Quem hoje toma em mãos o texto« De Potestate Regia et Papali» de João de Paris, e o lê com atenção, tentando situá-lo no contexto político, jurídico, social e eclesiológico de princípios de séc. XIV, não pode deixar de fi car surpreendido por, no seu tempo, o autor ter sido considerado Quidort, Dormiens, como se se tratasse de um dominicano de coro, sonolento e à margem dos acontecimentos da sua época. Tão mais surpreendente por, ao contrário, ele ter sido de facto um espírito atento e interventivo na questão mais escaldante do seu tempo: as relações entre a «potestas spiritualis» e a «potestas temporalis», entre o Papa Bonifácio VIII e o Rei Filipe, o Belo.