGRQ) em doentes com DPOC estáveis. O programa foi realizado em grupo e de curta duração em meio hospitalar. Avaliar a influência das variáveis sociodemográficas no QDPOC no momento inicial. Métodos: Estudo de intervenção, longitudinal, prospetivo, comparativo, de características quantitativas. Composto por um grupo inicial (T0) de 47 doentes, intermédio (T1) e final (T2) de 35 doentes, seguidos no Centro Hospitalar Universitário Cova da Beira (CHUCB) e selecionados por conveniência. Foi elaborado um questionário individual constituído por: dados sociodemográficos e clínicos; QDPOC; MRCDQ; HADS; LCADL e SGRQ. Resultados: 91.5% dos doentes em T0 eram homens e 85.1% idosos. 53.2% residiam no meio rural, 17% viviam sozinhos, 83% eram reformados e 74.4% apresentavam o 1.º ciclo de ensino. Perfil clínico: 29.8% dos doentes com classificação da DPOC de GOLD II-Grupo B e 27.7% de GOLD IV-Grupo D; 25.5% apresentaram hábitos tabágicos; 68.1% reportaram história prévia de exposição a fatores de risco; 46.8% utilizavam oxigenoterapia de longa duração e 17% oxigenoterapia de deambulação. Os níveis de conhecimentos em T0 revelaram-se insuficientes (QDPOC: M=41.85; DP=17.70). Observou-se um impacto médio da doença (CAT: M=19.91; DP=8.67), grau de dispneia elevado (MRCDQ, média: grau 3), sintomatologia ansiosa (68.10%) e depressiva (53.20%), capacidade funcional comprometida (LCADL: M=27.62; DP=12.13) e baixa qualidade de vida (SGRQ: M=56.51; DP=18.43). No final da intervenção verificou-se uma melhoria dos valores médios no nível de conhecimento dos doentes acerca da doença, do impacto da DPOC, no nível de dispneia funcional, nos níveis de ansiedade e de depressão, da capacidade funcional percecionada e da qualidade de vida, com diferenças estatisticamente significativas. No follow-up de 6 meses, constatou-se que os ganhos em saúde obtidos após as sessões educacionais se mantiveram, como o nível de dispneia funcional, a capacidade funcional subjetiva e a sintomatologia ansiosa, e até mesmo melhoraram, como o nível de conhecimento dos doentes, o impacto da DPOC, a sintomatologia depressiva e a qualidade de vida. O programa educacional influenciou assim, o nível de conhecimento dos doentes em todos os momentos de avaliação (ρ˂0.001); a CAT entre T0-T2 (ρ˂0.05), e T1-T2 (ρ˂0.01); a MRCDQ entre T0-T1, T0-T2 (ρ˂0.01); a LCADL entre T0-T1, T0-T2 (ρ˂0.001); a HADS-A entre T0-T1, T0-T2 (ρ˂0.001); a HADS-D entre T0-T1 (ρ˂0.05), T0-T2 (ρ˂0.001), T1-T2 (ρ˂0.01); a SGRQ entre T0-T1, T0-T2 (ρ˂0.001) e T1-T2 (ρ˂0.01). Em relação às diferenças entre o nível de conhecimento dos doentes e as variáveis sociodemográficas em To, verificou-se que o local de residência (ρ˂0.05) e o nível de escolaridade (ρ˂0.01) influenciaram estatisticamente o QDPOC. Conclusão: O programa educacional com ênfase na reabilitação influenciou positivamente o nível de conhecimento dos doentes, o impacto da doença, o grau de dispneia funcional, a capacidade funcional na realização das atividades da vida diária (AVD’s), a ansiedade, a depressão e a qualidade de vida na maioria dos momentos de avaliação comparados, com a manutenção e aumento dos ganhos em saúde obtidos após 6 meses. Concluiu-se também que o local de residência e o nível de escolaridade influenciaram o nível de conhecimento. Esta investigação reforça, assim, a importância da implementação destes programas educacionais com ênfase na reabilitação com os doentes com DPOC, demonstrando benefícios em saúde.
    2021 tese de doutoramento Portugal acesso aberto
  10. 10

    Memória e Depressão Geriátrica

    Publicação
    por Ferraz, Sandra Catarina Lino Ferreira
    Origem: uBibliorum
    Introdução O Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) refere-se a um declínio cognitivo pouco proeminente, mas anormal para a idade, e pertence ao continuum entre o envelhecimento normal e a demência em estado inicial. A depressão é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de demência. Torna-se por isso importante avaliar qual a evolução de doentes identificados com DCL e se o estado depressivo destes pode influenciar a possível evolução para um quadro demencial. Materiais e Métodos A amostra foi constituída por 16 idosos diagnosticados com DCL, há dois anos, no Rastreio à memória feito à população geriátrica da Covilhã e concelhos limítrofes. Foi usada a escala de Montreal Cognitive Assessment (MoCA) (versão 7.1) para a deteção e avaliação de alterações cognitivas e a Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage versão curta (GDS) como ferramenta validada para o rastreio de depressão nos idosos. Resultados A pontuação do MoCA entre 2016 e 2018 diminuiu significativamente nesta população, em média, cerca de 2,69 ± 4,18 pontos (p=0,026), evidenciando um agravamento do défice cognitivo num período de dois anos. Cerca de 37,5 % dos voluntários evoluíram de pontuações compatíveis com Défices Cognitivos Ligeiros (DCL) para pontuações compatíveis com Demência. Os valores da GDS entre 2016 e 2018 aumentaram, em média, cerca de 0,19 ± 2,26 pontos, que corresponde a um ligeiro agravamento, não significativo, do estado depressivo (p=0,752). Encontrou-se uma correlação negativa fraca (r=-0,325), não significativa (p=0,219), entre a diferença das pontuações do MoCA de 2018 e 2016 e a diferença das pontuações da GDS de 2018 e 2016. Conclusão Os resultados refletem um agravamento significativo da função cognitiva num período de dois anos. Sabemos que os indivíduos com DCL estão em maior risco de evoluir para Demência a curto prazo comparativamente com a população geral. A correlação entre a evolução dos valores do MoCA e da GDS entre 2016 e 2018 mostrou-se negativa nesta população, mas sem significado estatístico. Assim, nesta população os sintomas depressivos poderão não ter influenciado significativamente a evolução do estado cognitivo.
    2019 dissertação de mestrado Portugal acesso aberto