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Nação, nacionalidade e nacionalismo em Angola
Publicaçãopor Cipriano, Patrício Batsîkama MampuyaConcebida pela elite cultural política, a angolanidade evoluiu no tempo, no espaço, e até hoje ainda tem o espectro plural dos propósitos de uma Angola inclusiva. Angolanidade apriorística, angolanidade rizomática e angolanidade aposterioristica, todas podem ser olhadas em duas vertentes: (i) culturalmente. Constrói-se e herda-se a cultura; o ‘cross-culture’ através de diálogo cultural e da competição das propostas culturais. (ii) politicamente. A democratização – que é a démarche metodológica para alcançar o Estadonação – é um processo contínuo, faseado e de difícil digestão social. O nacionalismo que forjou Angola em 1975 apresentou este país como um conjunto de vários Estados, proclamados pela FNLA, pelo MPLA e pela UNITA. Em 1992, começa o processo de normalização democrática, e serão realizadas três eleições, em 1992, 2008 e em 2012. Trata-se do período de reconhecimento. A nacionalidade angolana é, na verdade, o conjunto de ‘concepções’ que vários grupos societários angolanos, por um lado, definem seus modos de ‘pertença’. E, por outo, a noção jurídica importada de ‘ocidente’, que instala a nova dimensão de se ‘pertencer a um país/Estado’. Durante todo o processo do protonacionalismo, as angolanidades (aposteriorística, rizomática e angolanitude) idealizaram os critérios de ‘Ser angolano’, partindo de uma diversidade, quanto à sua juridicidade. As ‘nações patrimoniais’, que precederam o projecto de Angola, ainda permaneceram enquanto ‘grupos socioculturais’ detentores de ‘terras históricas’: Ambûndu, Côkwe, Kôngo, !Kung, Lûnda, Umbûndu, etc. O diálogo destas ‘terras históricas’ na integridade territorial de Angola resulta no diálogo permanente entre as instituições que suportam e validam estas ‘nações patrimoniais’, assim como o Estado angolano. Tal diálogo congrega as partes, consolida um Estado-nação angolano inclusivo e proporciona as bases do desenvolvimento humano, dentro da justiça social.